Fraude de R$ 708 milhões contra aposentados envolve ex-presidente do INSS, aponta PF
PF conclui primeiro inquérito e aponta que ex-presidente do INSS recebeu propina para omitir fiscalização; defesas não se pronunciaram
A Polícia Federal finalizou uma das investigações sobre os descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas e indiciou o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto. Também foram indiciados o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e outros investigados por suspeita de envolvimento em crimes como corrupção relacionados ao esquema. A defesa de Stefanutto informou que ainda não teve acesso ao relatório da investigação. Até o momento, os demais investigados não se pronunciaram.
PF mira esquema de descontos no INSS
A Polícia Federal apresentou o primeiro relatório final da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de participação em um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Entre os investigados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, ex-dirigentes da autarquia e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
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Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS” (Foto: reprodução/Instagram/@pacocacomcebola)
Segundo a PF, o grupo teria atuado em um esquema que pode ter causado prejuízos estimados em R$ 6 bilhões aos beneficiários. As investigações apontam que Stefanutto teria deixado de fiscalizar entidades envolvidas em troca de pagamentos ilícitos, sendo acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
O relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal concentra-se nas suspeitas envolvendo a Conafer, mas a Polícia Federal informou que outras entidades e investigados ainda serão alvo de novas apurações. O caso não inclui a investigação separada que apura uma possível ligação entre Fábio Luís Lula da Silva e Antônio Camilo Antunes.
PF aponta Conafer como organização criminosa
A Polícia Federal também apontou a Conafer como uma organização criminosa com estrutura hierárquica definida. Com isso, o presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e outros integrantes foram indiciados por suspeita de corrupção e organização criminosa. A defesa dele ainda não se pronunciou.
Segundo a investigação, foram encontradas planilhas que registravam pagamentos de propina, cujas informações coincidem com transferências bancárias identificadas pelos investigadores. A PF afirma que o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, recebeu ao menos R$ 6,5 milhões em propinas, enquanto o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, teria recebido cerca de R$ 3,4 milhões.
O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar as provas reunidas e decidir se apresentará denúncia contra os investigados.
