Defesa de Carla Zambelli tenta acabar com crime de falsificação

A equipe de advocacia da ex-deputada argumentam que a utilização de um documento falsificado não é crime na Itália, buscando evitar sua extradição ao Brasil

13 abr, 2026
Carla Zambelli | Reprodução/Instagram/@carla.zambelli
Carla Zambelli | Reprodução/Instagram/@carla.zambelli

A defesa da ex-deputada Carla Zambelli apresentou à Corte de Cassação da Itália um recurso na tentativa de derrubar a decisão que autorizou sua extardiçao para o Brasil. Segundo a apuração feita pelo analista de segurança pública Elijonas Maia, durante o programa CNN Novo Dia nesta segunda-feria, 13, os advogados estão apontando principalmente no cirme de falsificação ideológica, um dos dois pelos quais ela foi condenada pelo STF (Sistema Tribunal Federal).

Caso Zambelli

A ex-deputada federal, Carla Zambelli, foi presa na Itália em julho do ano passado por conta de sua condenação no Brasil a dez anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica em 2023. Zambelli junto do hacker Walter Delgatti teriam inserido um falso pedido de prisão contra o Ministro Alexandre de Moraes, na época presidente do Tribunal Superior Eleitoral, no sistema do CNJ. Ela saiu do país antes do fim da fase de recursos.

Após isso, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, em um episódio ocorrido em São Paulo, no dia anterior as eleições de 2022, levando a perda do mandato parlamentar. Os advogados da ex-deputada sustentam que “as ações registradas no sistema do Brasil não foram elaboradas por servidores públicos durante o desempenho de suas funções, mas sim eram simples cópias digitais” e, por isso, o acontecimento seria considerado incomum na legislação da Itália.



Matéria do UOL sobre a prisão de Carla Zambelli (Vídeo: Reprodução/Youtube / @uol)


Elijonas recorda que as autoridades italianas já deram o aval para enviar Carla de volta ao Brasil, mas agora a ação depende do governo da Itália. Embora a fase judicial tenha sido finalizada com um veredito a favor da extradição, a escolha de mandar Zambelli de volta ao Brasil está nas mãos do governo italiano, especificamente pelo Ministério da Justiça. Caso o governo italiano opte pela extradição, a Polícia Federal do Brasil precisará ir à Itália para trazer a ex-deputada de volta ao país.

Carreira de Carla Zambelli

Carla Zambelli nasceu em 3 de julho de 1980, na cidade de Ribeirão Preto (SP) e criou, em 2015, o movimento “nas ruas”, o qual ficou conhecido por integrar protestos a favor do Impeachment da, então presidente da república, Dilma Roussef (PT). Nas eleições de 2018, fez parte da base de apoio a Jair Bolsonaro (PL), eleito naquela disputa, e foi eleita para o cargo de deputada federal pelo PSL.


Carla Zambelli (Foto: Reprodução | Getty Images Embed / EVARISTO SA)


Após o episódio em que foi flagrada com porte de arma ilegal, Bolsonaro atribuiu sua derrota nas eleições para o atual presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à ela. O ex-presidente afirmou que a parlamentar “tirou o mandato” de sua chapa nas eleições de 2022.

Aquela imagem da Carla Zambelli, da forma que foi usada, perseguindo o cara lá… Teve gente [que pensou]: ‘olha, o Bolsonaro defende o armamento’. Mesmo quem não votou no Lula, anulou o voto. Ela tirou o mandato da gente“, disse o ex-presidente. Posteriormente, em entrevista à CNN, a ex-deputada contou que a declaração de Jair Bolsonaro a deixou entristecida.

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