Poupança registra captação de R$ 2,6 bilhões em maio, aponta Banco Central

Resultado reforça expectativa de retomada gradual da poupança em meio ao ciclo de queda dos juros e à busca por alternativas mais seguras

09 jun, 2026
Poupança registra desempenho positivo após meses de resultados negativos | Reprodução/Daniel Dan/Unsplash
Poupança registra desempenho positivo após meses de resultados negativos | Reprodução/Daniel Dan/Unsplash

A caderneta de poupança registrou entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio, resultado da diferença entre os R$ 368,4 bilhões depositados e os R$ 365,8 bilhões sacados no período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central (BC) e mostram a primeira captação líquida positiva da modalidade em 2026. Com os rendimentos creditados nas contas, que somaram R$ 6,2 bilhões, o saldo total aplicado na poupança ultrapassou R$ 1 trilhão.

Depósitos superam saques em maio

O desempenho de maio interrompe uma sequência de resultados negativos observada nos últimos anos. A poupança vinha registrando mais saques do que depósitos, reflexo de um cenário de juros elevados e da busca dos investidores por aplicações mais rentáveis.

Em 2023, a modalidade acumulou retirada líquida de R$ 87,8 bilhões. Já em 2024, as saídas superaram as entradas em R$ 15,5 bilhões, mantendo a tendência de perda de recursos observada desde o início do ciclo de alta dos juros.


Fachada do Banco Central, em Brasília (Foto: reprodução/Ton Molina/Bloomberg/Getty Images Embed)


Apesar do resultado positivo em maio, o saldo acumulado da poupança em 2026 ainda é negativo. Nos cinco primeiros meses do ano, as retiradas líquidas somam R$ 39,1 bilhões, segundo os dados do Banco Central.

Selic elevada reduz atratividade da poupança

Entre os principais fatores que explicam o volume de saques está o patamar da taxa Selic, referência para os juros da economia brasileira. Quando a taxa básica permanece elevada, investimentos de renda fixa costumam oferecer retornos mais atrativos do que a poupança. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas.

O cenário favoreceu a migração de parte dos recursos para outras modalidades de investimento. Na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, o Banco Central promoveu um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Com a decisão, a Selic passou de 14,75% para 14,5% ao ano, no segundo recuo consecutivo.

Embora o desempenho de maio sinalize uma recuperação da poupança, o resultado ainda não é suficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo de 2026. Com retiradas líquidas de R$ 39,1 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, a modalidade segue pressionada pela concorrência de investimentos mais rentáveis, em um cenário que ainda reflete os efeitos dos juros elevados na economia brasileira.

O resultado, no entanto, é considerado relevante por especialistas por representar uma mudança de tendência após meses de saldo negativo. Como a poupança é o investimento financeiro mais popular do país, seu desempenho costuma servir como indicador do comportamento dos pequenos investidores e das condições econômicas enfrentadas pelas famílias. Caso o ciclo de redução da Selic continue nos próximos meses, a diferença de rentabilidade entre a caderneta e outras aplicações pode diminuir, favorecendo novas entradas de recursos e fortalecendo a recuperação observada em maio.

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