Lula viaja ao G7 sob expectativa de encontro com Donald Trump

Governo avalia possível diálogo com americano em meio a disputas comerciais entre Brasil e EUA; tarifas, comércio e inteligência artificial estão na pauta

14 jun, 2026
Donald Trump e Lula da Silva │ Reprodução/Instagram/@ricardostuckert
Donald Trump e Lula da Silva │ Reprodução/Instagram/@ricardostuckert

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, embarca neste domingo (14) para a França para participar da cúpula do G7, marcada para terça-feira (16), em Évian-les-Bains. Embora não exista uma reunião oficial agendada, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro com o presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump. Por isso, o Planalto pretende garantir a presença de Lula desde o início das atividades.

Estratégia mira possível conversa com Trump

A avaliação do governo considera o histórico recente do presidente americano. No ano passado, por exemplo, Trump participou apenas da abertura do encontro realizado no Canadá. Por esse motivo, Lula chegará à França antes do início formal da cúpula. Ainda assim, nenhum dos dois governos apresentou pedido oficial para uma reunião bilateral.

Nos bastidores, contudo, auxiliares consideram que a ausência de solicitação formal não impede uma conversa. Além disso, o possível encontro ocorre em meio a novas divergências comerciais. Dito isso, recentemente os Estados Unidos anunciaram medidas que podem ampliar tarifas sobre produtos brasileiros. Caso entrem em vigor, a carga adicional poderá alcançar 37,5%. Nesse cenário, integrantes do governo avaliam que a sobretaxa de 25% ainda pode ser negociada. Entretanto, outra tarifa de 12,5% é vista como praticamente consolidada.

Agenda inclui líderes de vários países

Além da participação no G7, Lula terá uma série de reuniões bilaterais. Na segunda-feira (15), ele encontrará o presidente francês, Emmanuel Macron. Em seguida, o presidente brasileiro se reunirá com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.


Último encontro entre Lula e Trump ocorreu em maio deste ano (Vídeo: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Na terça-feira (16), a agenda prevê encontro com a premiê japonesa, Sanae Takaichi. Lula também deverá conversar com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi. Além disso, o governo busca reuniões com representantes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.

Comércio e inteligência artificial no centro dos debates

Durante a cúpula, Lula deve defender posições contrárias ao protecionismo comercial e às medidas unilaterais. No entanto, diplomatas afirmam que o presidente evitará confrontos diretos. A estratégia consiste em reforçar a importância de organismos multilaterais para mediar disputas econômicas. Nesse contexto, o governo pretende destacar o papel da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Outro tema relevante será a inteligência artificial. Durante um almoço dedicado ao assunto, Lula deve afirmar que o Brasil está aberto às empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, o presidente defenderá que as plataformas respeitem a legislação brasileira. A discussão ocorre após críticas americanas relacionadas à atuação de autoridades brasileiras sobre empresas do setor. Sendo assim, mesmo sem confirmação de encontro com Trump, a participação de Lula no G7 deve concentrar atenções. Afinal, a cúpula acontece em um momento de crescente tensão comercial e diplomática.

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