Dias Toffoli teria utilizado jato da empresa de Vorcaro para viagens
Segundo apuração do jornal, o ministro fez pelo menos dez viagens para sua cidade natal utilizando a aeronave ano passado; nenhuma das partes se manifestou
A partir de apuração da “Folha de S.Paulo”, foi divulgado que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) e responsável pelo caso do Banco Master durante um período, viajou no meio do ano passado em um jato privado da Prime Aviation, empresa da qual Daniel Vorcaro era sócio. Ao menos 10 viagens foram feitas pela empresa para Marília e arredores, onde Toffoli tinha ações junto ao resort Tayayá, que também já foi investigado por envolvimento com o banqueiro e seus negócios.
Uso da aeronave por Dias Toffoli
De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil, o ministro chegou ao Aeroporto de Brasília minutos antes de um voo da Prime Aviation decolar para Marília, cidade natal de Toffoli que fica em São Paulo. No mesmo dia, o ministro se dirigiu a Ribeirão Claro, Paraná, cidade do resort, do qual ele já foi sócio e frequentador.
As duas viagens foram conectadas a pelo menos mais seis vezes em que as rotas foram utilizadas com horários próximos em aeronaves particulares registradas por empresários. Sendo o jornal, o PR-SAD, avião usado na última viagem, já foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido do STF em outras oportunidades. Essa relação seria mais um dos motivos para Toffoli ter saído do caso que investiga esquema bilionário de fraude, e tem Vorcaro preso desde o início de março.
Empresa Maridt
Outro fator importante para o caso ligando o ministro ao banqueiro seria a empresa Maridt, na qual Toffoli seria um dos quatro sócios da rede, porém, o gabinete do ministro garantiu que ele nunca teve envolvimento com Daniel Vorcaro e que sua participação é administrada por parentes. O mesmo resort que Toffoli foi com o avião particular, seria a conexão dos dois, já que a Maridt fazia parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro até fevereiro de 2025, quando vendeu o restante de sua participação para a PHB Holding.
Relação da empresa Maridt com Toffoli e Vorcaro (Vídeo: reprodução/YouTube/@globonews)
Antes disso, ainda em setembro de 2021, o Fundo Arleen teria comprado parte da participação da empresa, sendo esse fundo controlado pela Reag, que tinha administradores de investimento ligados ao Banco Master. A saída total do grupo foi confirmada ainda quando o ministro era relator do caso no STF, resultando no seu afastamento devido a menções em conversas no celular de Daniel Vorcaro. Mesmo com declarações de não envolvimento direto, a decisão foi tomada como uma solução institucional para preservar a Corte e as investigações, contendo o risco de percepção de conflito de interesses por parte do ministro.
A situação abre ainda mais questões sobre as pessoas que estão envolvidas ou não no esquema que vem sendo trabalhado por Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Toffoli não se pronunciou sobre o uso das aeronaves, enquanto a defesa de Vorcaro declarou que ele foi sócio da Prime You durante quatro anos, até setembro de 2025, e que não está mais na empresa.
