Cenário do pagode se despede de Binho Percussão aos 55 anos

Após anos de contribuição ao pagode e ao samba, Binho Percussão faleceu nessa última sexta e deixa saudades aos fãs e artistas da cena

19 abr, 2026
Binho Percussão | Reprodução/Instagram/grupopiquenovo
Binho Percussão | Reprodução/Instagram/grupopiquenovo

O mundo do pagode e do samba amanheceu de luto com uma grande perda para o cenário musical. Robson Silva de Oliveira, conhecido como Binho Percussão, integrante do grupo de pagode Pique Novo, morreu na última sexta-feira (17), aos 55 anos. Reconhecido por sua trajetória e contribuição ao gênero, o músico marcou presença em diversos momentos importantes da música brasileira, conquistando o carinho de fãs e colegas ao longo dos anos.

A notícia chega desprevenida para quem acompanhava de perto sua caminhada. Mais do que um músico, Binho era visto como peça fundamental dentro e fora dos palcos, sempre presente, construindo som, história e conexão com quem estava ao redor. Sua partida deixa um vazio difícil de preencher, mas reforça a dimensão do legado que ele construiu ao longo de tantos anos.

Grupo e artistas da cena sentem pela morte do músico

Desde 2025, o artista já estava afastado dos palcos e das atividades com o grupo devido a uma lesão na coluna, que comprometeu sua mobilidade e o fez depender do uso de cadeira de rodas. A causa da morte, no entanto, não foi divulgada. Ainda assim, sua contribuição segue e seguirá como um marco fundamental na construção da identidade sonora do grupo.

O anúncio veio por meio de uma nota de pesar publicada nas redes sociais do Pique Novo. No comunicado, o grupo expressou a dor pela perda e destacou a importância de Binho em sua trajetória: “Hoje é um dia de profunda tristeza para todos nós. É com imensa dor que informamos o falecimento de Robson Silva de Oliveira, nosso querido Binho Percussão. Um grande amigo, irmão de caminhada e alguém que marcou nossa história com toda sua alegria, música e sorriso único.”, afirmaram na nota.

Na nota, também comentaram sobre as lembranças vividas juntos do cantor: “Ficam as lembranças, os momentos vividos e o legado que jamais será esquecido. Sua energia continuará viva em cada sorriso e em cada memória que construímos juntos. Nos solidarizamos com os familiares, amigos, fãs e todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Que Deus conforte o coração de todos neste momento tão difícil. Seguiremos honrando sua memória, sua história e tudo o que construímos juntos. Descanse em paz, Binho.”


Nota de pesar sobre falecimento de Binho Percussão (Foto: reprodução/Instagram/@grupopiquenovo)


A notícia comoveu fãs, artistas e músicos que acompanhavam a trajetória do grupo e a carreira de Binho. Nomes como Vitinho, Dudu Nobre, Thiago (tecladista do Sorriso Maroto), Mauro (do grupo Revelação), Thiago Martins, Mumuzinho e integrantes do Turma do Pagode se manifestaram nas redes sociais, prestando homenagens e destacando a importância do artista diante de uma perda tão significativa.

Sua trajetória e marca no pagode

O percussionista ingressou no grupo em 1995 e, desde então, construiu uma trajetória marcada por crescimento e evolução ao lado dos demais integrantes. Binho também era presença forte no samba carioca, atuando como mestre de bateria da escola de samba de Nilópolis Beija-Flor, que também publicou uma nota de pesar em homenagem ao artista.

Além disso, esteve envolvido na criação de sambas-enredo que marcaram desfiles na Marquês de Sapucaí. Criado em meio ao samba e ao pagode, Robson teve seu primeiro contato com as rodas ainda na infância, levado pelo pai, e costumava associar sua formação musical à influência do Candomblé.

Sua relação com a Beija-Flor começou em 1977, quando passou a desfilar pela escola do bairro onde nasceu e cresceu. Pouco tempo depois, já integrava a banda Neguinho, onde atuou por cerca de 10 anos, e, aos 16, se destacava como mestre de bateria mirim. Também fez parte, por cinco anos, da banda do cantor Bebeto, o Rei do Swing, até dar início à sua trajetória no Pique Novo, grupo formado em 1989 no bairro Ricardo de Albuquerque (RJ), ao lado de Liomar, Renatinho, Nego Binho, Edson Cigano e Cesinha.


Cenário do pagode se despede de Binho Percussão aos 55 anos

Grupo de pagode Pique Novo (Foto: reprodução/Instagram/@ferasdocarnaval)


Figura constante em gravações de shows e discos de diversos nomes da música popular brasileira, como Alcione, Fundo de Quintal e Diogo Nogueira, Binho também participou de registros oficiais CDs e DVDs das escolas de samba do Rio de Janeiro, reforçando ainda mais sua importância no cenário musical. O velório e o sepultamento ocorrem neste sábado (19), no Cemitério São Francisco Xavier, na cidade do Rio de Janeiro.

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