Conselho de Segurança da ONU adia votação sobre Ormuz
Votação da ONU sobre uso de força no estreito iraniano pode ocorrer no próximo sábado
Nesta sexta-feira (3), a votação do Conselho de Segurança da ONU sobre uma resolução proposta pelo Bahrein, que permite o uso da força para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, foi adiada devido ao feriado da Sexta-feira Santa. A reunião pode ocorrer no sábado (4). A China, Rússia e França, que possuem poder de voto, são contra a autorização de qualquer uso da força na região.
O estreito de Ormuz se situa no Irã e é um dos principais corredores marítimos para a navegação de petróleo mundial. Em torno de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, vindo de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar, são transportados através do estreito protagonista do conflito iraniano atual.
Sobre a remarcação da votação
Dois diplomatas afirmaram que a reunião dos 15 membros do Conselho de Segurança e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado (4), porém, ainda não há uma confirmação oficial. A remarcação ocorreu devido ao feriado da Sexta-feira Santa. De acordo com agências de notícias internacionais, fontes diplomáticas revelaram que a organização já sabia do feriado quando o cronograma foi montado.
O estreito faz parte dos pontos de tensão da guerra entre dos EUA e de Israel contra o Irã, responsável pela maior parte do canal. O Irã tem atacado navios que passam por Ormuz e implantou minas navais, assim, a crise fez o preço dos barris de petróleo alcançarem novas altas históricas. Na última quinta (2), o preço era de US$109.
Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ GIUSEPPE CACACE)
De acordo com diplomatas, o atual presidente do Conselho, Bahrein, finalizou um projeto de resolução que autoriza “todos os meios defensivos necessários” como forma de proteção à navegação comercial, medidas essas que podem ser aplicadas por pelo menos seis meses. Em contrapartida, o enviado da China à ONU, Fu Cong, disse que a autorização dessas medidas “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e levaria a “graves consequências”.
Uma versão anterior da resolução teve o “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia, que discordaram e já haviam pedido que trechos mais rígidos fossem retirados. O principal ponto que gera discordâncias, conforme o The New York Times, é um trecho que permite que países usem “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir tentativas de bloqueio do estreito.
Posicionamento do Irã, EUA e França
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, disse que a tentativa do Irã de controlar a navegação é “Ilegal e injustificada” e exige uma “resposta decisiva” já que ameaça interesses globais. Porém, o Irã afirmou que continuará com a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também foi contra o uso da força e criticou a proposta como “irrealista”. Ele fez um alerta para os riscos de ataques e para a presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana na região. Já os EUA afirmaram que vão manter os ataques, apesar de não apresentarem um plano nítido para reabrir o estreito.
O bloqueio de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, gera impactos na economia global, com altos custos de energia, transporte e seguros. Devido a essas questões políticas, de discordância e da guerra, o preço do petróleo também sobe em grandes níveis. A votação para decidir as medidas que serão tomadas precisa de no mínimo nove votos favoráveis, sem poder receber o veto de nenhum dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China).
