STJ nega pedido de soltura de Deolane e orienta andamento rápido da investigação
Ministros apontaram risco de fuga e ameaça à ordem pública ao rejeitarem por unanimidade recursos apresentados pela defesa da influenciadora
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (9), manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Ela está presa desde 21 de maio, quando foi presa durante a Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os ministros concluíram que não houve irregularidades na prisão e que permanecem válidos os fundamentos que justificaram a medida, como o risco de fuga e a ameaça à ordem pública. Prevaleceu o voto do relator, ministro Ribeiro Dantas, acompanhado por Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e pela presidente do colegiado, Marluce Caldas.
Prisão domiciliar também foi negada
Além de manter a prisão preventiva, a Quinta Turma do STJ também rejeitou o pedido da defesa para que Deolane Bezerra fosse transferida para o regime domiciliar. Os advogados alegaram que a influenciadora é mãe de uma criança menor de 12 anos e defenderam a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão.
Ao analisar o caso, o relator afirmou que a condição de mãe não garante automaticamente a substituição da prisão preventiva pela domiciliar. Segundo ele, as circunstâncias do processo exigem uma análise mais aprofundada pelas instâncias ordinárias, em razão da gravidade dos fatos investigados.
Deolane e mais seis pessoas foram indiciadas por lavagem de dinheiro e organização criminosa (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)
Durante a sessão, a defesa sustentou que não há risco de fuga e classificou a prisão como desnecessária. Já o subprocurador-geral da República, Augusto Aras, manifestou-se pela manutenção da custódia, argumentando que organizações criminosas frequentemente utilizam pessoas em situações de vulnerabilidade para a prática de crimes. Apesar de negar os pedidos da defesa, Dantas recomendou que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) dê celeridade à tramitação do caso, diante da relevância e da complexidade das acusações investigadas na Operação Vérnix.
Influenciadora já foi alvo de duas operações
A atual prisão de Deolane Bezerra acontece quase dois anos após seu nome ter sido associado a outras investigações conduzidas por autoridades policiais. A influenciadora já havia sido alvo da Operação Integration, que apura possíveis irregularidades envolvendo plataformas de apostas e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Embora os processos tratem de fatos distintos, a reincidência de seu nome em investigações de grande repercussão contribuiu para ampliar a atenção das autoridades sobre suas atividades empresariais e financeiras. Na Operação Vérnix, os investigadores apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo as autoridades, a advogada recebia valores de uma transportadora de fachada criada pelo PCC e promovia a lavagem desses recursos. A defesa da influenciadora nega qualquer participação em crimes e afirma que ela atua dentro da legalidade.
Deolane Bezerra tem 38 anos, é mãe de três filhos e ficou conhecida nacionalmente após a morte de seu então marido, MC Kevin, em 2021. Desde então, consolidou uma carreira como influenciadora digital, empresária e advogada, acumulando milhões de seguidores nas redes sociais. Nos últimos anos, porém, sua trajetória também passou a ser marcada pelo envolvimento em investigações de grande repercussão, que agora culminam na manutenção de sua prisão preventiva pelo STJ enquanto as apurações da Operação Vérnix seguem em andamento.
