Motta admite viagem em jato de Vorcaro e hospedagem paga por empresário
Investigação da PF revela trocas de mensagens sobre a viagem a Portugal e aponta diferenças nos registros da hospedagem em Lisboa
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu a interlocutores ter viajado para Portugal em 2024 a bordo de um jato do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo informações divulgadas pela GloboNews nesta quarta-feira (17). A viagem, revelada em documentos da investigação da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Motta também confirmou que se hospedou em um hotel de luxo em Lisboa com despesas custeadas por Vorcaro e afirmou que, à época, desconhecia suspeitas envolvendo o empresário.
STF derruba sigilo sobre viagem de Hugo Motta
Nesta terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu retirar o sigilo de documentos encaminhados pela Polícia Federal (PF) relacionados ao caso envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relatório faz parte do conjunto de provas reunidas na Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis fraudes financeiras e irregularidades envolvendo a instituição bancária. Atualmente, Vorcaro está preso em Brasília (DF) enquanto as investigações prosseguem.
Hugo Motta admite a interlocutores que viajou em jato de Vorcaro (Vídeo: reprodução/YouTube/@globonews)
Ao comentar o caso, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que Vorcaro teria arcado apenas com duas diárias de sua hospedagem em um hotel de luxo em Lisboa durante a viagem realizada em 2024. Entretanto, as informações levantadas pela Polícia Federal apresentam divergências: segundo o relatório da corporação, o ex-banqueiro teria custeado cinco dias de estadia, enquanto a fatura do hotel indica uma cobrança correspondente a sete diárias.
Detalhes da investigação da PF
O documento da Polícia Federal aponta mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e um auxiliar nas quais o empresário afirma que precisaria reservar dois quartos em Lisboa para “Ciro e Hugo”. De acordo com os investigadores, a referência seria ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao presidente da Câmara, Hugo Motta. A PF afirma que Vorcaro concedia a Ciro um “tratamento privilegiado”, incluindo o custeio de viagens internacionais, hospedagens e refeições em hotéis de alto padrão.
Dias depois das conversas sobre a viagem a Portugal, o auxiliar informou que duas suítes haviam sido reservadas no hotel Four Seasons. Em seguida, pediu a Vorcaro que enviasse “a lista dos homens”, e o ex-banqueiro respondeu com nomes que incluíam os nomes dos dois parlamentares. Segundo o relatório da PF, durante a mesma troca de mensagens, Vorcaro encaminhou um áudio orientando o auxiliar a ter cuidado com a privacidade e a segurança das informações.
Com a divulgação dos documentos que estavam sob sigilo, novos detalhes sobre a relação entre Daniel Vorcaro e autoridades políticas vieram à tona e passaram a alimentar o debate sobre a viagem a Portugal em 2024. Enquanto Hugo Motta sustenta que, à época, não havia qualquer informação pública sobre irregularidades envolvendo o ex-banqueiro, os documentos da Polícia Federal seguem sendo analisados no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
