Polícia Federal deflagra nova fase de operação contra fraudes do INSS
Ofensiva cumpre 31 mandados de busca e mira ex-dirigentes do INSS suspeitos de cobrar mensalidades associativas de idosos sem autorização
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (27), uma nova etapa das investigações sobre fraudes previdenciárias, batizada de “Operação Sem Desconto”. Esta fase visa desarticular um esquema em âmbito nacional de deduções indevidas em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
Alvos da operação da Polícia Federal e CGU
Sob determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os agentes cumprem 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e sanções administrativas, a exemplo do bloqueio de ativos para assegurar o ressarcimento dos valores.
Operação Sem Desconto: PF investiga fraudes no INSS ➡️ Leia: https:// https://t.co/myu5lJtqU0 pic.twitter.com/jQC9IQZHCX
— Jornal Diário do Estado (@diariodoestado) May 27, 2026
Prédio da Polícia Federal (Foto: Reprodução/X/@diariodoestado)
Os alvos judiciais estão localizados no Distrito Federal, em Pernambuco, em São Paulo e na Paraíba. Conforme a corporação, a ofensiva busca elucidar a ocorrência de infrações penais contra a administração pública, incluindo estelionato previdenciário, ocultação patrimonial e associação criminosa.
Em Pernambuco, a ofensiva se concentra em ex-servidores do INSS sob suspeita de envolvimento no esquema, incluindo os seguintes nomes:
- Gutemberg Tito de Souza (articulador das associações UNIBAP e ABENPREV)
- Zacarias Canuto Sobrinho (articulador na administração das entidades)
- Cleiton dos Santos Medeiros (operador e intermediário financeiro)
- Daniel Gerber (operador financeiro e operacional do grupo)
- Alexandre Caetano (integrante da estrutura operacional e financeira)
- Carlos Henrique da Rocha Gonçalves (intermediário operacional das entidades)
- Américo Monte Júnior (responsável pela gestão das associações)
- Felipe Macedo Gomes (investigado pela atuação e administração das entidades)
- Igor Dias Delecrode (integrante da gestão das associações)
- Anderson Cordeiro de Vasconcelos (responsável pela estrutura das entidades)
- Rogério Soares de Souza (ex-diretor do INSS com ligação à ABAPEN)
- Everaldo Felício de Macedo Junior (ex-gerente executivo do INSS e alvo da operação)
No Distrito Federal, as associações UNIBAP e ABENPREV figuram como os focos das investigações nesta etapa. Já em São Paulo, estão sendo executados nove mandados judiciais, tendo como alvos as entidades Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP.
Como funcionava o esquema de descontos sem consentimento
O caso ganhou repercussão em 23 de abril, após a deflagração da primeira fase dos trabalhos da Polícia Federal. A apuração aponta que o grupo efetuava deduções mensais indevidas nos proventos de aposentados e pensionistas sem qualquer consentimento prévio.
Avança análise de projeto que limita retenção de fundos para pagamento do INSS https://t.co/H4ux7m0vfg pic.twitter.com/arkhfRXY3b
— Senado Federal (@SenadoFederal) May 26, 2026
Prédio do INSS (Foto: Reprodução/X/@senadofederal)
Essas cobranças correspondiam a supostas mensalidades de agremiações de aposentados, das quais as vítimas sequer sabiam que faziam parte. A operação já mirou ex-dirigentes do INSS, empresários e gestores de associações e sindicatos responsáveis por esses descontos ilícitos.
