Negociação sobre tarifas comerciais apresenta resistência por parte dos EUA

Brasileiros pretendem manter as conversas no campo técnico na negociação para evitar que as novas taxas econômicas virem alvo de disputa eleitoral

24 jun, 2026
Donald Trump e Lula │ Reprodução/Instagram/@ricardostuckert
Donald Trump e Lula │ Reprodução/Instagram/@ricardostuckert

Membros da gestão do governo Lula afirmaram recentemente que estão notando uma postura bastante rígida na negociação com o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) para tentar barrar a aplicação de tarifas de 25% contra os produtos do Brasil. O cronograma fixado inicialmente prevê que essas discussões sejam finalizadas de vez até o dia 15 de julho.

Audiência pública nos EUA e o fator político na disputa

Antes de o prazo acabar, no dia 6 de julho, o calendário oficial do USTR já deixa agendada uma audiência pública que vai servir para debater justamente esse embate comercial que envolve o Brasil e os Estados Unidos. A linha traçada pelo governo Lula para conduzir a negociação é focar unicamente nos aspectos técnicos e na área de política comercial, fazendo esforço para não deixar o assunto virar combustível de campanha eleitoral.

O presidente americano Donald Trump fez uma postagem na internet dividindo um texto que aponta o Brasil como um tipo de “grande teste” para a volta da força conservadora na América Latina, dando sequência ao plano que ele mesmo já chamou de “doutrina Monroe” — ou “Donroe”, no termo que usou —, cujo foco é manter a influência dos norte-americanos em território latino.


Presidente Lula (Foto: reprodução/X/pedroroussef)


No passado, a meta principal era retirar a influência da Europa desse espaço, visto por eles como quintal, mas hoje essa preocupação mudou de alvo e se concentra na força da China.

O senador Flávio Bolsonaro vai estar presente nessa audiência na cidade de Washington, tentando participar da negociação, e colocou na sua ficha de cadastro que pretende discursar contra a cobrança de novas taxas sobre itens brasileiros e também contra eventuais sanções ao sistema do Pix.

Por outro lado, a gestão oficial do governo do Brasil preferiu entrar em negociação nesse debate. Na visão de assessores próximos do presidente, essa fase do processo é direcionada para a atuação de empresas privadas e membros da sociedade civil, já que os canais de verdadeira negociação operam direto de governo para governo por meio de vias oficiais, da mesma maneira que vem sendo feito desde o começo dessa instabilidade na economia.

Impasse nos bastidores e declarações do senador

Por trás dos panos, o pessoal do governo repara em um comportamento apático vindo do lado dos Estados Unidos, que seguem repetindo pontos que as autoridades brasileiras já explicaram no passado. Mesmo assim, a determinação para a negociação atual é continuar batendo nas justificativas técnicas até que ocorra uma definição oficial sobre o caso.


Donald Trump (Foto: reprodução/X/@eleicoesempauta)


No próprio papel em que fez a solicitação para discursar na audiência, Flávio Bolsonaro escreveu que, se saísse vitorioso em uma eleição futura, teria ideias muito mais alinhadas com as de Washington do que as decisões tomadas pelo atual governo petista.

Mais notícias