Cuba entra no radar dos EUA após ataque na Venezuela
Governo brasileiro avalia que aliança histórica entre Havana e Caracas pode colocar Cuba como próximo alvo da política externa e ações militares de Trump
Após recente ação militar americana na Venezuela, no último sábado (03), governo brasileiro passa a avaliar Cuba como o país com maior risco de sofrer uma intervenção dos Estados Unidos em seguida. A nova leitura do Brasil é que o ataque estabeleça um precedente perigoso no continente americano, ampliando a tensão geopolítica da América Latina.
No entendimento de vários diplomatas e analistas brasileiros, o ataque dos EUA contra a Venezuela teria rompido barreiras que impediam a intervenção direta nos países sulamericanos. Com a proximidade estratégica entre Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, presidentes da Venezuela e de Cuba, nas últimas duas décadas, o país passa a se tornar o novo centro das preocupações – especialmente com a confirmação da morte de militares cubanos durante o ataque dos Estados Unidos.
Cooperação histórica entre Cuba e Venezuela
A parceria entre os dois países se inicia logo nos primeiros anos do governo Hugo Chávez na Venezuela, com programas sociais que começam na saúde e na educação e logo se expandem para outros setores em necessidade no Estado Venezuelano. Com o agravamento de crises internas e o abandono de muitos membros das Forças Armadas desde então, Maduro passou a colocar agentes cubanos em posições estratégicas – como na guarda presidencial e na segurança do Palácio de Miraflores, sede da presidência venezuelana.
O Ministério do Interior de Cuba lançou comunicado que afirma o falecimento de 32 cubanos que atuavam em missões oficiais a pedido da Venezuela, durante ação militar americana. O presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que essas vítimas faziam parte das Forças Armadas Revolucionárias ou o Ministério do Interior, e decretou dois dias de luto oficial no país. Apesar disso, o governo não divulgou detalhes sobre quais funções as vítimas exerciam, nem suas identidades.
Sob uma visão internacional, a admissão de agentes cubanos em território venezuelano teria reforçado a narrativa americana sobre a influência de Havana no aparato de segurança do chavismo, o que aumentaria ainda mais a pressão política e diplomática sob a ilha.
Estados Unidos pressiona Cuba
No cenário político atual dos Estados Unidos, diversas figuras representativas do governo Trump intensificam o discurso anti-Cuba ao longo dos anos. O senador Marco Rubio, que é considerado um dos principais defensores da derrubada de Nicolás Maduro, falou abertamente sobre ver o vim do chavismo como um passo para a transição política em Havana.
Após as ações militares na Venezuela, o presidente Lula veio ás suas redes sociais para se pronunciar contra a invasão americana. Além disso, uma nota conjunta foi lançada á imprensa, incluindo países como Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai – para além do Brasil – para expressar preocupação e rechaço sob os ataques unilaterais dos Estados Unidos.
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Posicionamento do Presidente Lula (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Após a captura de Maduro, Trump não se deixou abalar pela reação internacional e deixou claro que a ação na Venezuela também serve como recado para o regime cubano, chegando a chamar Cuba de “nação falida”, e afirmar que os Estados Unidos buscam ajudar o seu povo. O próprio Marco Rubio reforçou o argumento, ao acusar o governo cubano de ter colapsado a economia do seu país por conta da má gestão, além de se opor a qualquer reaproximação diplomática com Caracas.
No entanto, especialistas ponderam que uma intervenção direta em Cuba nas mãos dos americanos enfrentaria maiores obstáculos, ao ser comparado com a Venezuela. O principal destaque é que o regime cubano é mais institucionalizado e tem um apoio popular mais amplo, o que faria da ação militar mais custosa politicamente. Ainda assim, a saída de Maduro enfraquece Havana, pela perda de parceria e do petróleo subsidiado, o que acende um alerta para a política regional.
