Espécie de cogumelo africano pode ter relação com alucinógeno mais cultivado do mundo
Cientistas da África do Sul e dos EUA acreditam que o Psilocybe cubensis pode ter ancestral de mais de 1,5 milhão de anos, encontrado em esterco de gado
Uma nova espécie de cogumelo, chamada de Psilocybe ochraceocentrata, foi descoberta nas fezes de gados em áreas de pastagem na África do Sul e no Zimbábue, descrita em estudo publicado na revista “Proceedings B of the Royal Society”. Seu descobrimento pode acabar com um antigo debate científico, já que, segundo cientistas da África do Sul e EUA, a espécie pode ter relação com a origem do “cogumelo mágico” mais cultivado do mundo.
O que é o “cogumelo mágico”
De acordo com os pesquisadores, a espécie encontrada compartilha um ancestral comum com o Psilocybe cubensis, famoso pelo uso alucinógeno. Esse tipo é conhecido como “cogumelo mágico”, por ser um fungo que contêm substâncias naturais, principalmente psilocibina e psilocina, capazes de alterar os sentidos, percepções e humor, causando distorções e alterações na consciência.

Cogumelo Psilocybe ochraceocentrata encontrado na África (Foto: reprodução/X/@Xochipelli1953)
A espécie é a mais cultivada no mundo e foi encontrada pela primeira vez em Cuba, em 1906. Desde então, as pesquisas apontavam que o P. cubensis foi introduzido no continente americano vindos do gado Europeu e Africano, trazidos a partir do século XVI.
No Brasil, a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não classifica os cogumelos como organismos proibidos, porém, as duas substâncias presentes no “cogumelo magico” são classificadas como psicotrópicas proibidas, o que torna a venda e cultivo crimes relacionados a drogas na visão da Justiça.
Relação das duas espécies
Com a descoberta do “parente” antigo, uma nova história evolutiva pode ser explorada. Mesmo apresentando diferenças, os dois cogumelos são visualmente parecidos, o que poderia indicar tal relação. O P. ochraceocentrata já vinha sendo cultivado sem ser realmente conhecido cientificamente, sendo analisado por DNA a pouco tempo.
A técnica usada para a pesquisa foi da filogenia, que compara as sequências genéticas a fim de reconstruir a relação evolutiva entre espécies. A análise relatou mudanças ambientais que ocorreram há milhões de anos, o que poderia ter as separado. Na época relatada, herbívoros da região africana estavam se espalhando para outras partes do mundo, incluindo a América, que vinha tendo uma grande expansão das pastagens, o que pode ter potencializado a evolução de outras espécies do mesmo grupo de cogumelos. Mais estudos estão sendo feitos e cientistas acreditam que mais descobertas podem ocorrer no futuro, vista a diversidade de fungos não analisados na África.
