Conselho de Segurança da ONU adia votação sobre Ormuz

Votação da ONU sobre uso de força no estreito iraniano pode ocorrer no próximo sábado

03 abr, 2026
Conselho de Segurança da ONU | Reprodução/ONU/Paulo Filgueiras
Conselho de Segurança da ONU | Reprodução/ONU/Paulo Filgueiras

Nesta sexta-feira (3), a votação do Conselho de Segurança da ONU sobre uma resolução proposta pelo Bahrein, que permite o uso da força para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, foi adiada devido ao feriado da Sexta-feira Santa. A reunião pode ocorrer no sábado (4). A China, Rússia e França, que possuem poder de voto, são contra a autorização de qualquer uso da força na região.

O estreito de Ormuz se situa no Irã e é um dos principais corredores marítimos para a navegação de petróleo mundial. Em torno de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, vindo de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar, são transportados através do estreito protagonista do conflito iraniano atual.

Sobre a remarcação da votação

Dois diplomatas afirmaram que a reunião dos 15 membros do Conselho de Segurança e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado (4), porém, ainda não há uma confirmação oficial. A remarcação ocorreu devido ao feriado da Sexta-feira Santa. De acordo com agências de notícias internacionais, fontes diplomáticas revelaram que a organização já sabia do feriado quando o cronograma foi montado.

O estreito faz parte dos pontos de tensão da guerra entre dos EUA e de Israel contra o Irã, responsável pela maior parte do canal. O Irã tem atacado navios que passam por Ormuz e implantou minas navais, assim, a crise fez o preço dos barris de petróleo alcançarem novas altas históricas. Na última quinta (2), o preço era de US$109.

 


Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ GIUSEPPE CACACE)


 

De acordo com diplomatas, o atual presidente do Conselho, Bahrein, finalizou um projeto de resolução que autoriza “todos os meios defensivos necessários” como forma de proteção à navegação comercial, medidas essas que podem ser aplicadas por pelo menos seis meses. Em contrapartida, o enviado da China à ONU, Fu Cong, disse que a autorização dessas medidas “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e levaria a “graves consequências”.

Uma versão anterior da resolução teve o “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia, que discordaram e já haviam pedido que trechos mais rígidos fossem retirados. O principal ponto que gera discordâncias, conforme o The New York Times, é um trecho que permite que países usem “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir tentativas de bloqueio do estreito.

Posicionamento do Irã, EUA e França

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, disse que a tentativa do Irã de controlar a navegação é “Ilegal e injustificada” e exige uma “resposta decisiva” já que ameaça interesses globais. Porém, o Irã afirmou que continuará com a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também foi contra o uso da força e criticou a proposta como “irrealista”. Ele fez um alerta para os riscos de ataques e para a presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana na região. Já os EUA afirmaram que vão manter os ataques, apesar de não apresentarem um plano nítido para reabrir o estreito.

O bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, gera impactos na economia global, com altos custos de energia, transporte e seguros. Devido a essas questões políticas, de discordância e da guerra, o preço do petróleo também sobe em grandes níveis. A votação para decidir as medidas que serão tomadas precisa de no mínimo nove votos favoráveis, sem poder receber o veto de nenhum dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China).

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