Crise no Oriente Médio gera reflexos na construção civil, setor estratégico para o Brasil

Alta do petróleo encarece insumos e logística, impacta financiamentos imobiliários e reduz previsibilidade de obras e novos projetos no país

28 abr, 2026
Alta no preço do petróleo encarece insumos da construção civil | Reprodução/Guilherme Cunha/Unsplash
Alta no preço do petróleo encarece insumos da construção civil | Reprodução/Guilherme Cunha/Unsplash

A guerra no Irã já reverbera nos canteiros de obras brasileiros. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgados pelo Jornal Nacional nesta segunda-feira (27), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) saltou para 1,04% em abril — quase o triplo do mês anterior. O avanço é impulsionado pela disparada do petróleo que, além de encarecer a gasolina, elevou o custo de importação de insumos em 61%, conforme estimativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Guerra influencia nos preços de matérias-primas

O encarecimento atinge praticamente todos os insumos básicos do canteiro. Segundo levantamento feito pela FGV, a massa de concreto registrou alta superior a 4% em apenas um mês, enquanto tubos de PVC subiram cerca de 5%. Materiais estruturais também acompanharam o movimento: blocos avançaram 1,48%, o cimento teve aumento de 3% e os vergalhões de aço ficaram próximos de 1%.

Ao Jornal Nacional, Alberto Ajzental, professor de economia da FGV, explica: “Você tem alguns dos materiais de construção civil que têm derivados de petróleo na sua formação, na sua constituição, que é o caso dos tubos de plástico, o PVC, que você usa nas instalações hidráulicas. Então se o petróleo sobe, diretamente esse tipo de material já sobe”, diz o professor. O cenário reflete a pressão sobre matérias-primas e energia em meio à guerra, com impacto direto sobre a produção e distribuição desses itens.


Alta do petróleo impacta preços de produtos derivados (Foto: reprodução/Emmanuele Contini/NurPhoto/Getty Images Embed)


Outro fator determinante é o custo dos combustíveis, que encarece o frete e toda a logística de transporte, ampliando o repasse ao consumidor final. Esse conjunto de pressões explica a alta de 1,04% do INCC-M em abril, em relação a março, e uma variação acumulada superior a 6% em 12 meses.

Como funciona o INCC-M

O INCC-M é um indicador da FGV que mede a variação dos custos na construção civil, considerando itens como materiais, mão de obra e despesas relacionadas às obras. Para chegar ao resultado, os preços desses componentes são coletados regularmente e organizados de acordo com o peso que cada um tem no custo total de um projeto. Assim, insumos mais relevantes, como cimento ou aço, exercem maior influência sobre o índice final.

O cálculo envolve a aplicação de uma fórmula que mede a variação percentual desses custos em relação a um período de referência, geralmente mensal. A metodologia utiliza médias ponderadas e índices de preços para refletir com precisão as oscilações do setor. Ao final do processo, os dados são consolidados e divulgados, oferecendo um retrato atualizado da evolução dos custos da construção civil e servindo de base para reajustes, como os de contratos de imóveis na planta.

Como o índice corrige mensalmente o saldo devedor de imóveis na planta, o avanço da inflação na construção civil já pesa no bolso de quem financia e reduz a previsibilidade de novos projetos no setor. Se o cenário de instabilidade internacional persistir, a tendência é de manutenção da pressão sobre os custos, com reflexos diretos no preço final dos imóveis e no ritmo do mercado imobiliário.

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