Maioria da população chilena rejeita nova Constituição proposta

Em um plebiscito realizado no Chile neste domingo (17), mais de 55% da população optou por rejeitar a nova Constituição proposta pela Direita do país. Foi a segunda recusa de substituir a Constituição de 1981, feita pelo governo Pinochet durante a ditadura militar. Proposta de mudança de Constituição Com quase 100% de urnas apuradas, a […]

18 dez, 2023

Em um plebiscito realizado no Chile neste domingo (17), mais de 55% da população optou por rejeitar a nova Constituição proposta pela Direita do país. Foi a segunda recusa de substituir a Constituição de 1981, feita pelo governo Pinochet durante a ditadura militar.

Proposta de mudança de Constituição

Com quase 100% de urnas apuradas, a população chilena optou por não aceitar a mudança da atual Magna Carta do país, que remonta aos tempos da ditadura de Augusto Pinochet, que durou de 1973 a  1990. A votação se encerrou às 18h.

Cerca de 15 milhões de chilenos estavam aptos a votar neste fim de semana. Segundo dados oficiais, 55,76% votaram contra o texto e 44,24% votaram a favor. Este plebiscito vem como resultado de um processo iniciado em 2020, após uma forte onda de protestos contra a desigualdade social e a precariedade dos serviços públicos.

O atual presidente do Chile, Gabriel Boric, votou em sua cidade natal de Punta Arenas, quatro horas após a abertura das urnas. Em sua saída do Referendo Constitucional, ele comentou aos jornalistas que seu governo continuará “independente da opção vencedora” a se concentrar “nas prioridades do povo”. No final de novembro, partidos da base governista atual afirmaram que caso houvesse rejeição, não haveria uma terceira tentativa. 


Maioria da população chilena rejeita nova Constituição proposta

Foto: Presidente Gabriel Boric vota na nova Constituição chilena (Reprodução/Facebook/Gabriel Boric)


A Nova Magna Carta

O Conselho responsável por redigir o novo texto de 17 capítulos e 216 artigos era dominado por forças de direita e de acordo com analistas, era mais conservadora do que a da ditadura. O texto colocava como protagonista os direitos de propriedade privada e tinha regras bastante rígidas quanto à imigração e ao aborto. Também colocava  em pauta a defesa à previdência privada e do sistema de saúde privado, mas detalhou muito pouco sobre igualdade de gênero e os direitos dos indígenas.

Uma primeira proposta de substituição da Constituição havia sido feita em setembro do ano passado. Este, com um texto dominado por forças de esquerda e independentes, também foi amplamente rejeitado pela população, pois propunha uma mudança radical e progressista das instituições do país.

A esperança da aprovação da nova Constituição era a de iniciar uma nova era em meio a uma forte desaceleração econômica no Chile.  A fadiga com o processo constitucional, descontentamento e aumento da criminalidade mudou a prioridade de muitos chilenos. 

Apesar da rejeição da proposta, o governo atual tem boas expectativas para o ano que vem. “Este 2024 será um ano de boas notícias, em que o Chile voltará a crescer e vamos decolar como país”, declarou Boric.

Com o novo texto reprovado pela população, a Constituição atual continuará em vigor. A nova rejeição é um novo golpe ao governo de Boric, que atualmente tem um índice de reprovação de 65% da população chilena. 

 

Foto destaque: A poulação chilena rejeita texto da nova Constitução (Reprodução/Cristobal Venegas/Elpais)

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