Eleições 2026: quem são e o que defendem os pré-candidatos à Presidência
Cenário inicial reúne ao menos seis nomes, com Lula na liderança, oposição fragmentada e candidaturas que ainda dependem de alianças e aval partidário
Na última segunda-feira (30), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi oficializado como pré-candidato à Presidência nas eleições de 2026, ampliando a lista de nomes na corrida eleitoral. Ao menos seis pré-candidatos já se colocam na disputa, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve tentar a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, um dos principais nomes da oposição.
O registro das candidaturas só poderá ser feito em agosto, junto ao Tribunal Superior Eleitoral, quando começa oficialmente a campanha. Até lá, os nomes ainda dependem do aval de seus partidos.
Lula aposta na continuidade e mira feito inédito
Lula, em seu terceiro mandato, pretende disputar a reeleição pelo PT e busca um quarto mandato — algo inédito no país. Caso confirme a candidatura, será sua sétima participação em eleições presidenciais. Após vencer em 2022, afirmou que não tentaria novo mandato, mas mudou o discurso ao longo do governo. Em outubro do ano passado, declarou que pretende concorrer novamente.
Segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (30), lidera o primeiro turno com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 38%. Em um eventual segundo turno, há empate técnico: 46% para cada.
Sem programa oficial, Lula deve basear a campanha na continuidade de políticas já implementadas, como a retomada do Bolsa Família, aumento real do salário mínimo, recriação do Minha Casa Minha Vida, novo arcabouço fiscal e avanço da reforma tributária. Também estão em pauta a ampliação da isenção do Imposto de Renda, a segunda etapa da reforma tributária, políticas de reindustrialização e investimentos em infraestrutura. A tendência é enfatizar resultados e promessas de redução das desigualdades.
Flávio Bolsonaro é o principal nome da oposição
Oficializado como pré-candidato pelo Partido Liberal (PL), o senador Flávio Bolsonaro já havia anunciado, em dezembro, que contava com o apoio de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão frustrou outros nomes que buscavam esse respaldo, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Entre as principais bandeiras, Flávio Bolsonaro defende a anistia de seu pai, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde.
Flávio Bolsonaro quer retomar teto de gastos (Vídeo: Reprodução/YouTube/@CNNBrasil)
O senador também propõe a revisão das reformas trabalhista, previdenciária e tributária, além de mudanças no financiamento e na remuneração do Sistema Único de Saúde. Outras pautas incluem o fim da reeleição e a privatização de empresas estatais, embora ainda sem detalhamento aprofundado.
Zema deixa governo e apresenta agenda liberal
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou a candidatura no ano passado. Ele entrou na política em 2018, quando venceu Antonio Anastasia no segundo turno. Renunciou ao cargo no último dia 22 para disputar o Planalto.
Segundo a pesquisa Quaest divulgada neste mês, tem entre 2% e 3% de intenções de voto. Defende corte de gastos, redução da máquina pública, revisão previdenciária e ampliação do Simples Nacional, além de flexibilização das regras de trabalho, incluindo a possibilidade de remuneração por hora sem limite de jornada, acompanhada de desoneração integral da folha salarial.
Caiado aposta em segurança e exploração mineral
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (30), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, teve sua pré-candidatura à Presidência oficializada por Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD). Para viabilizar a disputa, Caiado formalizou sua saída do governo estadual nesta terça-feira (31).
Com carreira iniciada nos anos 1990, já foi deputado, senador e governador. Defende anistia aos envolvidos nos Atos de 8 de janeiro de 2023, combate ao crime organizado, reformas sociais e ampliação da exploração de minerais estratégicos. Caiado já disputou a Presidência anteriormente, em 1989, mas obteve menos de 1% dos votos.
Aldo Rebelo defende reindustrialização e soberania
O ex-ministro Aldo Rebelo tem uma trajetória consolidada, com passagens pela Câmara e por governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Também presidiu a União Nacional dos Estudantes durante a redemocratização.
Filiado à Democracia Cristã, aparece com 1% a 2% na Quaest. Em entrevistas à Folha de S. Paulo, o pré-candidato tem defendido a reindustrialização, a ampliação de investimentos em infraestrutura e políticas voltadas à soberania nacional.
Aldo Rebelo lança pré-candidatura à Presidência (Vídeo: reprodução/YouTube/@bandjornalismo)
Nesse contexto, Rebelo busca se apresentar como uma alternativa de perfil desenvolvimentista, com discurso voltado à retomada do crescimento econômico e ao fortalecimento do papel do Estado em setores estratégicos. A aposta é combinar sua experiência política com uma agenda que dialogue com a indústria nacional e com a defesa de maior autonomia econômica do país.
Renan Santos tenta espaço fora dos partidos tradicionais
Fundador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos é pré-candidato pelo partido Missão, criado recentemente. Sem pontuação relevante nas pesquisas, aposta na mobilização digital. Defende pautas como liberalismo econômico, renovação política e combate à corrupção.
Com diferentes perfis e estratégias, os pré-candidatos começam a desenhar o cenário da disputa presidencial de 2026. Nos próximos meses, a definição de alianças, o fortalecimento das candidaturas e a apresentação mais detalhada de propostas devem ser determinantes para consolidar os nomes que, de fato, chegarão competitivos ao período oficial de campanha.
