Caso Henry Borel: julgamento é encerrado com condenação de Jairinho e Monique

Decisão encerra um dos processos criminais mais acompanhados do país e reforça o debate sobre a violência contra crianças e adolescentes no Brasil

04 jun, 2026
Jairinho durante o julgamento do caso Henry Borel, que terminou com a condenação dos réus. (foto: reprodução/ Bruno Dantas)
Jairinho durante o julgamento do caso Henry Borel, que terminou com a condenação dos réus. (foto: reprodução/ Bruno Dantas)

Depois de mais de 10 dias de julgamento, o Tribunal de Júri do Rio de Janeiro sentenciou, na madrugada desta quarta-feira (4), o ex-vereador Dr. Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 10 dias de prisão pela morte de Henry Borel, em março de 2021. A mãe do menino, Monique Medeiros, também foi condenada e recebeu uma pena de 22 anos de reclusão.

O caso, que vem repercutindo desde março de 2021, comoveu o país e possui uma longa investigação comandada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. No tribunal, o julgamento reuniu diversos testemunhos, análises periciais e manifestações da defesa e da acusação antes do veredito final.

Julgamento é considerado histórico para o Tribunal do Júri

O julgamento teve início em maio deste ano, durou mais de 1 semana e se tornou o mais longo da história do Estado do Rio de Janeiro. Durante as sessões, testemunhas, peritos, familiares e os acusados prestaram esclarecimentos.

A acusação apresentou provas reunidas que atribuem a Jairinho  a prática de agressões contra Henry Borel e que Monique teve participação no caso por se omitir e não impedir os episódios de violência. A defesa dos réus, por sua vez, contestou as acusações e pediu absolvição dos acusados.

Depois de muita discussão e análise das provas, o júri decidiu pela condenação dos acusados. Após a leitura da sentença, foi encerrado um dos casos mais impactantes e acompanhados pela população brasileira nos últimos anos.

Relembre o caso Henry Borel

Em maio de 2021, Henry Borel morreu aos 4 anos de idade após dar entrada em um hospital na zona oeste do Rio de Janeiro. A causa da morte gerou questionamentos e desconfiança, mas após investigações, foram apontados sinais graves de agressões sofridas pela criança.

O caso repercutiu de forma massiva no país inteiro, provocando debates sobre a proteção e o cuidado de crianças e adolescentes que são vítimas de violência doméstica. O caso serviu também de porta para a criação da Lei Henry Borel, que passou a permitir medidas protetivas, afastamento imediato do agressor e outras diversas formas de proteção a crianças e jovens em situação de perigo.


Monique Medeiros prestando depoimento para o juri (Foto: reprodução/X/@folhape)


Embora não se tenha dados que mostrem quantas jovens foram beneficiadas pela lei, um levantamento feito pelo UOL mostra que ações judiciais por descumprimento de medida protetiva relacionada à lei aumentaram de 429 processos em 2023 para 1.417 em 2025, mostrando que a lei vem sendo aplicada de forma crescente pela Justiça brasileira nos últimos anos, visando à proteção de crianças e adolescentes.

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