Alta no diesel pode provocar nova greve nacional de caminhoneiros
Conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã refletem no mercado brasileiro e preços altos do combustível seriam o principal motivo da greve
Com o preço do diesel disparando desde o fim de fevereiro, chegando a aproximadamente 19% mais caro que o valor médio, em decorrência da guerra no Oriente Médio estar travando o mercado global de petróleo, caminhoneiros ameaçam uma nova paralisação nacional, que já é apoiada por órgãos do setor, que aguardam um posicionamento do governo federal para conter o aumento dos preços abusivos.
A greve a ser anunciada
A paralisação, assim como foi em 2018, é um risco ao mercado financeiro de todo o país, podendo fazer as taxas de juros futuras subirem, talvez drasticamente. Ainda que a paralisação não tenha data oficial para acontecer, é estimado que tenha uma data definida nos próximos dias. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou apoio ao movimento.
Como tentativa de diminuir os prejuízos, o governo federal já vinha monitorando a possibilidade de greve e, no Planalto, foi anunciado na última quinta-feira (12), que as alíquotas do PIS e Cofins em relação ao diesel seriam zeradas, porém, logo em seguida a Petrobras reajustou o preço do combustível nas refinarias em 11,6%. A Abrava(Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos são alguns dos principais líderes do movimento, apoiados por parlamentares de outros estados como Goiás e Minas Gerais.
Bombas de combustível (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)
Por que os valores subiram?
Desde o início dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, no dia 28 de fevereiro, o mercado internacional de petróleo foi um dos mais afetados pelo fato dos países da região envolvidos na guerra e outros das proximidades serem alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como é o caso do próprio Irã, que é o quarto país que mais produz petróleo da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo), e está envolvido diretamente na guerra.
Outro país da afetado é o caso do Emirados Árabes Unidos, também um grande exportador da região que, apesar de não ter ligações com o conflito, teve parte da sua exportação freada por conta da situação no Estreito de Ormuz, que é a principal rota do petróleo no Oriente Médio, e está sendo disputado entre Irã e Estados Unidos. Segundo o forças iranianas, o estreito seria fechado, porém os EUA ameaçaram novas ondas de retaliação caso a rota fosse bloqueada, porém, mesmo que o local ainda possa ser transitado, é um grande risco aos navios.
