Papa Leão XIV condena uso da fé para justificar guerras

Pontífice demonstra indignação com o uso da palavra de Deus por políticos norte-americanos em meio à guerra; mais um mês de conflito com possível negociação

29 mar, 2026
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@pontifex
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@pontifex

Adentrando seu segundo mês de pontificado, o Papa Leão XIV declarou neste domingo (29) que as orações feitas por líderes envolvidos em guerras não são acolhidas por Deus e que suas mãos estão “cheias de sangue”. O pontífice voltou a suplicar pelo fim do conflito e manifestou preocupação com os cristãos que se encontram em meio à guerra.

Papa pede pelo fim da guerra

Durante sua aparição na Praça de São Pedro, no Domingo de Ramos, celebração que marca o início da Semana Santa, período que antecede a Páscoa e possui grande importância para os 1,4 bilhão de católicos ao redor do mundo, o Papa condenou o posicionamento dos líderes diante dos conflitos no Irã. Além disso, repreendeu o uso da figura de Jesus como justificativa para qualquer guerra:

“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, comentou o pontífice.

Na sequência, ele ainda acrescentou, citando uma passagem bíblica: “(Jesus) não ouve as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’”, mencionou o Papa Leão XIV.

Ao fim da celebração de domingo, o Papa também se compadeceu dos fiéis no Oriente Médio que vêm sofrendo as consequências do conflito e que podem, inclusive, não conseguir celebrar a Páscoa. Nas últimas semanas, a liderança religiosa tem feito apelos constantes aos envolvidos no combate, pedindo o fim da guerra e a proibição de ataques militares aéreos.


Papa Leão XIV em Domingo de Ramos (Foto: reprodução/Getty Images Embed/REMO CASILLI)


A fala do Papa Leão veio como resposta à postura adotada por algumas autoridades norte-americanas, que recorreram ao vocabulário cristão para justificar o início dos ataques ao Irã em fevereiro. Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, pediu, durante um culto de oração realizado na quarta-feira (25), no Pentágono, por “violência de ação avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia”.

Em resposta à declaração, o Papa citou uma passagem bíblica em que Jesus repreende um de seus seguidores por golpear com uma espada aquele que o prendia: “(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem lutou qualquer guerra”, disse Leão. “Ele revelou o rosto gentil de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de salvar a si mesmo, ele permitiu ser pregado na cruz.”, disse o Papa.

Guerras inicia seu segundo mês

Completando exatamente um mês de guerra, o conflito entre EUA, Israel e Irã inicia abril sem qualquer perspectiva concreta de mudança. Pela primeira vez desde o início dos confrontos, os Houthis, aliados do Irã, se manifestaram e realizaram seu primeiro ataque contra Israel. Já os mais recentes bombardeios conduzidos em conjunto por norte-americanos e israelenses, durante a madrugada, atingiram diversas regiões e resultaram na morte de pelo menos 12 pessoas.

Ainda assim, os próximos encontros diplomáticos agendados podem indicar uma possível mudança no cenário atual. Neste domingo (29) e na segunda-feira (30), ocorrerá uma reunião em Islamabad, com a presença dos ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito, além do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. No sábado (28), Sharif se reuniu com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, a fim de discutir o andamento da guerra e o papel do Paquistão como possível mediador no conflito.

Do lado dos EUA, Steve Witkoff foi designado para representar o país durante o encontro. O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, acredita que a reunião pode abrir caminho para um possível acordo entre os países envolvidos. Por outro lado, a expectativa levantada por Rubio pode não se concretizar, isso porque Washington avalia o envio de mais 10 mil soldados norte-americanos ao Oriente Médio. Além disso, o presidente Donald Trump voltou a levantar dúvidas sobre o compromisso com seus aliados em caso de um eventual ataque iraniano.

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