Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Investigação teve início em 2019 com apreensão de bilhetes em presídio; polícia aponta participação de influenciadora na movimentação de recursos
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Deolane é suspeita de utilizar contas bancárias e empresas para movimentar recursos da organização criminosa e transformar o dinheiro em bens de luxo. Ela chegou ao Palácio da Polícia, em São Paulo, por volta das 9h30.
Investigação desde 2019
A apuração teve início em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Os documentos continham referências à estrutura interna do PCC, ordens da facção e menções a ataques contra agentes públicos. Entre os trechos analisados, investigadores identificaram a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado no levantamento de informações sobre servidores públicos.
A partir disso, a polícia instaurou três inquéritos sucessivos. O primeiro investigou os presos que portavam os bilhetes. O segundo buscou identificar a empresa mencionada nos manuscritos: a transportadora Lopes Lemos Transportes, sediada ao lado do presídio de Presidente Venceslau e posteriormente apontada como empresa de fachada usada para lavar dinheiro da facção.
Relação entre Deolane e o PCC (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Durante a Operação Lado a Lado, fase anterior da investigação realizada em 2021, policiais apreenderam o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. No aparelho, investigadores encontraram diálogos, comprovantes de depósitos e movimentações financeiras que ligariam Deolane a Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do PCC.
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além da utilização de pessoas jurídicas para ocultar a origem ilícita dos valores. A polícia afirma que a visibilidade pública de Deolane e suas atividades empresariais eram utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado pelo grupo criminoso.
Alvos da Operação Vérnix
Além de Deolane, a operação também teve como alvo Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como chefe da facção criminosa. Também foram citados familiares dele, entre eles o irmão Alejandro Camacho e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e foram comunicados sobre os novos mandados de prisão preventiva. Paloma foi alvo de prisão no exterior enquanto estava em Madri, na Espanha. Já Leonardo estaria na Bolívia, segundo a investigação. A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, incluindo a residência de Deolane em Alphaville, em Barueri.
Bloqueios milionários e bens de luxo
Com a prisão, a justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que somam mais de R$327 milhões, segundo uma das frentes da investigação. Outro relatório aponta bloqueios que chegam a R$357,5 milhões. Também foram sequestrados veículos de luxo avaliados em mais de R$8 milhões. O número de automóveis bloqueados varia entre 17 e 39 veículos, conforme os diferentes relatórios da operação.
Ver essa foto no Instagram
Apreensão de carros de luxo de Deolane (Vídeo: reprodução/Instagram/@rgottino)
Antes da prisão, Deolane teve o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol porque estava em Roma, na Itália. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20), na véspera da operação. Em 2024, a influenciadora já havia sido presa em outra investigação relacionada a plataformas de apostas online.
A defesa da influenciadora nega irregularidades. Em nota publicada nas redes sociais por sua irmã, a advogada Daniele Bezerra, a investigação foi classificada como uma tentativa de “transformar suposições em verdades” e de promover “perseguição”.
