Beyoncé lidera o Top 10 da Billboard com sucessos de ”Cowboy Carter”

Após o lançamento gigantesco de ”Cowboy Carter”, em 29 de março, o novo disco de Beyoncé chega ao topo das paradas, colocando três músicas de seu álbum no top 10 da Billboard Hot 100.

Sendo o principal lançamento após ”Lemonade” que vendeu 653.000 na semana de estreia em maio de 2016. ”Cowboy Carter” até o momento vendeu equivalente a 407.000 cópias. O oitavo álbum da cantora que também é sucesso nas plataformas de streaming, tendo o título de maior estreia global de 2024, no Spotify e maior estreia da Billboard 200. Titulo que era ocupado por Taylor Swift, com o seu álbum ”1989 (Taylor’s Version)” .

Top 10 da Billboard

Divulgado na tarde desta segunda-feira (08), Beyonce é quem domina o topo das paradas. O single “Texas Hold ‘Em” levou a 2ª posição do ranking, enquanto “II Most Wanted”, parceria de Bey com Miley Cyrus ocupa a 6ª posição e “Jolene”, regravação do hit de Dolly Parton, ocupando a 7ª posição.

Vale lembrar que Bey virou a primeira mulher negra a atingir a liderança no ranking ”Top Country Albums”, desde 1964, quando foi criado.


(Reprodução: Instagram/@papelpop)

Conceito do álbum

A obra trás notoriedade e celebração para a cultura country negra, que muitas vezes enfrenta uma resistência sociocultural que são adeptos de uma visão predominantemente branca e masculina. Conduzindo seu publico para a evolução do country com sons afro-americanos, espiritualidade e ancestralidade, e seguindo em uma visão de futuro. O álbum também integra uma nova apreciação na voz de Beyonce, para a música “Blackbird” dos Beatles, escrita por Paul McCartney.

“Acho que ela faz uma versão magnífica e reforça a mensagem dos direitos civis que me inspirou a escrever a música em primeiro lugar”, disse McCartney no lançamento do álbum.

O disco é uma continuação do ”Reinassence”, no qual a cantora saiu em turnê no ultimo ano com a ”Renaissance World Tour”, arrecadando mais de US$ 592 milhões, sendo a 6ª de maior arrecadação da história.

“Cowboy Carter” está disponível para reprodução na integra, no Spotify.

Pharrell Williams e Beyoncé manifestam a invisibilização dos negros na cultura western

Em janeiro deste ano, Pharrell apresentou a coleção outono- inverno com a Louis Vuitton, trazendo um clima totalmente faroeste e a história dos cowboys negros na história americana. Tempos depois, Beyoncé usou um dos looks apresentados no desfile, para o Grammy 2024.

A cantora lançou o álbum ”Cowboy Carter” na ultima sexta-feira (29), sendo a segunda parte de três atos da sua era “Renaissance” que se iniciou em 2022. O álbum, no entanto, traz diversas referências e questões sociopolíticas, pouco abordadas em sociedade.

Movimentação da indústria para a cultura country

Além de transportar toda a plateia para looks com artesanias como bordados, pinturas a mão, estampas, franjas, babados e peças em alfaiataria, couro e xadrez, Pharrell se concentrou em levar uma critica social até seu publico. Na qual consiste em mostrar a sua ancestralidade e a real aparência dos cowboys americanos e povos nativos.

Diferente da representação na maioria dos filmes norte-americanos, que mostram em uma visão utópica, pele branca, olhos azuis e cabelos loiros. Que por hora, são os homens pretos e fundamentalmente os povos nativos. Em consonância, a passarela foi expressivamente ocupada por modelos não-brancos.


Modelos (Foto: reprodução/Instagram/@voguebrasil)

Beyoncé vem abordando desde seu álbum ”Lemonade”, lançado em 2016, questões raciais, ancestrais e sociais. Em ”Cowboy Carter”, marca uma tomada oficial na música country e a recuperação da identidade country negra. A artista, que esta sentada em um cavalo branco na capa de seu novo disco, segurando a bandeira americana, um chapéu na cabeça e o cabelo platinado.

