Conselheiro de Flávio Bolsonaro propõe trocar tarifaço por sanções individuais
Figueiredo quer trocar tarifaço dos EUA por sanções a autoridades, Flávio Bolsonaro participa de audiência e busca solução negociada no USTR nos EUA
Paulo Figueiredo, aliado do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, pretende apresentar ao governo dos Estados Unidos uma alternativa ao tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta é que as tarifas sejam substituídas pela ampliação das sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e outras autoridades do país. Para defender a medida, Figueiredo, assim como Flávio Bolsonaro, se inscreveu para falar na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), marcada para 6 de julho, em Washington. A decisão sobre a adoção das tarifas está prevista para ser anunciada até 15 de julho.
Conselheiro de Flávio defende foco em autoridades, e não em tarifas sobre o Brasil
De acordo com o documento de inscrição ao qual a CNN teve acesso, Paulo Figueiredo pretende usar a audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para defender que Washington abandone a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e adote sanções individuais contra autoridades do país. Em sua argumentação, o empresário sustenta que o tarifaço prejudica empresas exportadoras, consumidores dos dois países e brasileiros que afirma terem sido afetados por decisões atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao governo federal, sem atingir os verdadeiros responsáveis.
Tarifaço dos EUA: Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA e tenta reverter narrativa (Video: reprodução/Youtube/@MetrópolesTV)
Figueiredo também afirma que a manutenção das tarifas acaba fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao alimentar um discurso de defesa da soberania nacional e estimular a aproximação do Brasil com a China e o Brics. Por isso, ele defende que os Estados Unidos priorizem instrumentos como a Lei Magnitsky e restrições de vistos para aplicar sanções diretamente às autoridades citadas e seus familiares, em vez de impor medidas com impacto sobre a economia brasileira.
Figueiredo sugere endurecimento de sanções em vez de tarifas contra o Brasil
Paulo Figueiredo defende que Washington substitua o tarifaço por uma ampliação das sanções já adotadas contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o empresário, os Estados Unidos já recorreram à Lei Magnitsky e a restrições de visto para atingir Moraes, sua esposa e a empresa patrimonial da família, medidas que, em sua avaliação, deveriam ser intensificadas. Ele argumenta ainda que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, às vésperas da eleição presidencial, acabaria fortalecendo politicamente o governo Lula ao reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro também deve participar da audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em 6 de julho, para defender o fim do tarifaço, rejeitar possíveis medidas contra o Pix e buscar uma saída negociada para o impasse. Apesar da iniciativa, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reafirmou em carta enviada ao senador seu apoio à taxação das importações brasileiras. Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que Rubio tenta consolidar Flávio como principal interlocutor brasileiro nas negociações com Washington, leitura compartilhada por diplomatas ouvidos pela CNN, que enxergam a participação do parlamentar na audiência como parte dessa articulação.
Em meio às discussões sobre a política comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil, as declarações de Paulo Figueiredo e a participação de Flávio Bolsonaro na audiência do USTR evidenciam diferentes estratégias para lidar com o chamado tarifaço de 25%. Enquanto Figueiredo defende a substituição das tarifas por sanções individuais a autoridades brasileiras, Flávio busca uma solução negociada e contesta tanto as medidas tarifárias quanto possíveis restrições adicionais. O cenário ainda é marcado pela expectativa de decisão do governo americano e pela disputa narrativa em torno dos impactos políticos e econômicos dessas medidas.
