Justiça retoma julgamento de Oruam por tentativa de homicídio; cantor segue foragido

Rapper responde por duas tentativas de homicídio contra policiais civis e teve novo mandado expedido em abril por suspeita de lavagem de dinheiro

11 maio, 2026
Oruam ao lado do cantor Poze do Rodo, que também foi preso junto do raaper | Reprodução / Instagram / @oruam
Oruam ao lado do cantor Poze do Rodo, que também foi preso junto do raaper | Reprodução / Instagram / @oruam

A Justiça do Rio de Janeiro agendou para a tarde desta segunda-feira (11) a audiência de instrução e julgamento do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, acusado de tentativa de homicídio contra policiais civis. A sessão estava prevista inicialmente para março, mas foi adiada. Atualmente, o artista encontra-se foragido. O cantor é investigado por duas tentativas de homicídio qualificado em razão de um episódio ocorrido em julho de 2025, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumpriam um mandado de busca e apreensão relacionado a um menor suspeito de tráfico, que estaria na residência de Oruam, no Joá, na Zona Sudoeste do Rio.

De acordo com o Ministério Público, ele e outros envolvidos lançaram pedras contra os agentes, assumindo o risco de ocasionar a morte dos policiais. Além disso, responde por crimes como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. A audiência assinala o início da fase de instrução do processo perante o Tribunal do Júri. Atualmente, Oruam encontra-se foragido da Justiça após ter sido revogado um habeas corpus e restabelecida a prisão preventiva em razão do descumprimento de medidas cautelares, como normas do monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Além desse procedimento, o rapper responde a investigações em outra frente. No fim de abril, seu nome passou a constar na lista de procurados durante uma operação da Polícia Civil voltada à lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho, que dava cumprimento a mandados expedidos pela Justiça. Também foram alvos da DRE a mãe de Oruam, a empresária Márcia Gama, e um de seus irmãos, Lucas Santos Nepomuceno. Márcia havia sido alvo de prisão em março, na Operação Contenção Red Legacy, mas não foi localizada. No começo de abril, a Justiça do Rio concedeu habeas corpus à mãe do cantor, e ela deixou de ser procurada.

Prisões antigas

Esta não foi a primeira vez que a polícia decidiu prender o cantor. O histórico de problemas do rapper com a Justiça é marcado por episódios recentes de grande repercussão. Em fevereiro de 2025, o artista foi preso em flagrante por favorecimento pessoal, acusado de abrigar um foragido em sua casa. Em julho daquele ano, ele foi detido durante uma operação da Polícia Civil no Rio de Janeiro e indiciado por tráfico de drogas, associação ao tráfico e resistência, após um agente ser ferido na ação. Embora a prisão temporária tenha sido mantida a princípio, o STJ ordenou sua libertação em setembro do mesmo ano.


 

Oruam após sair da prisão, em setembro de 2025 (Foto: Reprodução | Getty Images Embed / Bruno Kaiuca)


No momento, a situação jurídica do cantor continua delicada: ele é considerado foragido desde fevereiro de 2026, em razão do descumprimento de medidas cautelares relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica. Além das acusações já mencionadas, Oruam responde a investigações por suposta lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho e por tentativa de homicídio qualificado contra policiais. Esse quadro soma-se a registros anteriores que envolvem direção perigosa e disparos de arma de fogo.

Outros Mcs e influenciadores presos junto de Oruam

A Operação Narcofluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2026, desmantelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que ligava o tráfico internacional de drogas a nomes de destaque da cultura urbana. Entre os principais alvos presos figuram os funkeiros MC Ryan SP, detido em Bertioga, e MC Poze do Rodo, apreendido no Rio de Janeiro. As apurações indicam que a notoriedade e a estrutura desses artistas serviam para conferir aparência de legitimidade a recursos oriundos de atividades ilícitas.


 

 

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Prisão de MC Ryan SP (Vídeo: Reprodução | Instagram/@cnnbrasil)


Além dos representantes do funk, a operação alcançou o mercado de influência digital e do entretenimento. O influenciador Chrys Dias, famoso por sorteios de carros de luxo, e Mateus Magrini foram detidos sob a suspeita de operacionalizar a lavagem dos ativos. De maneira surpreendente, a ação também atingiu Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, o que revela que a rede de movimentação financeira alcançava grandes plataformas de engajamento social.

O grupo movimentou recursos que superaram R$ 1,6 bilhão, por meio de operações complexas relacionadas a apostas esportivas (bets) e rifas digitais. Embora alguns dos investigados tenham obtido liminares no STJ que lhes permitiram responder em liberdade, o episódio desencadeou um debate nacional acerca da fiscalização de influenciadores e da origem do patrimônio exibido por figuras proeminentes do cenário musical contemporâneo.

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