As especulações entre os fãs sobre o significado da capa são diversos, indo entre questões ativistas até homenagem às estrelas negras do rodeio. No entanto, o álbum não se trata apenas sobre aparência e sim sobre uma narrativa de uma história na qual, não foi contada e preservada, tendo recortes importantes esquecidos.

O racismo na indústria musical

O campo artístico musical representa em sua grande parte, uma possibilidade de inserção profissional para todo um grupo, entretanto, existem barreiras causadas por raça, ficando bem evidente em alguns casos como, a rádio country de OklahomaKYKC, após ter se recusado a tocar as faixas de Beyoncé, alegando que ela não fazia parte do gênero. Semelhante a Chuck Berry na década de 50, considerado um precursor do rock por grande maioria, mas com sua carreira inviabilizada.

Ter agentes culturais como Pharrell Williams e Beyoncé na linha de frente, oferece muito mais do que uma influência ao efêmero dos dias atuais. Mas se colocam como pioneiros na quebra de rupturas sociais na posição de protagonismo que possuem. A amplificação a novos públicos, retomando a importância de gerar conversas pertinentes em grupos distintos.

Beyoncé divulga tracklist do álbum “Cowboy Carter”

Publicada na tarde dessa quarta-feira (27), a tracklist lançada por Beyoncé refere-se ao álbum “Cowboy Carter”, que será lançado no dia 29, próxima sexta-feira. O disco é um projeto que faz parte de uma trilogia, sucedendo o Act I, “Renaissance”.  Duas faixas foram lançadas em fevereiro, “Texas Hold Em” e “16 Carriages”.  “Texas Hold Em” consagrou a cantora na Billiboard nos Estados Unidos, como a primeira mulher negra que liderou a parada Hot Country Songs.


“16 carriages”, “Act II” de Beyoncé (Vídeo: reprodução/YouTube/Beyoncé)

As demais faixas, no entanto, ainda fazem parte da surpresa prometida por Queen Bey. Na capa, estão inscritos diversos nomes de artistas e canções. Os fãs especulam sobre a relação dos nomes com canções, parcerias e remakes.

Probabilidades

Um dos nomes inscritos é o de Linda Martell, o que leva a questionar se seria uma homenagem à primeira cantora negra a fazer sucesso na música country.


Tracklist “Cowboy Carter” (Foto: reprodução/Instagram/@beyonce)


Dolly Parton, rainha do country, também está na tracklist. Em entrevista ao site “Know News”, Dolly teria dito que liberara a música “Jolene” (1974) para Beyoncé. “Acho que ela gravou ‘Jolene’ e acredito que provavelmente estará em seu álbum country. Estou muito animada com isso”, teria dito Dolly Parton.

Blackbird, também presente na publicação, deverá conter elementos da canção “Blackbird” dos Beatles.

A produtora Atia Ink, em entrevista ao canal Alana Why, no YouTube, disse que a pandemia teria influenciado a direção da música. “Sair do isolamento para um mundo sem festas, para finalmente expressar”. Ela ainda acrescentou que “a representação é importante, esse som é importante. Esse som é música negra”.


Beyoncé no 66th Grammy Awards em fevereiro de 2024 (Foto: reprodução/Kevin Mazur/Getty Images Embed)


Experiência marcante

Em sua rede social, Beyoncé comentou que trabalhou no “Cowboy Carter” por cerca de cinco anos. A ideia nasceu de uma experiência que teve no passado, quando não se sentiu acolhida. Porém o impacto da experiência fez com que ela mergulhasse mais fundo na história da música country. Ela estudou o rico acervo musical e percebeu que a música pode unir as pessoas em todos os lugares, e também, amplificar as vozes de algumas pessoas que tanto dedicaram suas vidas a educar a história musical.

O jeito é aguardar sexta-feira para acabar com o mistério e conhecer as demais canções de Cowboy Carter. Se seguirem o padrão das duas faixas já conhecidas, será um sucesso.