Copom reduz Selic para 14,5% ao ano

Comitê de Política Monetária realiza o segundo recuo seguido; já era esperada pelo mercado diante de incertezas econômicas

29 abr, 2026
Copom do Banco Central, decide reduzir a taxa básica de juros | Reprodução/Agência Brasil/Marcello Casal
Copom do Banco Central, decide reduzir a taxa básica de juros | Reprodução/Agência Brasil/Marcello Casal

O Copom do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, de 14,75% para 14,5% ao ano. A última mudança da Selic foi em março, de 15% para 14,75%. Antes, havia subido para 15% em junho de 2025 e ficou assim até 2026. A decisão já era esperada, diante da inflação, economia aquecida e pressões no mercado de trabalho.

Diante das incertezas, o Comitê diz que vai agir com calma e cautela, ajustando os juros conforme novos dados sobre os conflitos no Oriente Médio e seus impactos na inflação.

De junho de 2025 a março de 2026, a Selic ficou em 15%, maior nível em quase 20 anos. Com a inflação em queda, os cortes voltaram, mas a guerra no Oriente Médio, que elevou combustíveis e alimentos, dificulta o cenário.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo IPCA. Em abril, o IPCA-15 subiu 0,89% e chegou a 4,37% em 12 meses, acima de março. A meta de inflação é de 3%, com margem entre 1,5% e 4,5%.


Copom reduz a taxa de juros Selic, de 14,75% para 14,5% ao ano (Vídeo: reprodução/X/@g1)


No modelo de meta contínua, a inflação é avaliada mês a mês, com base nos últimos 12 meses. A comparação com a meta passa a ser contínua, não só no fim do ano. O Copom não indicou os próximos passos dos juros e disse que segue acompanhando a guerra no Oriente Médio e seus impactos. O Banco Central também destacou que a inflação está mais distante da meta e que a incerteza aumentou por causa dos conflitos.

Como as decisões são feitas

O Banco Central define os juros com base na meta de inflação: se estiver dentro da meta, pode cortar; se estiver acima, mantém ou sobe. A meta é 3%, com limite entre 1,5% e 4,5%. As decisões consideram projeções futuras, já que os efeitos da Selic levam de 6 a 18 meses para impactar a economia.
Ao definir os juros, o BC considera projeções de inflação, não os dados recentes. Isso porque a Selic demora de 6 a 18 meses para impactar a economia. Hoje, o foco já está em 2027. Para o próximo ano, o mercado prevê inflação de 4%, acima da meta de 3%.

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