EUA passam a classificar PCC e CV como terroristas a partir desta sexta-feira

A decisão passa a valer hoje e visa endurecer os mecanismos de combate ao crime organizado, gerando divergências significativas entre autoridades

05 jun, 2026
Donald Trump I Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump
Donald Trump I Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

A classificação  das facções criminosas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) imposta pelos Estados Unidos entra em vigor a partir dessa Sexta-Feira (5). A medida foi oficializada e publicada no Federal Register, o diário oficial do governo dos Estados Unidos.

Segundo o governo americano, as duas facções são consideradas as mais letais e violentas do Brasil e têm atuação que ultrapassa as fronteiras nacionais. As autoridades americanas também apontam que as facções criminosas  são fortemente ligadas a atividades relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, entre outras diversas práticas ilícitas em diversos países afora.

Na prática, a designação aumenta a capacidade das autoridades norte-americanas de investigar atividades atribuídas aos grupos e tomar medidas duras contra membros integrantes e colaboradores das duas organizações.

Impactos da decisão

Um dos principais efeitos da decisão na parte financeira. A partir de agora, recursos financeiros e bens ligados  às facções podem ser alvo de ações restritivas, que dificultam o movimento de valores ligados ao grupo. Além disso, integrantes e pessoas suspeitas de estarem interligadas ao grupo podem enfrentar restrições migratórias mais duras, como dificuldades para obter novos vistos ou até mesmo entrar nos Estados Unidos, criando um cenário desafiador e de alta pressão para as facções manterem e expandirem as suas operações.


Declaração à imprensa sobre designação do PCC e do CV como grupos terroristas (Foto: reprodução/X/@portalg1)


Apesar do impacto internacional, a decisão dos Estados Unidos não altera a forma como as facções são enquadradas no Brasil. O Comando Vermelho e o PCC seguem reconhecidos e investigados como organizações criminosas, não sendo caracterizados como grupos terroristas previstos na legislação brasileira.

Repercussão no Brasil

A decisão gerou declarações e reações divergentes no Brasil. O governo federal criticou a medida afirmando que ela afeta a soberania do país e interfere em assuntos internos, já a oposição do governo apoiou e elogiou a ação argumentando que as duas facções possuem estruturas e alcances relativos a grupos terroristas.

O governo do Brasil tentou, nos últimos meses, evitar a aprovação da designação por meio de conversas diplomáticas com autoridades norte-americanas. Na avaliação do governo, a decisão abre precedente para uma ação militar dos EUA no país e uma prejudicial cooperação investigativa entre os países. O Planalto ainda reforçou que o enfrentamento e a investigação do Comando Vermelho e do PCC devem continuar sendo tratados das formas já existentes e dentro da legislação do país.

 

Mais notícias