Caso Master: Mensagens ligam Hugo Motta a emprestimo
Conteúdo apreendido pela PF traz novos elementos sobre a relação do parlamentar com operação financeira ligada à cunhada; presidente nega irregularidades
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, retorna aos centros das investigações envolvendo o Banco Master depois de a Polícia Federal encontrar mensagens em que o parlamentar teria solicitado a liberação de um empréstimo ao banqueiro Daniel Vorcaro para uma empresa ligada à sua cunhada, Bianca Medeiros. Segundo reportagens divulgadas nesta semana, o financiamento teria alcançado um valor próximo de R$ 22 milhões.
Em resposta às divulgações, Motta afirma que a transação ocorreu dentro da legalidade, seguindo os critérios impostos pelo mercado. O presidente da Câmara evitou confirmar de forma direta se atuou em favor da concessão de crédito, mas sustenta que não houve irregularidades no pedido.
Empréstimo está sob investigação
O empréstimo bancário foi concedido em 2024 para a empresária Bianca Medeiros, irmã da esposa de Hugo Motta. Segundo documentos divulgados anteriormente, os recursos foram usados para a compra de um terreno de uma fábrica antiga de cimento localizada em João Pessoa, na Paraíba, área que seria posteriormente destinada a um projeto imobiliário.

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Foto: reprodução/Câmara dos Deputados/Bruno Spada)
O caso já tinha chamado a atenção de órgãos reguladores meses antes. Em março daquele ano, o Ministério Público, em conjunto com o Tribunal de Contas da União, pediu a abertura de uma investigação para verificar se o empréstimo possui relação com recursos públicos ou com linhas de crédito subsidiárias.
As novas mensagens obtidas pela Polícia Federal aumentam a pressão sobre o presidente da Câmara, principalmente em meio às investigações que buscam apurar a atuação do Banco Master e de seu ex-controlador.
Caso amplia desgaste político
As divulgações surgem num momento tenso para Hugo Motta. Nos últimos dias, foram reveladas outras informações sobre a sua relação com Daniel Vorcaro, as quais incluem o pagamento de despesas de uma viagem ao exterior, um fato que passou a ser questionado por opositores políticos.
A nova fase pode impulsionar o debate sobre a criação de uma Comissão Parlamentar para investigar o Banco Master. Mesmo tendo afirmado que eventuais pedidos devem seguir os trâmites regimentais da Câmara, Motta tem sido alvo de cobranças para demonstrar isenção diante de suspeitas que envolvem pessoas próximas a ele.
Enquanto isso, as investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal e de órgãos de controle, que buscam esclarecer a relação entre agentes políticos e o Banco Master, que se tornou alvo de um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos.
