Submarinos nucleares da Rússia escapam de desastre após terremoto

Um forte terremoto na base nuclear da Rússia de magnitude 8,8 atingiu o extremo oriente do país na última semana, colocando em risco uma das principais instalações da frota de submarinos estratégicos. A base de Rybachiy, localizada na Península de Kamchatka, abriga embarcações com capacidade para lançar mísseis balísticos intercontinentais e, por isso, pode ter sofrido danos estruturais.

A informação foi publicada pelo The New York Times, com base em imagens de satélite analisadas pela empresa Planet Labs. As fotos revelam que parte de um píer flutuante se desprendeu da estrutura principal. Além disso, o local abriga parte essencial da força nuclear russa no Pacífico.

Impacto do terremoto na base nuclear da Rússia atinge frota estratégica

Embora não tenha havido vítimas, o tremor, cujo epicentro ocorreu a menos de 130 km da base, gerou preocupação sobre a integridade das instalações. Especialistas alertam que a proximidade com a Baía de Avacha, onde operam submarinos das classes Borei, Yasen-M e Belgorod, evidencia a vulnerabilidade das estruturas militares em regiões sísmicas.

No entanto, o grupo Conflict Intelligence Team informou que os danos foram limitados e que não há indícios de impacto na prontidão da frota. Ainda assim, ao menos cinco submarinos estavam atracados no momento do tremor. Até o momento, a Rússia não se pronunciou oficialmente sobre o incidente, e a imprensa local manteve silêncio.

Submarinos de ataque e torpedos Poseidon

Entre as embarcações operadas na base estão os submarinos estratégicos Borei e Borei-A, que compõem o braço mais temido da tríade nuclear russa. Eles transportam mísseis com ogivas capazes de alcançar alvos em qualquer continente. Também há relatos da presença de submarinos da classe Yasen, considerados uma das ameaças submersas mais avançadas em operação.

Outro ponto de atenção foi a possível presença do Belgorod, o maior submarino do mundo, projetado para missões secretas e transporte do torpedo nuclear Poseidon. Caso estivesse atracado durante o abalo sísmico, qualquer avaria poderia ter representado um risco de proporções globais.


Erupção do vulcão Krasheninnikov na Península de Kamchatka, Rússia, após terremoto de magnitude 8,8 (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Risco geológico reacende debate estratégico

O episódio reforça críticas à estratégia de centralizar o arsenal nuclear em áreas remotas, porém instáveis. Kamchatka, apesar de isolada e protegida por enseadas, é uma das regiões com maior atividade sísmica do planeta. Analistas ouvidos por veículos internacionais afirmam que desastres naturais representam um risco tão imprevisível quanto ameaças militares.

Além disso, o portal The War Zone alerta que variações no nível do mar podem comprometer amarras, causar inundações e até afetar sistemas sensíveis em manutenção. A recente erupção vulcânica e o terremoto na base nuclear da Rússia colocam em xeque a viabilidade de manter ativos estratégicos em regiões de alto risco geológico.

Irã cobra ação da ONU após ataques à instalação nuclear

Em carta aberta direcionada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), Mohammad Eslami, informou ontem, quinta-feira (19), que tomará medidas legais contra a agência. A ação, segundo informou, deve-se à inação do órgão em fiscalizar os ataques realizados por Israel às instalações nucleares iranianas nas regiões de Arak e Khondab.

Críticas à AIEA

Em comunicado, Eslami critica o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, acusando-o de trair o regime de não proliferação nuclear, informando que Grossi precisa “cumprir seus deveres constitucionais, encerrando imediatamente essa inação”. As falas seguem condenando as ações realizadas por Israel, alegando serem “contrárias às regulamentações internacionais”.


Críticas feitas pelo Irã à AIEA (Foto: reprodução/X@EnglishFars)

 O ministro das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, também utilizou suas redes sociais para criticar e acusar Rafael Grossi de traição ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Em suas falas, Baqaei declara que Grossi “transformou a AIEA em uma ferramenta de conveniência para que membros não pertencentes ao TNP” fossem privados de direitos básicos.


