Petrobras pode aumentar preço da gasolina nas refinarias

Presidente da estatal afirma que redução de tributos sobre combustíveis abriria espaço para reajustes sem impacto direto nas bombas

28 abr, 2026
Posto Petrobras | Reprodução/Instagram/@caminhoneirosdotrecho
Posto Petrobras | Reprodução/Instagram/@caminhoneirosdotrecho

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (28) que a estatal poderá aumentar o preço da gasolina vendida nas refinarias caso o Congresso Nacional aprove o projeto do governo federal para reduzir tributos sobre combustíveis. Segundo a executiva, a diminuição de impostos como PIS/Cofins abriria espaço para reajustes internos da companhia sem alterar diretamente o valor final pago pelos consumidores nos postos.

Possível reajuste

De acordo com Magda Chambriard, a redução dos tributos federais permitiria que a Petrobras aumentasse sua margem sobre o combustível sem que isso necessariamente impactasse o preço cobrado pelas distribuidoras. Isso acontece porque o valor da gasolina vendido nas refinarias é formado pela soma dos custos operacionais da produção e importação de petróleo, impostos federais e a margem de lucro da estatal.

Na prática, caso o imposto diminua, a Petrobras poderia ampliar sua participação sobre o preço final sem elevar o custo total do combustível na saída das refinarias. A executiva afirmou que a proposta apresentada pelo governo criaria uma margem suficiente para que a empresa pudesse dar uma resposta positiva tanto para investidores públicos quanto privados.


Prédio da sede da Petrobras no centro da cidade do Rio de Janeiro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Buda Mendes)


Apesar disso, Chambriard reforçou que a companhia não pretende repassar ao consumidor brasileiro as pressões atuais do mercado internacional. Segundo ela, a Petrobras segue acompanhando a proposta envolvendo PIS/Cofins e considera que a medida seria suficiente para lidar com o cenário atual sem necessidade de aumentos diretos para os consumidores.

Projeto do governo

O projeto mencionado pela presidente da Petrobras foi anunciado pelo governo federal na última semana. A proposta prevê que receitas extraordinárias obtidas com a alta internacional do petróleo possam ser utilizadas para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins.

Segundo Chambriard, o cenário atual ainda não gera uma pressão imediata para reajustes no preço da gasolina porque o Brasil consegue produzir internamente grande parte do combustível consumido no país. Isso faz com que o mercado brasileiro fique menos vulnerável às oscilações internacionais do petróleo em comparação com outros países mais dependentes de importação.

Ela também destacou que a situação é diferente no caso do diesel, já que o Brasil ainda depende de importações maiores desse combustível. Além disso, no caso da gasolina, o país conta com a presença do etanol, tanto na forma hidratada quanto no anidro utilizado na mistura obrigatória, o que ajuda a complementar a oferta e reduzir impactos mais severos no mercado interno.

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