Discurso de Trump sobre Irã agrava relações com China e Rússia
China responsabilizou Estados Unidos e Israel pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pede cessar-fogo;
China e Rússia criticaram, nesta quinta-feira (2), o posicionamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra no Irã, elevando a tensão diplomática em torno do conflito no Oriente Médio. Pequim atribuiu aos EUA e a Israel a responsabilidade pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto Moscou afirmou estar disposta a atuar para uma solução pacífica. As declarações ocorrem após discurso televisionado de Trump, no qual o presidente afirmou que os objetivos militares Norte-americanos estão próximos de serem alcançados e voltou a ameaçar novas ofensivas contra a infraestrutura iraniana.
China responsabiliza ações militares
O governo chinês afirmou que as operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel são a principal causa da interrupção no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que a escalada militar compromete a estabilidade da região e inviabiliza o funcionamento seguro das rotas internacionais. Segundo ela, apenas um cessar-fogo imediato poderá garantir a retomada da normalidade no fluxo marítimo.
Pequim também criticou o posicionamento de Trump, interpretado como uma tentativa de transferir a responsabilidade pela reabertura da via para outros países. No discurso, o presidente afirmou que os Estados Unidos não dependem mais do petróleo transportado pelo estreito e que outras nações deveriam assumir o controle da situação. Além disso, a diplomacia chinesa voltou a reforçar a necessidade de negociações de paz, destacando que o uso de força militar não resolve, de forma estrutural, o conflito.
China asegura que el estrecho de Ormuz está cerrado por «las operaciones militares ilegales de Estados Unidos e Israel» https://t.co/Ty8id9c4Av
— Conclusión (@ConclusionRos) April 2, 2026
China se pronuncia sobre ataque no Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/X/@ConclusionRos)
A Rússia, tradicional aliada do Irã, também reagiu às declarações norte-americanas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o país está pronto para contribuir com iniciativas que levem à resolução do conflito. Segundo ele, Moscou pode atuar para facilitar a transição de um cenário de confronto militar para um processo diplomático, caso seja solicitada. A sinalização ocorre em meio ao agravamento da guerra, que já dura dois meses e tem elevado a preocupação internacional com a segurança energética global.
Sem previsão de trégua
O governo iraniano respondeu ao discurso de Trump afirmando que o conflito continuará até que seus adversários recuem. A declaração reforça o impasse e reduz as perspectivas de um cessar-fogo no curto prazo. Durante seu pronunciamento, Trump reiterou que não busca uma mudança de regime no Irã, mas afirmou que a atual liderança do país seria “menos radical” após as recentes operações militares.
Apesar disso, voltou a ameaçar ataques a alvos estratégicos, incluindo instalações de energia, caso não haja acordo. O presidente também intensificou críticas a países europeus, que têm resistido a enviar forças militares para reabrir o Estreito de Ormuz. Na avaliação desses países, a crise foi desencadeada pelas ações de Washington e Tel Aviv, o que justificaria a não intervenção direta.
Sem consenso entre as potências e com posições cada vez mais rígidas, o conflito no Oriente Médio segue em escalada, ampliando a instabilidade na região e elevando a pressão sobre o cenário internacional. O impasse em torno do Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o escoamento de petróleo, intensifica preocupações com o abastecimento global e a volatilidade dos preços da energia. Ao mesmo tempo, a troca de acusações entre países como Estados Unidos, China e Rússia evidencia o risco de aprofundamento das tensões geopolíticas, enquanto as perspectivas de negociação seguem incertas diante da ausência de avanços concretos por um cessar-fogo.
