EUA oficializam novas tarifas e Brasil monitora efeitos sobre exportações
Brasil acompanha a decisão e teme impactos maiores caso as alíquotas sejam cumulativas; Estados Unidos anunciam tarifas entre 10% e 12,5%
Os Estados Unidos (EUA) surgem nesta quinta-feira (23) com uma nova rodada de tarifas sobre produtos importados. A princípio, a medida substituirá a alíquota global de 10%, válida desde fevereiro e prevista para expirar nesta semana. O anúncio foi feito pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.
Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, as novas tarifas devem variar entre 10% e 12,5% para produtos importados de 86 países, incluindo o Brasil. A justificativa apresentada pelo governo norte-americano envolve suspeitas de uso de trabalho forçado nas cadeias produtivas de alguns países.
Brasil acompanha decisão e descarta expectativas
O governo brasileiro trabalha para minimizar os impactos da medida. Na quarta-feira (22), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que não espera uma lista específica de exceções para produtos brasileiros. Segundo o ministro, a principal preocupação envolve a possibilidade de acumulação das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Caso isso ocorra, a carga sobre determinados produtos brasileiros poderá alcançar 37,5%.
Apesar desse cenário, Rosa afirmou esperar que as diferentes medidas tarifárias não sejam cumulativas e lembrou que, em decisões anteriores, o governo norte-americano evitou somar algumas alíquotas previstas em legislações distintas. Além disso, o ministro explicou que a investigação relacionada ao suposto trabalho forçado prevê exceções globais. No entanto, ele ressaltou que não há expectativa de benefícios exclusivos destinados ao Brasil.
Investigações comerciais ampliam pressão sobre exportações
Na quarta-feira (22), entrou em vigor outro pacote tarifário anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A medida atingiu uma lista de produtos brasileiros após meses de investigação conduzida pelo órgão. O processo ganhou força após o primeiro tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump em julho de 2025.
Senador norte-americano fala sobre tarifas impostas ao Brasil (Vídeo: reprodução/YouTube/@uol)
Desde então, o governo norte-americano ampliou as apurações envolvendo práticas comerciais brasileiras. Em junho deste ano, o USTR propôs uma tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Sobretudo, o mecanismo permite investigar e aplicar sanções contra países considerados responsáveis por práticas comerciais desleais. Mesmo após audiências públicas com manifestações contrárias às medidas, o órgão manteve sua posição.
Segundo o relatório final, políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, patentes, combate à corrupção, etanol, desmatamento ilegal e tarifas preferenciais geram insegurança jurídica para empresas norte-americanas. Agora, o governo brasileiro acompanha o anúncio previsto para esta quinta-feira. A expectativa concentra-se na confirmação das novas alíquotas e na definição sobre eventual sobreposição das tarifas já aplicadas às exportações nacionais.
