Declarações patriotas do Presidente Lula repercutem mundialmente após discurso na ONU

Nesta terça-feira (23) a CNN Brasil noticiou a repercussão do discurso do presidente Lula em uma reunião da ONU. Desse modo, Luiz Inácio Lula da Silva, virou assunto quando se dirigiu indiretamente aos acontecimentos globais durante a 80° Assembleia Geral das Nações Unidas. Assim, com um discurso de 15 minutos, o presidente do Brasil conseguiu impressionar nações com sua forte opinião embasada no patriotismo.

Por esse motivo, o petista foi citado em vários veículos midiáticos, como o The Guardian, por exemplo, que atrelaram sua imagem a “uma defesa apaixonada pela democracia de seu país” . Além disso, o regente do Brasil, ganhou destaque ao utilizar a reunião para sair em defesa do multilateralismo, enfatizar a soberania nacional e criticar os conflitos em Gaza e na Ucrânia. Também vale ressaltar, que o presidente Lula reforçou sua desaprovação pela taxação dos EUA aos produtos brasileiros e sanções do país norte-americano aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Falas do presidente Lula dividem opiniões nas Americas

Com isso, o jornal estadunidense The New York Times declarou que o discurso do presidente Lula carregou um tom duro. Ou seja, a fala do chefe de Estado pareceu mirar diretamente em Donald Trump de acordo com o jornal novaiorquino. Sendo assim, o veículo estrangeiro interligou as declarações do petista como uma resposta às falácias anteriores do presidente dos Estados Unidos —que pediu a suspensão do processo criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se compartilha sua opinião em relação a disputa entre Israel e a Palestina (Vídeo: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


No entanto, a renomada gazeta argentina conhecida como Clarin, noticiou que o presidente atual do Brasil fez uma intensa defesa da democracia contra o acúmulo do autoritarismo global. Ademais, o veículo relembrou a fala de Lula em relação a falta de justificativa ao atual genocídio em Gaza. E ainda conforme a matéria do Clarin, o Chefe de Estado reforçou a opinião do Brasil em relação a ofensiva de Israel contra o domínio palestino depois do ataque cometido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

Presidente Lula chama atenção em jornais Europeus

Já a folha espanhola do El País, enfatizou que o veterano na politicagem abordou as questões em seu discurso sem citar países ou nomes. Além disso, reforçaram a pauta do presidente brasileiro que alfinetou “ataques à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais” que “se tornaram a norma”.


Presidente Lula defende democracia brasileira em discurso para ONU (Vídeo: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Para mais, o tradicional The Guardian afirmou que Lula expressou uma intercessão apaixonada pela democracia brasileira. Com isso, o periódico britânico alegou que a condenação recente de Bolsonaro, revelou para o mundo que “aspirantes a autocratas” podem ser detidos. Ademais, o noticiário citou que o discurso teve um tom indireto, porém inconfundível, para remeter as nuances das decisões do governo Trump. Sendo assim, na visão do jornal ficou clara uma alusão a tentativa de interferência no Judiciário Brasileiro que os EUA vem impondo no cenário atual.

Governo Trump pode impedir acesso de autoridades brasileiras à sede da ONU

Em coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca nesta sexta-feira (5), o presidente norte-americano, Donald Trump, revelou que não descarta a possibilidade de restringir os vistos de representantes brasileiros que pretendem participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) deste ano. 

“Estamos muito chateados com o Brasil. Já aplicamos tarifas pesadas porque eles estão fazendo algo muito lamentável”, disse o republicano, que impôs taxas de até 50% aos produtos brasileiros, em vigor desde 1º de agosto. 

Insatisfação com o governo brasileiro

Apesar de afirmar que ama e mantém uma excelente relação com o povo do Brasil, Trump acusou as autoridades brasileiras de terem se voltado radicalmente para a esquerda, o que, segundo ele, prejudica o país. O presidente norte-americano afirmou que o governo dos Estados Unidos vai analisar a situação.


A decisão de restringir vistos de autoridades brasileiras pode elevar tensão diplomática (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Uma decisão política, e não econômica, fez com que Trump elevasse as taxas de produtos importados sobre o Brasil por causa do que ele chama de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação penal que acusa Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do estado democrático de direito e criminosa foi o argumento usado pelo republicano.

Outros governos em risco

Além das autoridades brasileiras, representantes de outros países-membros da ONU também podem ser impedidos de entrar nos Estados Unidos para partiticipar do encontro mundial. 

Cerca de 80 representantes palestinos que participariam da assembleia deste ano tiveram seus vistos negados ou revogados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos no dia 29 de agosto. Dentre estes, está o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; ainda não está evidente se ele poderá ir até Nova Iorque, onde é esperado para discursar na assembleia anual.

A Associated Press teve acesso a um memorando interno do Departamento de Estado americano e informou que as delegações do Irã, Sudão e Zimbábue podem sofrer sanções do governo Trump. Seus representantes podem ser impedidos de viajar para fora do estado, de fazer contatos com outras autoridades norte-americanas ou reuniões bilaterais fora do estado, além de também poderem ter seus vistos negados ou revogados.

Estados Unidos como anfitrião

O “Acordo de Sede da ONU” (1947) estabelece que os Estados Unidos não podem impedir o acesso de representantes estrangeiros à sede das Nações Unidas. No entanto, o governo americano se defende sob a alegação de que pode negar vistos por questões de “segurança, terrorismo e política externa”


Tratado estabelece as condições de operação da sede da ONU em Nova Iorque (Vídeo: reprodução/X/@Boscardin)

A decisão do governo dos Estados Unidos em restringir o acesso de líderes mundiais ao país pode impactar as relações bilaterais entre os países-membros e o papel que os Estados Unidos desempenham como país anfitrião de organismos internacionais. 

A abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU acontecerá no próximo dia 23, na sede da organização em Nova Iorque. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar no evento, devido a uma homenagem ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, por sua atuação no início da organização. Em seguida, os Estados Unidos discursam como país anfitrião.