Declaração de Esmaeil Baqaei, em relação ao diretor geral da AIEA, Rafael Grossi (Vídeo: reprodução/X/@IRIMFA_SPOXa)

Conforme publicação, autoridades iranianas acusam Grossi de elaborar um relatório tendencioso e instrumentalizado pelos EUA, referente a investigações por parte da AIEA, sobre armamento nuclear desenvolvido pelo Irã ou não. Esmaeil Baqaei alerta que as ações de Grossi tiveram consequências terríveis à população iraniana, exigindo que o diretor da agência seja responsabilizado.

Resposta da AIEA

Em discursos publicados em suas redes sociais, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informa realizar o monitoramento de instalações nucleares iranianas constantemente. Declara, ainda, que técnicos da Agência estão no país para avaliar a situação de perto assim que possível. Grossi declara, inclusive, que viajará ao Irã para avaliar as instalações nucleares e confirmar se estão sendo utilizadas para fins não armamentistas.


Discurso do diretor diretor-geral da AIEA perante o Conselho de Governadores da ONU (Vídeo: reprodução/Instagram/@grossirafaelmariano)


Desde o início da ofensiva de Israel contra o Irã, e ataques mútuos, a AIEA se diz apreensiva com uma possível radiação nuclear afetando o meio ambiente e a população local. Em nota, a Organização das Nações Unidas (ONU) informa que outras instalações nas cidades iranianas de Tesa Karaj e Teerã, atingidas por Israel, já haviam sido monitoradas pelo órgão como parte do Plano de Ação Conjunta Global (Jcpoa). 

O Jcpoa é um acordo firmado em 2015 com o Irã, a fim de retirar as sanções impostas ao país em troca da não proliferação de armas nucleares, que limita a capacidade para enriquecimento de urânio, além do monitoramento por vários órgãos internacionais às suas instalações nucleares.

A preocupação tanto do Conselho de Segurança da ONU quanto da AIEA é a de que haja vazamento radioativo nos locais atingidos pela ofensiva israelense. A vice-comissária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Nada Al-Nashif, solicitou negociações urgentes para acabar com os ataques, evitando uma escalada militar a nível global e danos irreversíveis às pessoas e ao meio ambiente.

Nível de urânio enriquecido no Irã é próximo ao de armas nucleares

A Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA, órgão da ONU, publicou nesta segunda-feira (27), que o Irã tem enriquecido e armazenado urânio nos moldes da fabricação de armas nucleares. A morte do presidente Ebrahim Raisi interrompeu o diálogo entre a agência e o país.

Entenda o enriquecimento do urânio

De acordo com a AIEA, aproximadamente 42 kg de urânio enriquecido a 60% são suficientes para confeccionar uma arma nuclear. Tecnicamente falando, é muito simples alcançar uma pureza de 90%, para o que já está em 60%. O urânio enriquecido a 90% de pureza é usado para fabricar armas mais potentes.

Em fevereiro, o país tinha 122 kg de urânio enriquecido a 60%. Atualmente, já são 142kg. A quantidade do elemento enriquecido a níveis inferiores a 60% é maior. Eram 5.525,5 kg no início do ano, e 6.201,3 na atualidade. Com base no acordo nuclear de 2015, as quantias excedem o limite autorizado.


Negociações sobre o Acordo Nuclear com o Irã, Viena – Áustria (Foto: reprodução/Anadolu Agency/Getty Images embed)


Acordo nuclear de 2015

Durante a gestão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi firmado um acordo entre o governo da República Islâmica e um grupo de potências internacionais, liderado pelos EUA. Esse grupo aceitara encerrar as sanções ligadas ao programa nuclear iraniano. Em contra- partida, o país prosseguiria seu programa para fins comerciais, médicos e industriais. Donald Trump não deu continuidade nesse acordo.

O Irã continua divulgando que o programa nuclear é pacífico, mas impede que inspetores da AIEA o monitore. Rafael Mariano Grossi, presidente da agência, afirmou que, nesse ritmo, o país tem know-how suficiente para fabricar certos tipos de bombas nucleares.

Um outro fator que, também, vem dificultando as inspeções da AIEA é o clima tenso no Oriente Médio, provocado pelo conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Não tem como garantir que as centrífugas não estão sendo usadas para um programa clandestino de enriquecimento. As negociações entre ONU e Irã, por hora, são apenas para aumentar as inspeções do programa atômico.