Número de eleitores com mais de 60 anos chega a 23% e vira foco nas eleições

Estatísticas apontam que o crescimento dessa fatia de eleitores superou com folga o avanço médio registrado no restante dos grupos de votantes

29 jun, 2026
Urna Eletrônica | Reprodução/X/@apyus
Urna Eletrônica | Reprodução/X/@apyus

Depois do ambiente de forte polarização registrado na disputa presidencial de 2022, atrair o apoio dos eleitores indecisos ou das pessoas que mostravam baixa atuação virou um ponto essencial para quem busca aumentar margens de vantagem.

Na disputa anterior, a distância que separou o vencedor do segundo colocado ficou na casa de somente 2 milhões de sufrágios, o que representou o equivalente a 50,88% das escolhas válidas para Lula e 49,12% destinadas a Jair Bolsonaro.

Avanço do público idoso e o impacto no total de eleitores

A parcela da população que registrou a expansão mais expressiva em termos de presença na política foi justamente o grupo de cidadãos que possuem acima de 60 anos de idade.

Levantamentos realizados pela empresa de pesquisas Nexus, utilizando estatísticas oficiais fornecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontam que o total de votantes inseridos nessa faixa etária deu um salto de 74% entre o ano de 2010 e o dia 1º de março de 2026, período no qual o contingente geral de eleitores do país avançou só 15%.


Idosos na sala de votação (Foto: reprodução/X/@afpchecamos)


Esse recorte específico da sociedade agora representa uma soma de 36,5 milhões de cidadãos, o que perfaz perto de 23% de todos os habitantes que residem no território brasileiro.

De acordo com análises do cientista político Marco Antonio Teixeira, que leciona na FGV (Fundação Getulio Vargas), dadas em depoimento à CNN, torna-se obrigatório compreender as distinções que existem quando se planeja a comunicação voltada para os jovens em comparação com a desenhada para a terceira idade.

Os eleitores mais velhos costumam demonstrar uma preferência maior pelos veículos de imprensa tradicionais e também pelas inserções do horário eleitoral gratuito que são veiculadas nas redes de televisão e nas emissoras de rádio.

Comportamento nas redes e a visão democrática da geração

Embora a utilização da internet esteja amplamente disseminada no cotidiano dessa faixa de idade, a bagagem de vida e a bagagem cultural modificam o jeito como as figuras políticas acabam sendo avaliadas e compreendidas pelas pessoas.

O especialista detalha também que existe uma vontade forte de exercer a cidadania por parte desse grupo que atravessou o período da ditadura militar, época em que as escolhas diretas eram proibidas para eles.


Montagem de Lula ao lado de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/X/analise2025)


“Por conta desse fator geracional, de ter vivido uma transição de um regime autoritário para um regime democrático, o voto, nesse sentido, não é apenas um voto obrigatório, mas como um dever de civilidade também”, explicou Marco Teixeira.

Somado a isso, o professor pontua que o público mais idoso exibe uma propensão a avaliar o panorama de forma bem mais abrangente, dando preferência para postulantes que coloquem propostas estruturadas para o futuro.

Mais notícias