Espécie de cogumelo africano pode ter relação com alucinógeno mais cultivado do mundo

Cientistas da África do Sul e dos EUA acreditam que o Psilocybe cubensis pode ter ancestral de mais de 1,5 milhão de anos, encontrado em esterco de gado

12 mar, 2026
Cogumelos na natureza |
Reprodução/Instagram/@hortobauru
Cogumelos na natureza | Reprodução/Instagram/@hortobauru

Uma nova espécie de cogumelo, chamada de Psilocybe ochraceocentrata, foi descoberta nas fezes de gados em áreas de pastagem na África do Sul e no Zimbábue, descrita em estudo publicado na revista “Proceedings B of the Royal Society”. Seu descobrimento pode acabar com um antigo debate científico, já que, segundo cientistas da África do Sul e EUA, a espécie pode ter relação com a origem do “cogumelo mágico” mais cultivado do mundo.

 O que é o “cogumelo mágico”

De acordo com os pesquisadores, a espécie encontrada compartilha um ancestral comum com o Psilocybe cubensis, famoso pelo uso alucinógeno. Esse tipo é conhecido como “cogumelo mágico”, por ser um fungo que contêm substâncias naturais, principalmente psilocibina e psilocina, capazes de alterar os sentidos, percepções e humor, causando distorções e alterações na consciência.


dois cogumelos brancos com cabeça amrelada crescendo na grama

Cogumelo Psilocybe ochraceocentrata encontrado na África (Foto: reprodução/X/@Xochipelli1953)


A espécie é a mais cultivada no mundo e foi encontrada pela primeira vez em Cuba, em 1906. Desde então, as pesquisas apontavam que o P. cubensis foi introduzido no continente americano vindos do gado Europeu e Africano, trazidos a partir do século XVI.

No Brasil, a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, não classifica os cogumelos como organismos proibidos, porém, as duas substâncias presentes no “cogumelo magico” são classificadas como psicotrópicas proibidas, o que torna a venda e cultivo crimes relacionados a drogas na visão da Justiça.

Relação das duas espécies

Com a descoberta do “parente” antigo, uma nova história evolutiva pode ser explorada. Mesmo apresentando diferenças, os dois cogumelos são visualmente parecidos, o que poderia indicar tal relação. O P. ochraceocentrata já vinha sendo cultivado sem ser realmente conhecido cientificamente, sendo analisado por DNA a pouco tempo.

A técnica usada para a pesquisa foi da filogenia, que compara as sequências genéticas a fim de reconstruir a relação evolutiva entre espécies. A análise relatou mudanças ambientais que ocorreram há milhões de anos, o que poderia ter as separado. Na época relatada, herbívoros da região africana estavam se espalhando para outras partes do mundo, incluindo a América, que vinha tendo uma grande expansão das pastagens, o que pode ter potencializado a evolução de outras espécies do mesmo grupo de cogumelos. Mais estudos estão sendo feitos e cientistas acreditam que mais descobertas podem ocorrer no futuro, vista a diversidade de fungos não analisados na África.

Mais notícias