Brasil e outros países enviam ajuda após terremotos na Venezuela
Dois terremotos deixam ao menos 164 mortos; governo brasileiro, EUA e Europa mobilizam equipes de resgate em meio a graves desafios logísticos
A Venezuela enfrenta uma das piores crises humanitárias recentes após ser atingida por dois fortes terremotos quase simultâneos na última quarta-feira (24). Com magnitudes de 7,2 e 7,5, os tremores devastaram áreas urbanas e derrubaram dezenas de edifícios, com impactos severos na capital, Caracas, e no estado de La Guaira.
O segundo abalo, de magnitude 7,5, já é considerado o mais forte a atingir o país em mais de um século, o que levou a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, a decretar estado de emergência nacional. Apesar do cenário de devastação, o Itamaraty informou que, por enquanto, não há registro de brasileiros afetados pela tragédia.
Até o momento, o balanço oficial indica ao menos 188 mortes e mais de 1500 feridos, enquanto mais de 500 equipes de busca correm contra o tempo para localizar sobreviventes entre os escombros.
Brasil e a mobilização nas Américas
Diante do cenário devastador, o governo brasileiro expressou profunda consternação e reafirmou o compromisso de auxiliar a nação vizinha na recuperação das áreas atingidas. “Reafirmo nossa determinação de apoiar o governo da presidente encarregada Delcy Rodríguez na recuperação das zonas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência diante das adversidades”, declarou o presidente Lula.
Os Estados Unidos anunciaram o envio imediato de 80 especialistas em resgate urbano, acompanhados de seis cães farejadores e tecnologia de imagens aéreas para o mapeamento dos danos. Na América Latina, El Salvador disponibilizou 300 socorristas e 50 toneladas de suprimentos médicos, enquanto República Dominicana, Chile, Argentina, Uruguai, Cuba e Costa Rica também ofereceram ajuda.
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Vídeo registra situação de prédios após terremotos na Venezuela. (Vídeo: reprodução/Instagram/@hugogloss)
Solidariedade global
A resposta internacional também ganhou força na Europa e na Ásia. A União Europeia ativou o sistema de satélite Copernicus para fornecer dados cartográficos em tempo real, ajudando a identificar os pontos de maior destruição.
Entre as contribuições individuais do bloco, a França enviou 85 socorristas especializados em estruturas colapsadas, a Suíça despachou uma equipe de 80 profissionais acompanhada de 18 toneladas de ajuda humanitária e 8 cães de resgate, e a Holanda somou-se ao esforço com especialistas e uma doação de dois milhões de euros. Essa rede de apoio ainda inclui países como Alemanha, Espanha, Portugal, Turquia, Índia e Catar.
Gargalos logísticos e apelo pelo fim da censura
As operações de socorro enfrentam obstáculos em solo venezuelano, tendo como principal entrave o fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar devido a graves danos estruturais, o que atrasa a chegada de suprimentos e equipes estrangeiras.
Diante disso, a Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre a Venezuela, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, pediu que a Conatel suspenda imediatamente os bloqueios a redes sociais e meios de comunicação no país. Especialistas da organização alertam que o livre acesso à informação tornou-se uma questão de “vida ou morte” para otimizar os resgates e ajudar famílias na busca por desaparecidos.
Essa demanda internacional esbarra em um histórico severo de restrições digitais e midiáticas, evidenciado pelo fato de a Venezuela ocupar a 159ª posição no ranking global de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Dados da ONG Venezuela Sin Filtro reforçam a gravidade da situação ao apontar que mais de 200 domínios de internet seguem bloqueados pelos provedores locais. Para as entidades humanitárias, a liberação desses canais é indispensável para garantir a circulação de dados confiáveis e salvar vidas durante a crise.
