PF investiga ex-presidente do INSS por suposto uso de pizzaria para esconder propina
Policia Federal investiga Alessandro Stefanutto por suspeita de usar pizzaria para ocultar R$ 900 mil em propina ligada a fraudes no INSS
A Polícia Federal (PF) acusa Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, de ter utilizado uma pizzaria como fachada para disfarçar a origem de R$ 900 mil que, segundo as investigações, teriam sido recebidos como propina em 2024. O valor estaria relacionado ao esquema conhecido como Máfia do INSS, que apura suspeitas de fraudes e desvios envolvendo benefícios previdenciários. Stefanutto, que deixou o comando da instituição, nega envolvimento em qualquer irregularidade e afirma não ter participado de práticas ilícitas.
Operador teria repassado valores a Stefanutto
Segundo a Polícia Federal, os repasses de valores suspeitos ocorreram entre junho e agosto de 2024. De acordo com o relatório de indiciamento divulgado pela corporação, Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado pelos investigadores como o “principal operador financeiro” do esquema, teria realizado transferências para Alessandro Stefanutto com recursos que seriam “provenientes da fraude contra aposentados e pensionistas”. A PF investiga se as movimentações faziam parte de um esquema estruturado para ocultar a origem do dinheiro obtido por meio de descontos considerados indevidos em benefícios do INSS.
Durante depoimento no Congresso Nacional, Santos negou qualquer prática irregular e rejeitou as acusações apresentadas contra ele. Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar as suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, o empresário afirmou que sua relação com a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) era apenas profissional, alegando que prestava serviços para a entidade e que não tinha participação em qualquer esquema de desvio ou cobrança ilegal envolvendo aposentados e pensionistas.
Ex-presidente do INSS usou pizzaria e advogado para lavar dinheiro, diz Polícia Federal (Vídeo: reprodução/YouTube/@uol)
PF rastreia pagamentos a pizzaria de suposto esquema no INSS
Segundo a Polícia Federal, a pizzaria utilizada no suposto esquema estava registrada em Tubarão (SC). As investigações apontam que o estabelecimento recebeu um primeiro repasse de R$ 150 mil em 13 de junho de 2024 e outros dois pagamentos de R$ 250 mil cada, realizados em 10 de julho e 12 de agosto do mesmo ano. Ainda de acordo com a PF, parte dos valores transferidos à empresa teria sido posteriormente repassada para outros integrantes investigados no esquema.
Em depoimento à Polícia Federal, Alessandro Stefanutto negou qualquer envolvimento em irregularidades e afirmou que não participou de fraudes ou recebeu vantagens indevidas relacionadas ao caso. O ex-presidente do INSS também declarou que nunca utilizou a pizzaria para “dissimular o recebimento de valores ilícitos” e rejeitou as acusações apresentadas pelos investigadores. Stefanutto foi indiciado pela PF no inquérito que apura suspeitas de corrupção e desvios envolvendo benefícios de aposentados e pensionistas.
As investigações da Polícia Federal seguem apurando a possível participação de envolvidos em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. O caso, que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, repasses financeiros e pagamentos indevidos, ainda depende da análise das provas reunidas e dos próximos desdobramentos no âmbito judicial. Alessandro Stefanutto e os demais citados negam irregularidades, enquanto a PF continua investigando a origem dos recursos e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
