Polícia investiga mais de mil horas de imagens e ouve mais de 20 testemunhas para solucionar caso do cão Orelha

Pai de adolescente investigado pelo morte de cachorro Orelha dá depoimento e alega: ‘Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder’

02 fev, 2026
Cartaz cobrando justiça por cachorro Orelha e outros animais vítimas maus-tratos durante manifestação em São Paulo | Foto: reprodução/ND Mais/ Guilherme Correia
Cartaz cobrando justiça por cachorro Orelha e outros animais vítimas maus-tratos durante manifestação em São Paulo | Foto: reprodução/ND Mais/ Guilherme Correia

Um crime de repercussão nacional, o caso do cãozinho Orelha que foi encontrado gravemente ferido e acabou vindo a óbito, no início de janeiro, em Florianópolis, segue sendo investigado e, segundo as apurações, o animal de fato sofreu um caso de agressão. A polícia apura o envolvimento de 4 adolescentes apontados como os principais suspeitos e buscam obter mais informações por meioo das testemunhas e das imagens de câmera de segurança da região.

Na última quinta-feira(29) dois desses adolescentes retornaram dos ao Brasil após uma viagem pré-programada para os Estados Unidos, ainda no aeroporto os jovens foram abordados pela polícia que finalizaram os mandados de busca e apreensão ao apreender os celulares dos garotos.

“Os celulares estão apreendidos, eles estão em posse da Polícia Científica, que está realizando a extração de todas as informações dos quatro aparelhos para ver se é encontrado mais algum elemento de informação”, diz Renan Balbino, delegado de Adolescentes em Conflito com a Lei.


 

Em entrevista ao Fantástico, pai de um dos adolescentes afirma que caso provado, filho será responsabilizado (Vídeo: Reprodução/Youtube/G1 Globo)


Investigação Policial

Durante a investigação, a polícia analisa aproximadamente mil horas de material de câmeras de segurança da região além de já ter entrevistado cerca de 20 possíveis testemunhas, porém, até o momento ainda não foram identificadas pessoas que teriam visto a agressão e nenhuma câmera flagrou o momento da agressão ou algum momento dos agressores com o cão.

Um porteiro de um dos prédios da região deu seu depoimento e disse que desde o começo do verão tinha desentendimentos com os jovens por conta de bagunça, xingamentos, depredação e restrição de horário de entrada e saída do prédio. Em uma dessas discussões, o porteiro teria tirado fotos de dois dos jovens e enviado em uma rede social junto de um áudio dizendo a respeito de jovens criando confusão na região. Quando essa informação chegou aos parentes dos adolescentes,  os pais desses dois adolescentes e o tio de um deles foram até a portaria. Um desses momentos foi registrado pela câmera de segurança de entrada do prédio.

“E nesse momento, uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali, tanto para a vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo. Nós representamos para um mandado de busca e apreensão no endereço desse suspeito e não foi localizada essa arma”, diz a delegada de Proteção Animal Mardjoli Valcareggi.

A polícia instaurou dois inquéritos acerca do caso do cachorro Orelha. O primeiro investiga os maus-tratos e a morte do animal, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), com o apoio do Ministério Público do estado. Já o segundo inquérito diz respeito aos 3 parentes dos adolescentes, que estariam sendo investigados por coação de testemunhas, diante de indícios de que tenham tentado intimidar ou pressionar testemunhas e interferir no curso da investigação.


Foto de cachorro Orelha em preto e branco publicada nas redes sociais
Foto de cachorro Orelha | reprodução/instagram/@porvcorelha

O cachorro Orelha

Orelha foi um cão comunitário, ou seja, recebia cuidados de diversas pessoas da mesma vizinhança. Ele tinha cerca de 10 anos de vida e vivia em um terreno baldio na Praia Brava, um bairro nobre de Florianópolis, em Santa Catarina. Orelha teria sido agredido no dia 4 de janeiro e foi encontrado agonizando por moradores da região. Foi levado ao veterinário, mas, diante dos graves ferimentos, o cachorro precisou passar por eutanásia. Segundo o laudo pericial, o animal foi atingido na cabeça por um objeto contundente.

Em diversos locais do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, manifestantes foram às ruas protestar contra os maus-tratos aos animais e também contra as leis, com frases como: “Chega de impunidade, não importa a idade”.

A idade, a informação e a localização dos jovens apontados como agressores de Orelha não foram divulgadas, pois todos são menores de idade, e o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.

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