Senival Moura, vereador de SP, é preso em operação contra o PCC
Alvos da investigação de lavagem de dinheiro são integrantes da facção e presidente da empresa Transunião; outras duas pessoas foram presas
O vereador Senival Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira (25) durante a “Operação Última Parada”, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de transporte público. Além do parlamentar, outras duas pessoas foram presas, e entre os alvos dos cinco mandados de prisão estão integrantes da facção e o presidente da empresa de transporte coletivo Transunião.
Alvos da operação
Segundo apuração da CNN Brasil, os alvos dos mandados de prisão da Operação Última Parada são Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, ambos réus pelo assassinato do ex-presidente da Transunião, além do vereador Senival Moura (PT), de Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do esquema, e de Lourival de França Monario, atual presidente da empresa. Até o momento, Jair Ramos de Freitas, Devanil de Souza Nascimento e o vereador foram presos.
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020, e reuniu elementos que indicam o uso da concessionária para lavagem de dinheiro do PCC. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão o bloqueio e sequestro de R$194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
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Prefeitura de São Paulo faz intervenção na empresa (Foto: reprodução/ Instagram/ @jovempannews
O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e notificou a Prefeitura de São Paulo para adoção de medidas administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo eventual intervenção administrativa. Segundo Ricardo Nunes, prefeito da cidade, foi oficializada a intervenção da empresa.
Relação com PCC
As apurações indicam a existência de um núcleo paralelo responsável por decisões estratégicas dentro da Transunião, incluindo transferências financeiras para integrantes do PCC. Segundo os investigadores, mudanças societárias também teriam sido conduzidas a partir de interesses do grupo criminoso. Um dos pontos destacados foi o salto no capital social da empresa, que passou de pouco mais de R$100 mil para mais de R$50 milhões, sem origem financeira claramente esclarecida.
Outro elemento identificado foi a conexão entre o circuito econômico investigado na Operação Última Parada e esquemas apurados anteriormente nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi conduzida pela Polícia Federal para investigar tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a organização mafiosa italiana ‘Ndrangheta.
Em 2024, o Gaeco realizou a Operação Fim da Linha e desarticulou duas organizações suspeitas de lavar dinheiro da facção por meio das empresas de ônibus UPBUS e Transwolff. As companhias transportavam cerca de 700 mil passageiros por dia em São Paulo e, segundo as investigações, receberam mais de R$800 milhões em remuneração da Prefeitura em 2023. A Transunião, por sua vez, movimentou mais de R$300 milhões apenas em 2025.
