Haddad defende a “taxa das blusinhas” mesmo após revogação de Lula
Haddad falou sobre as motivações para se candidatar ao governo de São Paulo; Escala 6×1 e economia de SP também foram temas da entrevista
Durante entrevista à BBC News (27), o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) declarou que mantém apoio, mesmo após a revogação da medida, na “taxa das blusinhas”, a cobrança de imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito anteriormente, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, “realmente era uma coisa boa”, e que servia para proteger a indústria nacional, deixando claro que havia transmitido a ele essa “convicção”.
Haddad comenta sobre a “taxa das blusinhas”
Haddad, durante entrevista à BBC News Brasil na última quarta-feira (27), disse que “uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual”, e citou um número de que foram preservados 135 mil empregos devido à Confederação Nacional da Indústria sobre a preservação de empregos. Também mencionou a cobrança de ICMS pelos estados sobre essas operações: “Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando.”, disse Haddad.

Fernando Haddad (Foto: Reprodução/Instagram/@fernandohaddadoficial)
Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo, assim, conforme levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%. O candidato a vice na chapa do petista ainda não está definido, mas ele chegou a afirmar que deve ser decidido até o dia 10 ou 15 de junho.
Candidatura de Haddad e escala 6×1 foram temas da entrevista
Durante as entrevistas, diversos tópicos foram questionados. Haddad chegou a afirmar que já possui um nome para uma eventual secretaria, mas que não pode revelar: “Eu diria para você que eu já até tenho nome. Mas não posso dar pista nenhuma ainda. Talvez eu antecipe o lançamento do plano de segurança, porque, como vai ser uma prioridade absoluta, talvez eu antecipe o anúncio dele”, afirmou Haddad.
A redução da jornada 6×1 também foi abordada, onde ele afirmou que é responsabilidade do Congresso estabelecer regras de transição. “A redução da jornada de trabalho é uma demanda histórica, que ganhou tração social agora, e é natural que as pessoas queiram uma regra de transição. E quem tem que estabelecer essa regra de transição é o Congresso Nacional.” Também ressaltou que não há necessidade de um tempo tão longo para a aplicação: “Agora, o que a direita está pedindo? O Tarcísio, o Flávio? Dez anos de transição. Aí é um pouco demais.”
Haddad também comentou sobre a motivação a pré-candidatura no governo de São Paulo, afirmando que inicialmente discutiu sobre qual seria a sua função com Lula, e depois aceitou devido ao cenário atual do estado: “Uma das razões pelas quais eu topei foi que ele começou a me expor o que estava se passando em São Paulo, pelos dados que ele recebia. Efetivamente, nós estamos diante de um governo muito precário, em várias áreas.” Ele ressaltou a precariedade da economia: “O crescimento do Estado é medíocre. No ano passado, São Paulo ficou para trás num patamar inaceitável. A situação das escolas públicas paulistas é muito precária.
Por ser pré-candidato, Haddad está marcando agendas no interior do estado. Além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial. Durante a entrevista, ele ressaltou que o PT possui pessoas com ótima ideias para o governo.
