Polícia Federal analisa negociar acordo em caso de uma nova delação de Vorcaro
Após recusar a primeira proposta do ex-banqueiro na semana passada, investigadores acreditam em analisar uma possível nova oferta apresentada
Segundo o jornal “O Globo”, a Polícia Federal estuda voltar a negociar acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso desde março por esquema bilionário de fraude. Uma semana depois de rejeitar a primeira versão da colaboração, os investigadores enviaram um ofício ao ministro do Supremo Tribunal Federal e relator André Mendonça, afirmando que em caso de uma nova proposta, esta será discutida.
Continuação da negociação
Pela legislação, não há prazo previsto para esse tipo de negociação. O investigado tem o direito de apresentar uma proposta de colaboração, cabendo à polícia avaliá-la. A delação vinha sendo negociada de forma conjunta entre a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta.
Na semana passada, a Polícia Federal recusou o acordo de delação oferecido por Vorcaro, por insuficiência de dados para a relação, fazendo investigadores reclamarem da falta de informações, entendendo que o ex-banqueiro agia em proteção a pessoas próximas. Na ocasião, Vorcaro sinalizou interesse em manter as negociações com a PGR, na tentativa de convencê-la a aceitar a proposta.
Condições e análise
Na tentativa de fazer Vorcaro negociar melhores condições com a polícia, na semana passada, André Mendonça autorizou a saída do detento para uma prisão comum, seguindo as regras ordinárias de funcionamento da superintendência da corporação no Distrito Federal. Limitando o acesso a regalias e a tempo contínuo para falar com advogados, a Polícia Federal sinalizou que a delação foi insuficiente para mantê-lo nas condições diferentes e agora espera uma nova proposta, que poderá ou não ser analisada junto à Procuradoria Geral.
Ministro e relator do caso, André Mendonça (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa)
Apesar da grande repercussão das conversas entre Daniel Vorcaro e os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro, a investigação entende que com mais colaboração e análise, será possível descobrir muito mais pessoas e crimes envolvendo o ex-banqueiro. Com mais de oito celulares apreendidos e apenas a perícia inicial de parte desses telefones, já revelou-se que o esquema vai muito além de um esquema de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
