Daniel Vorcaro monitorava investigação do Banco Master por meio de bloco de notas

PF divulga que ex-dono de banco usava bloco de notas para monitorar apurações. Textos recuperados citam Gabriel Galípolo, a cúpula da PF e a PGR

18 jun, 2026
Daniel Vorcaro | Reprodução/Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons
Daniel Vorcaro | Reprodução/Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons

Um relatório da Polícia Federal (PF), tornado público na última terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do STF, detalhou como Daniel Vorcaro monitorava apurações sigilosas. Através de perícia no celular do ex-dono do Banco Master, os investigadores recuperaram arquivos deletados do aplicativo de bloco de notas que revelam diálogos sensíveis sobre o caso.

Segundo os documentos, o banqueiro escrevia as mensagens e as apagava minutos depois para dificultar o rastreamento. Para a PF, o material consolidado reforça os indícios de um canal de informações privilegiadas dentro de instituições públicas.

Conteúdo das anotações e nomes citados

Os registros recuperados, datados de outubro de 2025, mostram que Vorcaro monitorava de perto os passos das autoridades. Em uma das notas, ele listou nomes de cinco integrantes da PF que participaram de reuniões sigilosas sobre o Banco Master e de três procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que também estavam ligados ao caso.

Entre as figuras de alto escalão mencionadas nos textos estão: Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (referido nas notas como “G”). Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Pressão e informações privilegiadas

Em uma comunicação de 30 de outubro de 2025, Vorcaro relatou ao seu interlocutor, cuja identidade ainda não foi confirmada pela PF, que possuía informantes dentro do Banco Central. Ele afirmou ter recebido avisos de “amigos” sobre pressões para que medidas fossem tomadas contra ele devido às investigações da PF e do MPF.

No mesmo dia, o banqueiro sugeriu que seria necessário “reforçar” com as chefias (Andrei e Paulo) para evitar que subordinados realizassem o que chamou de “sacanagem” contra seus interesses. Na mesma nota, ele mencionou a saúde financeira da instituição, citando a entrada de R$ 800 milhões e a expectativa de outros R$ 400 milhões.

O mistério do interlocutor de Daniel Vorcaro

Embora a Polícia Federal não aponte formalmente com quem Vorcaro trocava essas informações, veículos como “O Globo” e “O Estado de S. Paulo” mencionaram que o ministro Alexandre de Moraes teria sido um dos interlocutores, alegação que o magistrado nega.


Print de uma das anotações de Vorcaro recuperadas pela PF (Foto: reprodução/X/@SamPancher)


As investigações agora avançam no STF para consolidar as provas e compreender a extensão do fluxo de dados sigilosos entre servidores públicos e o setor privado. O foco permanece em descobrir como Vorcaro obtinha detalhes de reuniões confidenciais e quem seriam os responsáveis pelo repasse dessas informações.

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