Departamento de Estado dos EUA nega acusação de plano contra reeleição de Lula
Governo dos EUA promete respeitar resultado das eleições brasileiras e tenta reduzir desgaste diplomático entre Brasília e Washington
O Departamento de Estado dos Estados Unidos (EUA) negou ter qualquer estratégia para impedir a reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorreu nesta quinta-feira (13), após questionamento sobre avaliações feitas por integrantes do governo brasileiro.
Segundo autoridades americanas, Washington respeitará qualquer governo escolhido pelos brasileiros em eleições livres e justas. Ainda assim, integrantes do Palácio do Planalto mantêm preocupações sobre a atuação do secretário de Estado, Marco Rubio, durante o processo eleitoral.
Tensão entre os governos
Em resposta ao questionamento, uma fonte do Departamento de Estado afirmou que a relação com o Brasil permanece importante e destacou que os Estados Unidos mantêm diálogo institucional com governos de diferentes orientações políticas. A autoridade também afirmou que Washington respeita a escolha democrática do eleitorado brasileiro. Entretanto, evitou mencionar diretamente Marco Rubio durante a manifestação.
Donald Trump e Marco Rubio (Foto: reprodução/Eric Lee/Getty Images Embed)
Apesar da negativa, a referência a eleições livres e justas chamou atenção nos bastidores diplomáticos. Isso porque o governo Trump utilizou expressão semelhante em manifestações sobre disputas eleitorais internacionais. No Brasil, contudo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirma a segurança das urnas eletrônicas e a confiabilidade do sistema eleitoral.
Assim, assessores de Lula continuam avaliando os desdobramentos da crise diplomática entre os dois países. Ainda segundo integrantes do governo, a desconfiança aumentou após a divulgação de um vídeo oficial americano. Na gravação, a administração Trump afirma que o domínio dos Estados Unidos sobre a América jamais voltará a ser questionado.
Crise diplomática entre Brasília e Washington
Brasil e Estados Unidos atravessam um período de forte desgaste diplomático desde as últimas semanas. Entre os episódios recentes estão sucessivos aumentos tarifários sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais. Além disso, o governo americano cancelou o visto da embaixadora brasileira em Washington. Anteriormente, também aplicou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.
EUA defendem Doutrina Monroe (Vídeo: reprodução/YouTube/@Poder360)
Outro episódio envolveu a circulação de uma montagem mostrando Lula algemado e vendado. A imagem reproduzia a prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas autoridades americanas. Logo, especialistas apontam Marco Rubio como uma das figuras centrais da política externa do segundo mandato de Donald Trump. Segundo analistas, o secretário conduz uma estratégia voltada ao fortalecimento da influência americana na América Latina. Rubio também protagonizou trocas de críticas públicas com Lula durante os últimos meses. Consequentemente, o relacionamento entre Brasília e Washington tornou-se ainda mais sensível.
O governo Trump também busca reduzir a influência da Rússia e da China na região. Paralelamente, diversos países latino-americanos passaram a eleger governos alinhados politicamente à administração americana. Nesse contexto, o Brasil ganhou relevância estratégica por manter um governo de esquerda. Assim, autoridades brasileiras acompanham atentamente os próximos movimentos diplomáticos entre os dois países, especialmente durante o período eleitoral.
