Trump dá ultimato ao Irã e amplia tensão no Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA fixa prazo de 48 horas para reabertura da rota marítima e ameaça novos ataques em meio a escalada militar

04 abr, 2026
Donald Trump | Reprodução/X/@donaldtrump
Donald Trump | Reprodução/X/@donaldtrump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã ao estabelecer um novo prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em publicação feita neste sábado (4), o republicano afirmou que Teerã tem 48 horas para normalizar o tráfego de navios na região, considerada vital para o comércio global de petróleo. Caso contrário, ameaçou intensificar as ações militares norte-americanas.

A declaração ocorre em meio ao agravamento do conflito entre os dois países, que já dura seis semanas. A tensão ganhou novos contornos após forças iranianas derrubarem duas aeronaves militares dos Estados Unidos, em episódios que surpreenderam o comando militar em Washington e colocaram em xeque a alegada superioridade aérea norte-americana na região.

Conflito aéreo eleva risco de escalada

Os confrontos mais recentes tiveram início na sexta-feira (3), quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter abatido um caça modelo F-15E Strike Eagle que sobrevoava o território iraniano. A informação foi confirmada posteriormente por Trump, que relatou que dois tripulantes estavam a bordo e conseguiram se ejetar antes da queda. Um deles foi resgatado rapidamente, enquanto o outro permaneceu desaparecido por horas.

Mais tarde, o Irã também afirmou ter derrubado uma aeronave A-10 Thunderbolt II nas proximidades do Estreito de Ormuz. O piloto desse segundo avião também foi resgatado, segundo atualização divulgada pelo próprio presidente norte-americano na madrugada de domingo (5).

Durante as operações de busca, helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk foram atingidos por disparos iranianos, embora tenham conseguido deixar o espaço aéreo do país sem registros de queda. Os episódios ampliaram a tensão e expuseram vulnerabilidades em meio à disputa pelo controle da região.


Um homem segura uma bandeira nacional iraniana em um cruzamento na Praça Valiasr (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ATTA KENARE)


Negociações seguem sob pressão

Apesar do tom agressivo, Trump indicou que os recentes confrontos não devem interromper as tentativas de negociação entre Washington e Teerã. O republicano relembrou que já havia concedido anteriormente um prazo maior ao Irã para que abrisse o estreito ou firmasse um acordo, suspendendo temporariamente ordens de ataque a instalações energéticas iranianas.

Do lado iraniano, autoridades já haviam sinalizado que não aceitariam imposições externas e prometeram responder a qualquer ofensiva em seu território. Até a última atualização, o governo de Teerã não havia se manifestado oficialmente sobre o novo ultimato.

O episódio também gerou questionamentos internos nos Estados Unidos, especialmente após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmar que o país havia alcançado controle do espaço aéreo iraniano — declaração que contrasta com os recentes abates.

Com a pressão crescente e o prazo estabelecido, o cenário no Golfo Pérsico permanece instável, enquanto a comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos de uma possível escalada militar de maiores proporções.

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