Bolsonaro recebe alta do hospital e vai para prisão domiciliar

Ex-presidente cumprirá prisão domiciliar com prazo determinado pelo deputado Alexandre de Moraes; Pedro Rousseff pede a revogação do regime domiciliar

27 mar, 2026
Jair Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaro
Jair Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaro

Nesta sexta-feira (27), pela manhã, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta hospitalar e foi para sua casa em Brasília, onde será obrigado a cumprir prisão domiciliar humanitária por um prazo inicial de 90 dias. A flexibilização do regime de prisão como domiciliar foi aprovada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a justificativa de ser em razão do quadro de saúde do ex-presidente.

Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, estava internado desde o dia 13 de março, em um hospital particular em Brasília, após ser diagnosticado com uma broncopneumonia bacteriana vinda de um episódio de broncoaspiração. Antes de ser transferido para o quarto na segunda-feira (23), ele passou dez dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Bolsonaro em prisão domiciliar

Bolsonaro estava hospitalizado no DF Star, na capital federal, e saiu de lá por volta de 10h, em um carro sem identificação e sem escolta policial. Pouco antes, a ex-primeira-dama Michelle também deixou o local, em um veículo próprio. Cerca de vinte minutos depois, o ex-presidente chegou no bairro Jardim Botânico, onde fica localizado o condomínio que reside em Brasília.

 


Bolsonaro chega a sua residência em Brasília (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1globo)


Em regime domiciliar, Bolsonaro terá que seguir diversas restrições, como o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição do uso de smartphones, computadores ou meios de comunicação em geral, inclusive por meio de terceiros. Nesse sentido, postagens, gravação de vídeos ou áudios em redes sociais também estão proibidas.

Sobre o benefício humanitário concedido por Alexandre de Moraes

Na última terça-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes determinou um prazo inicial de 90 dias para a prisão domiciliar de Bolsonaro. Ele aprovou os argumentos da defesa e o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que justificaram a necessidade de um ambiente adequado para a recuperação da saúde do ex-presidente.

“O ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde, uma vez que, conforme literatura médica […] o processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões pode durar entre 45 e 90 dias”, escreveu o ministro.


 

Ministro Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa)


Moraes não deixou de ressaltar que a estrutura do 19º Batalhão da PM onde Bolsonaro cumpre pena, conhecido por “Papudinha”, era “eficiente e eficaz”, destacando que o ex-presidente teve ao seu dispor atendimento e monitoramento médico três vezes ao dia.

O vereador de Belo Horizonte (MG) Pedro Rousseff (PT) solicitou ao Supremo Tribunal, nesta tarde (27), a revogação da prisão domiciliar por acreditar que Bolsonaro a utilizará “como espaço de atuação política”. O pedido ainda precisa ser analisado e o relator é o ministro Alexandre de Moraes. 

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