Fórum Celac-África: Lula cobra reforma e critica postura da ONU diante de guerras

Lula reforça seu descontentamento com a falta de atuação da ONU frente aos conflitos mundiais e aponta reforma no Conselho de Segurança como pauta urgente

22 mar, 2026
Lula da Silva, presidente do Brasil │ Reprodução/X/@boletimbr
Lula da Silva, presidente do Brasil │ Reprodução/X/@boletimbr

Durante o Fórum Celac-África, que ocorreu neste sábado (21), na cidade de Bogotá, na Colômbia, o presidente Lula expressou sua indignação quanto à postura que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem assumido com o cenário de guerra atual e aproveitou o encontro para reforçar a falta de representação adequada da América Latina e África no Conselho.

Discurso de Lula durante Celac-África 

Nesse último sábado (21), no período da manhã, Lula marcou presença no primeiro Fórum de Alto Nível Celac-África, a fim de discutir melhores formas de cooperação entre países da África e da América Latina. O presidente brasileiro foi um dos poucos chefes de Estado que compareceram à cúpula da Celac, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, fundada em 2010 e composta por 33 países. Além de Lula, compareceram ao encontro o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; do Uruguai, Yamandú Orsi; e os primeiros-ministros da Guiana e de São Vicente e Granadinas, um arquipélago no Caribe. Os demais países enviaram seus respectivos representantes.


Representantes durante Celac-África na Colômbia em 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Raul Arboleda)


Na reunião, o presidente Lula direcionou mais uma vez suas críticas à conduta da ONU em períodos de conflitos e guerras, citando com exemplos claros em seu discurso a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio: “O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo a guerra.”, relatou o presidente.

Lula complementou a fala e voltou a cobrar uma reforma no Conselho de Segurança. Tendo em vista que, atualmente, a comissão é formada por cinco representantes permanentes com direito a veto  (China, Reino Unido, França, Estados Unidos e Rússia), não há uma representação direta que expresse os interesses latino-americanos e africanos, mesmo que as duas regiões componham um quarto da população mundial.

Presidente faz crítica direta aos Estados Unidos

Em uma segunda parte de seu discurso no Fórum Celac-África, Lula fez uma crítica direta aos Estados Unidos, referindo-se ao atual conflito com o Irã: “Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro”, repreendeu o presidente brasileiro.

Em seguida, acrescentou um questionamento sobre a lógica de poder no contexto mundial:“Quem tem mais dinheiro, quem tem mais canhão, se acha dono do mundo?”, disse em tom de crítica em relação à escalada da guerra ao redor do mundo.


Presidente Lula durante encontro Celac-África (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Anadolu)


Por fim, Lula reforçou em sua fala a necessidade urgente de mudanças na relação política entre os países, afirmando que a manutenção da paz é a premissa fundamental para o desenvolvimento econômico e social, sobretudo para os países mais pobres.

Devido à sua agenda de eventos e compromissos, além do atraso no início do evento, o presidente Lula precisou retornar ao Brasil e enviou seu representante, Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, para participar da cúpula, que também se estendeu na Colômbia.

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