Primeiro implante cerebral Neuralink tem falha de funcionamento detectada

A companhia de tecnologia cerebral de Elon Musk, Neuralink, revelou nesta quarta-feira (08), que o dispositivo implantado no primeiro paciente humano apontou alguns problemas técnicos. Noland Arbaugh, de 29 anos, ficou paralisado dos ombros para baixo após um acidente de mergulho, e foi o primeiro voluntário do dispositivo. 

Ele recebeu o implante em janeiro desse ano e, desde então, vem sendo monitorado para que a companhia avaliasse os avanços ou possíveis erros do dispositivo. 

O que aconteceu

Segundo a Neuralink em seu blog corporativo, alguns dos fios de eletrodos que estavam no tecido cerebral de Arbaugh se retraíram, ocasionando um mau funcionamento do aparelho. A empresa apontou que realizou correções de softwares que melhoraram o dispositivo e retomaram o desenvolvimento do paciente. 


Imagem ilustrativa do aparelho colocado no cérebro em implante (foto: reprodução/Neuralink)


A corporação ainda garantiu no comunicado que pretende expandir o aparelho para cadeiras de rodas e braços mecânicos, além de estar focando no aprimoramento do controle do cursor e da entrada de texto do dispositivo.  

Opinião de especialistas

Alguns especialistas em implantes cerebrais conversaram com a agência de notícias Bloomberg e revelaram que esses problemas devem ter sido apresentados após os fios se conectarem a um instrumento dentro do osso do crânio, e não na superfície do tecido cerebral. 

O cérebro humano se move dentro do seu espaço intracraniano e, para os cientistas, qualquer balançar de cabeça ou movimento brusco pode provocar mudanças no aparelho. Eles ainda afirmam que os testes realizados em animais já podiam indicar estas possíveis adversidades, pois os cérebros deles são pequenos e não se deslocam como o do ser humano. 


 

Testes feito com o paciente Noland Arbaugh (foto: reprodução/Instagram/@neura.link)


O defeito já tinha sido revelado pelo jornal The Wall Street, mas sem nenhuma confirmação pela empresa de Elon Musk. A Neuralink, neste momento, tentava conseguir implantar o aparelho em mais pessoas, mas o obstáculo pode fazer com que a agência americana de alimentos e medicamentos, Food and Drug Administration (FDA), prorrogue a aprovação até o procedimento ser considerado seguro. 

Estudo identifica fatores chave para envelhecimento precoce do cérebro

Um recente estudo, divulgado hoje (27), detalhou os elementos que influenciam o envelhecimento prematuro do cérebro e sua possível correlação com o aumento do risco de condições neurodegenerativas, como o Alzheimer.

A análise, publicado na Nature Communications, analisou exames cerebrais de 40 mil indivíduos participantes do Biobank do Reino Unido, todos com idade superior a 45 anos. Os pesquisadores exploraram 161 variáveis de risco para demência, identificando aquelas que exercem maior influência em uma região específica do cérebro associada ao envelhecimento precoce.

Influências genéticas


Estudo inglês abordou aspectos ambientais e genéticos, associados ao envelhecimento cerebral (Foto: reprodução/Freepik)

O estudo abordou aspectos genéticos, abarcando variantes associadas a diversas condições como doenças cardiovasculares, esquizofrenia e enfermidades neurodegenerativas. De forma surpreendente, foi constatado que dois antígenos de um tipo sanguíneo menos reconhecido, denominado antígeno XG, estão também correlacionados como elementos de risco.

Os cientistas ressaltaram a significância dessas descobertas no entendimento dos fatores predisponentes à demência, bem como na formulação de estratégias preventivas para as enfermidades neurodegenerativas.

Influências modificáveis

Entre os elementos suscetíveis a mudanças, ou seja, sujeitos a serem ajustados durante o curso da vida, foram reconhecidas 15 categorias, abrangendo desde a pressão arterial até o peso, incluindo também o colesterol, diabetes, consumo de álcool, tabagismo, e outros.

Gwenaëlle Douaud, líder da pesquisa, ressaltou que determinadas áreas cerebrais são especialmente sensíveis a fatores como diabetes, poluição atmosférica e ingestão de álcool, todos correlacionados com o aumento do risco de demência.

Importância da pesquisa

Para contextualizar, é de suma importância entender a complexidade do cérebro, um órgão cuja operação é intrinsecamente influenciada por uma interação multifacetada de mecanismos. Com o avançar da idade, ocorre uma diminuição natural tanto em neurônios quanto em conexões neurais, particularmente nos lobos frontal e temporal, os quais desempenham um papel crucial em habilidades cognitivas como memória e linguagem. Esse declínio neural culmina em desafios crescentes no processo de raciocínio e na assimilação de informações à medida que os anos avançam.