Caso BRB e Master leva oposição a pedir impeachment de Ibaneis no DF

Governador do DF é acusado de crimes de responsabilidade no caso BRB e Master e oposição cobra investigação no MPF; Câmara analisa o caso

01 fev, 2026
Ibaneis Rocha, governador do DF │ Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ibaneis Rocha, governador do DF │ Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ganharam força após o caso Banco de Brasília (BRB) e Banco Master. A princípio, a oposição afirma que o chefe do Executivo cometeu crimes de responsabilidade durante as negociações entre as instituições financeiras. Além disso, dois requerimentos de investigação foram enviados ao Ministério Público Federal (MPF).

Sobretudo, os documentos ainda aguardam tramitação na Câmara Legislativa do DF. Para isso, o presidente da Casa, Wellington Luiz, precisa autorizar o início do processo. Contudo, na última segunda-feira (26), Luiz declarou que só vai analisar o tema após o fim do recesso. Enquanto isso, partidos de oposição pressionam por respostas rápidas.

Quem assina os pedidos de impeachment

Nesse cenário, o primeiro pedido reúne integrantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Cidadania e dois advogados. Entre os nomes estão Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Cristovam Buarque. Já o segundo documento foi protocolado por lideranças do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), como Fábio Félix e Giulia Tadini.


Ibaneis foi citado por Vorcaro sobre compra do banco pelo BRB (Vídeo: reprodução/YouTube/@VEJA+)


Desse modo, segundo os autores, o governador apoiou politicamente a tentativa do BRB de comprar o Banco Master. Entretanto, o Banco Central (BC) vetou a operação e apontou suspeitas de fraude em carteiras de crédito. Por isso, a oposição considera que houve risco ao patrimônio público.

O que motivou a crise política

Anteriormente, o BRB tentou adquirir parte do Banco Master entre 2024 e 2025 e, nesse período, a instituição pública injetou bilhões de reais na empresa privada. Contudo, o Banco Central identificou problemas de liquidez e determinou a liquidação do Master. 

De acordo com o Ministério Público, a venda de carteiras teria sido fictícia. Assim, investigadores veem indícios de gestão fraudulenta e possível dano ao erário. Mesmo diante das suspeitas, Ibaneis afirmou que nunca tratou da compra com o dono do Master. Consequemente, os pedidos de impeachment listam diferentes crimes de responsabilidade como a oposição aponta a omissão do governador ao não punir dirigentes do BRB. 

Além disso, o texto acusa Ibaneis de respaldar politicamente uma operação irregular. Já outro ponto citado é a realização de despesas sem autorização legislativa. Os autores alegam que o BRB assumiu compromissos bilionários antes do aval da Câmara. Dessa forma, teria ocorrido violação às normas de controle financeiro.

Acusações e pedidos ao MPF

No documento do PSOL, a crítica central é a suposta negligência com o patrimônio público. Logo, o partido afirma que o governador estimulou um negócio de alto risco e que teria tentado desqualificar a decisão técnica do Banco Central. Paralelamente, o deputado Fábio Félix pediu ao MPF o bloqueio de bens de Ibaneis, além de solicitar coleta de provas pela Polícia Federal e acesso a relatórios internos do BRB.


Ibaneis nega conversa com Vorcaro e comenta caso BRB e Master (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNN Brasil)


Outras legendas também acionaram o MPF e o STJ para apuração. Simultaneamente, para a abertura do processo de impeachment, o rito exige várias etapas: o presidente da Câmara precisa aceitar a denúncia e, após, uma comissão especial analisa o caso e elabora parecer técnico.

Assim, se o parecer for favorável, o plenário decide sobre a continuidade. O governador terá prazo para apresentar defesa formal. Por fim, os deputados votam o relatório e precisam de dois terços para aprovar o afastamento. Recentemente, o ministro Dias Toffoli prorrogou as investigações por mais sessenta dias. Segundo o Supremo Tribunal Federal, a medida busca garantir a análise completa dos documentos. A decisão reforça o clima de incerteza política no Distrito Federal.

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