Regra de transição da PEC 6×1 divide governo e oposição
Legislativo analisa duas propostas que avançaram em abril e ambas garantem a redução da jornada de trabalho sem provocar cortes nos salários
Governo e oposição divergem sobre a proposta do relatório da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do fim da jornada 6×1, o que adiará a apresentação do documento. O principal ponto de discordância é a regra de transição. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), declarou que precisará de mais tempo para montar o texto final e que a intenção é levar a matéria à votação até o dia 25 de maio.
A divergência na PEC 6×1
O executivo federal quer que a redução da jornada comece a valer imediatamente após a aprovação da PEC 6×1, com um período de adaptação de alguns meses, enquanto a oposição deseja que seja gradual, num período de quatro anos para a aplicação da proposta, sendo diminuída uma hora por ano.
Presidente Hugo Motta discute fim da escala 6×1 com relator Leo Prates ➡️ Leia: https:// https://t.co/1BgmfPXIUj pic.twitter.com/SZCR8OuYPo
— Jornal Diário do Estado (@diariodoestado) May 19, 2026
Hugo Motta (Foto: reprodução/X/@diariodoestado)
O adiamento aconteceu após uma reunião entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o relator. Prates agora tem esse impasse nas mãos e tentará buscar um planejamento adaptativo que agrade a ambos os lados, o qual pode prever de dois a três anos para a conclusão da transição.
A argumentação
Há ainda outro ponto a ser analisado na PEC 6×1 que está em aberto. Representantes empresariais têm dito que o impacto econômico será na casa dos 160 bilhões de reais para os empresários, que pedem uma amortização desse custo. Por outro lado, o governo é totalmente contra, argumentando que outros avanços trabalhistas enfrentaram o mesmo “terrorismo” de que as empresas quebrariam, citando a criação da CLT e a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais, que aconteceu em 1988.
Toda minha solidariedade ao meu amigo @RickAzzevedo, vereador do Rio e fundador do @Movimento_VAT.
Rick e seus assessores denunciam terem sido agredidos pela PM do Rio e por bolsonaristas ao irem embora do show da Shakira, onde realizaram uma ação viral pelo FIM da escala 6×1.… pic.twitter.com/WZWQrfIzQU
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) May 3, 2026
Erika Hilton e Rick Azevedo (Foto: reprodução/X/@ErikakHilton)
Existem duas propostas sendo discutidas no momento: uma apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra da deputada Erika Hilton, do ano passado. Ambas propõem a redução da jornada sem diminuição do salário e tiveram a admissibilidade aprovada na Câmara em 22 de abril, o que abriu caminho para o tema avançar no Legislativo.
