Toffoli recolhe provas no STF e impede perícia imediata da Polícia Federal

O ministro Dias Toffoli determinou que todos os bens, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master sejam lacrados e mantidos sob guarda do Supremo Tribunal Federal. A decisão, tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, impede a realização imediata de perícias e transfere ao STF a custódia direta das provas.

A ordem foi expedida após a deflagração de uma nova fase da operação, nesta quarta-feira (14), que teve como alvo o empresário Daniel Vorcaro e pessoas próximas. No despacho, Toffoli afirmou haver demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento de determinações judiciais anteriores.

Determinação surpreende investigadores

No texto da decisão, Toffoli estabeleceu que todos os bens e materiais apreendidos, tanto nesta etapa quanto em fases anteriores, devem permanecer lacrados e acautelados na sede do STF até nova deliberação. A medida inclui documentos, equipamentos eletrônicos e itens de alto valor recolhidos durante as diligências.


Comportamento de Toffoli com o Banco Master levanta suspeitas (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


A determinação causou estranhamento entre investigadores da Polícia Federal. Segundo apuração da TV Globo, peritos alertaram que a impossibilidade de realizar exames técnicos nos próximos dias pode comprometer dados relevantes, especialmente em dispositivos eletrônicos. Um pedido de autorização para perícia imediata foi encaminhado ao gabinete do ministro, que ainda não se manifestou.

Operação mira fraudes e bloqueia bilhões

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ao todo, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, além de imóveis de parentes próximos, como o pai, a irmã e o cunhado, em São Paulo e outros estados.


Banco Master: segunda fase da Operação Compliance Zero (Vídeo: reprodução/X/@BandJornalismo)


Também foram alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. Durante as ações, os agentes apreenderam carros importados, relógios de luxo, dinheiro em espécie e aparelhos celulares. Até o último balanço divulgado, R$ 97,3 mil em dinheiro vivo haviam sido contabilizados.

Além das buscas, Toffoli autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A investigação aponta um esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o acautelamento imediato das provas tem como finalidade preservar o material recolhido, que será submetido à perícia pelas autoridades competentes no momento oportuno.

Silas Malafaia orientou Jair Bolsonaro a descumprir ordem do STF, segundo investigações da Polícia Federal

De acordo com a apuração da Polícia Federal (PF), divulgada nesta quarta-feira (20), o pastor Silas Malafaia estimulou o ex-presidente Jair Bolsonaro a descumprir ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).  A investigação em curso indica que Malafaia teve papel ativo na articulação de publicações em redes sociais, mesmo após Bolsonaro ser proibido de utilizá-las por decisão judicial. 

Segundo o relatório, o pastor sugeriu os melhores horários para as postagens, indicou canais para amplificação das mensagens e ajudou a formular discursos com o objetivo de pressionar a opinião pública contra o STF, em uma possível tentativa de obstruir a Justiça e coagir autoridades.

A investigação 

A PET 14305 / DF, assinada em 18 de agosto (2025), pelo ministro Alexandre de Moraes indica que o pastor Malafaia atuou “de maneira deliberada e consciente, em alinhamento com os demais investigados”, em menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro. 

Para a PF, foram “estratégias voltadas à intimidação e à propagação de informações falsas”, inclusive, participando do “planejamento de ações coordenadas“, a fim de “pressionar membros do alto escalão do Poder Judiciário”, para “impedir que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)” contrariassem os interesses dos investigados.


Parte integrante da PETIÇÃO 14.305/DF, em curso no STF (Fotos: reprodução/STF)


Segundo a Polícia Federal, a atuação do pastor Silas foi além de conselhos. Em conversas analisadas pelos investigadores, o pastor orientou o ex-presidente sobre “o que dizer, como dizer e quando publicar”, demonstrando planejamento e intencionalidade. Para a PF, Malafaia aderiu a uma estratégia que violava decisões do ministro Alexandre de Moraes. 

A investigação concluiu que havia uma atuação conjunta, com ações deliberadas para manipular a opinião pública e fragilizar o sistema judiciário brasileiro, especialmente nas redes sociais, onde Bolsonaro, ainda, tinha grande influência.


Parte integrante da PETIÇÃO 14.305/DF, em curso no STF (Fotos: reprodução/STF)


Um dos episódios apontados pela PF envolve uma mensagem enviada por Silas Malafaia orientando Bolsonaro sobre como transformar o tema das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil em uma bandeira política contra a Suprema Corte brasileira. Na mensagem, o pastor sugere que o ex-presidente use o discurso da “justiça e liberdade”, e declara que os ministros do STF se intimidariam com possíveis sanções a eles e suas famílias.

Inclusão no processo

Na data de ontem, quarta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou busca, apreensão e imposição de medidas restritivas contra o pastor Silas Malafaia. A decisão foi tomada com base em representação da Polícia Federal (PF) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Uma das medidas adotadas em desfavor do pastor Silas é a proibição de deixar o país, além de manter contato com Jair e Eduardo Bolsonaro. Houve, também, a apreensão do celular de Malafaia e de seus passaportes. 


Publicação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre medidas cautelares contra o pastor Silas Malafaia (Foto: reprodução/X/@STF_oficial)

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Conforme relatos, as investigações apontam que Malafaia teria agido como “orientador e auxiliar” nas ações de coação e obstrução promovidas por Jair e Eduardo Bolsonaro, com o objetivo de influenciar o andamento da Ação Penal 2668, referente aos “atos antidemocráticos”, que acusa o ex-presidente de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 

Na decisão, o ministro Moraes, ressaltou que os diálogos entre Malafaia e Bolsonaro evidenciam “atos executórios claros” dos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação de organização criminosa, configurando uma campanha criminosa orquestrada com ampla produção e divulgação de ataques ao Poder Judiciário 

Carlos Bolsonaro depõe na PF um dia após ser alvo de busca e apreensão

Nesta terça-feira (30), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos- RJ) prestou depoimento na Polícia Federal (PF). O depoimento acontece um dia após o mandado de busca e apreensão em sua residência, em Angra dos Reis. O vereador, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve que responder sobre uma postagem que fez em agosto de 2023, tida como ofensiva pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues.

Depoimento na PF

De acordo com o repórter do Uol, Igor Mello, Carlos Bolsonaro chegou na superintendência da PF no Rio às 09h50, e deixou o local menos de uma hora depois. O repórter também afirmou que o vereador saiu “cantando pneu”, demonstrando pressa em deixar o lugar. Carlos Bolsonaro não quis falar com a imprensa.

O teor da conversa era uma publicação que Carlos fez no X em 27 de agosto de 2023, na qual compartilhou uma publicação do perfil “Dama de ferro”, ironizando o episódio da facada de Jair Bolsonaro, cujas investigações foram encerradas. O filho de Bolsonaro republicou a postagem com a legenda: “O seu guarda diretor aqui enxerga com outros olhos! ”. A publicação foi considerada ofensiva pelo atual diretor da PF, Andrei Rodrigues.



Operação Vigilância Aproximada

Nesta segunda-feira (29), endereços ligados à Carlos Bolsonaro foram alvos de mandado de busca e apreensão. O motivo é o suposto envolvimento da família Bolsonaro com o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para propósitos políticos, de espionagem de adversários e como forma de obtenção de informações sigilosas na Justiça. De acordo com o advogado da família, Fabio Wajngarten, os irmãos Carlos, Flávio e Eduardo, e também o pai, estavam pescando quando a PF chegou à residência em Angra dos Reis, antes das 07h. Segundo testemunhas, Carlos e Jair chegaram à casa por volta das 11h. Foram apreendidos três notebooks, 11 computadores e quatro aparelhos celulares.