Virginia gera críticas ao direcionar seguidores para aposta arriscada em partida de Cabo Verde

MPDFT acusa Virginia Fonseca e Blaze de suposta indução a apostas durante a Copa e pede indenização de R$ 120 milhões por danos ao consumidor

10 jul, 2026
Vírginia Fonseca | Reprodução/Instagram/@virginia
Vírginia Fonseca | Reprodução/Instagram/@virginia

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um suposto esquema de captação de apostadores ligado à plataforma Blaze durante a Copa do Mundo. Segundo o órgão, ela teria incentivado seus mais de 56 milhões de seguidores a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, em uma partida considerada de resultado improvável.

MP acusa Blaze e cita Virginia

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirmou que Virginia Fonseca teria utilizado estratégias emocionais para incentivar seguidores a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, em um palpite considerado de “baixa probabilidade e alto retorno potencial”. Segundo o órgão, a influenciadora demonstrou “esperança” no resultado em vídeos publicados nas redes sociais, mas sem informar que o conteúdo poderia ter caráter publicitário. O MP alegou que a abordagem teria aumentado a percepção de chance de sucesso em um cenário considerado improvável.

Na ação, o Ministério Público também apontou que a plataforma de apostas Blaze teria adotado uma estratégia coordenada de divulgação durante a Copa do Mundo, usando influenciadores para estimular apostas impulsivas. A investigação indica que Virginia poderia receber uma comissão de 30% sobre as perdas dos usuários que apostassem a partir de suas recomendações. O órgão sustenta que as práticas analisadas envolvem possível indução ao consumo de apostas por meio de promessas de ganhos fáceis e publicidade considerada irregular.


Virginia sugere apostar em Cabo Verde contra a Argentina em vídeo citado pelo MP (Vídeo: reprodução/Youtube/@Terra)


Na gravação, citada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ela afirmou estar confiante no desempenho do goleiro Vozinha e mostrou uma aposta na seleção africana em parceria com a plataforma Blaze. A partida terminou com vitória da Argentina por 3 a 2, mas o caso passou a ser investigado pelo MP, que aponta possível publicidade disfarçada e uma estratégia de captação de apostadores durante o Mundial.

Entenda os argumentos do Ministério Público no processo

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou que a Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca sejam condenadas, de forma solidária, ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. Segundo a ação, o valor foi calculado a partir de uma estimativa de faturamento anual da plataforma, com aplicação de um percentual de 20% sobre uma receita bruta estimada em R$ 600 milhões. O órgão afirma que a investigação começou após denúncias de consumidores sobre problemas como retenção de valores, bloqueios de contas e dificuldades para realizar saques, além de um relatório que reuniu mais de 42 mil reclamações contra a empresa.

Em relação a Virginia, o MPDFT afirma que a influenciadora teria divulgado conteúdos durante a Copa do Mundo de 2026 incentivando seguidores a apostar na Blaze sem informar claramente o caráter publicitário das publicações, especialmente no jogo entre Cabo Verde e Argentina. A ação aponta que ela teria apresentado a aposta como uma indicação espontânea e cita uma possível remuneração ligada às perdas dos usuários. O Ministério Público também pede a suspensão de campanhas consideradas irregulares e a adoção de medidas para evitar novas práticas que, segundo o órgão, poderiam violar direitos dos consumidores.

Diante das acusações apresentadas, o caso agora segue para análise da Justiça, que deverá avaliar os argumentos do Ministério Público, da plataforma Blaze e da influenciadora Virginia Fonseca. A ação coloca em debate a responsabilidade de empresas de apostas e influenciadores digitais na divulgação desse tipo de serviço, especialmente em relação à transparência das publicidades e à proteção dos consumidores diante do crescimento das apostas esportivas no país.

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