Chegada de frente fria ao Brasil gera alívio para população

O calor intenso que tem predominado em algumas regiões do Brasil nos últimos tempos está com os dias contados. Uma nova frente fria avança pelo país, trazendo um certo alívio para cidades que enfrentaram temperaturas recordes, principalmente ao longo desse mês de fevereiro.

Previsão para os próximos dias

De acordo com meteorologistas, a frente fria chega primeiro ao Sul do Brasil, como já é de costume, e deverá derrubar as temperaturas e provocar chuvas intensas. Na sequência, o sistema avança para várias regiões do Sudeste, em especial o Sul de Minas Gerais e todo o estado de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O fenômeno será responsável por uma redução considerável do calor extremo; que esteve presente especialmente nos estados do Sul, que enfrentaram uma média de temperatura excessivamente fora do habitual.

  • Rio Grande do Sul: Mudanças bruscas de até 15°C, com possibilidade de temporais e ventos fortes.
  • Paraná e Santa Catarina: Queda moderada nas temperaturas, com uma redução entre 3°C e 5°C nas máximas diurnas.
  • RJ, SP e Minas: O impacto será pequeno, com variações menores. As temperaturas continuarão elevadas, e qualquer resfriamento será passageiro, porém algumas áreas podem ter aumento de nebulosidade e chuvas isoladas.

Homem se refresca com água gelada em dia mais quente do ano (Foto: reprodução/Fabio Teixeira/Anadolu/Getty Images Embed)


Apesar da melhora nas temperaturas, vale lembrar que o choque térmico entre o calor e a temperatura fria torna mais propensa a possibilidade de tempestades e alagamentos em algumas regiões. O recomendável é que todos fiquem atentos às atualizações meteorológicas e se preparar para mudanças bruscas no tempo.

Com a enfim chegada dessa frente fria tão aguardada pelo povo, os brasileiros finalmente conseguem um respiro após dias de temperaturas acima do limite aceitável pelo corpo humano. No entanto, apesar da amenizada, prevalecem as recomendações dos especialistas em saúde de sempre ingerir bastante água, ao longo do dia.

Iminência de crise na rede hidroelétrica

A volta das chuvas também traz um outro tipo de alívio a população: Com a ausência de pluviosidade nas últimas semanas, as companhias elétricas ao redor do Brasil alertavam para uma escassez de água nos reservatórios da rede hidroelétrica do país, o que poderia ocasionar na proclamação da bandeira vermelha, bem como na ocorrência de eventuais apagões, a exemplo da famosa “Crise do Apagão”; ocorrida entre maio de 2001 e fevereiro de 2002, durante o fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.


Cachoeira de Foz do Iguaçu, localizada na principal rede de distribuição de energia hidroelétrica no país (Foto: reprodução/Thiago Santos/imageBROKER/Getty Images Embed)


Acredita-se que as chuvas deste fim de semana, principalmente na região de Foz do Iguaçu, poderão ser o suficiente para que a situação fique minimamente confortável no abastecimento de energia de grande parte do território nacional.

Onda de calor e chuvas marcam o domingo em diversas regiões do Brasil

As condições climáticas no Brasil chegam a níveis extremos, em que altas temperaturas se misturam a chuvas intensas em várias regiões do país. Neste domingo (09), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas para diferentes áreas, ressaltando a importância de tomar precauções. É um momento em que todos devemos estar atentos e cuidar uns dos outros.

Regiões afetadas e previsões

O Inmet emitiu alertas laranja para algumas áreas, indicando risco de eventos climáticos severos. O norte, especialmente o Pará, está tendo fortes chuvas, mais de 50 mm em alguns lugares. No nordeste, as chuvas vêm com frequência e com força, principalmente, nas costas da Bahia e de Pernambuco. Esses temporais podem causar alagamentos em áreas urbanas e provocar deslizamentos de terra nas regiões de encosta, trazendo preocupação para os moradores.


A previsão indica chuvas entre a média climatológica e acima da média (Foto: reprodução/Instagram/@inmet.oficial)

No sudeste, estados intensamente aquecidos, como São Paulo e Rio de Janeiro, convivem com temperaturas que podem ultrapassar os 35°C. As previsões para essas áreas indicam pancadas de chuva no final da tarde, o que trará alívio, ainda que acompanhado de raios e fortes rajadas de vento; merecendo atenção.

Recomendações e cuidados

Esses fatores climáticos, portanto, ressaltam a necessidade de continuar monitorando os relatórios meteorológicos e aderir medidas preventivas. Com base nessas condições, as pessoas são aconselhadas a ficar longe da exposição ao sol nos horários de pico, beber bastante água e usar protetor solar.

Em caso de tempestades, os dispositivos eletrônicos devem ser desligados, áreas abertas devem ser evitadas e as árvores não devem ser usadas como abrigos. Para quem vai dirigir, redobrar a atenção é fundamental, há possibilidade de pistas escorregadias e redução na visibilidade por causa da chuvas. É importante estar atento às orientações da defesa civil e seguir as instruções em caso de emergência.

Incêndio em Pacific Palisades já é considerado o pior de Los Angeles 

O incêndio no bairro Pacific Palisades, que teve início na manhã desta terça-feira (7), é o mais destrutivo do Condado de Los Angeles, segundo dados do CalFire. O incêndio florestal queimou mais de 25 quilômetros quadrados nesta quarta-feira (8), e já destruiu cerca de mil residências nos bairros Palisades, Eaton, Hurst e Woodley. 

De acordo com Daniel Swain, cientista climático da Universidade da Califórnia, este incêndio pode ser entendido como um dos mais devastadores da história. Cerca de 37 mil pessoas já receberam ordens de evacuação de suas residências e, segundo as autoridades, o fogo ainda está 0% contido. 


Cachorro do lado de fora de uma casa pegando fogo durante o incêndio florestal Eaton (Foto: reprodução/Caroline Brehman/ BBCNews)

Com a força e intensidade dos ventos na região, mais de 2,3 mil hectares estão em chamas. Gavin Newson, governador do estado da Califórnia,  declarou estado de emergência na terça-feira. As autoridades abriram dezenas de abrigos para acolher cidadãos residentes das áreas mais atingidas. O ator Steve Guttenberg, morador do local atingido, descreveu para a ABC News como foi deixar sua casa. 

Foi o maior incêndio que já vi na minha vida. Às 9:00 da manhã estava tudo bem e às 10:00 o céu estava preto e o fogo já estava queimando. Não sei como começou, de repente as pessoas estavam fugindo e, antes que você percebesse, a colina estava completamente em chamas

Situação Climática

As condições climáticas do local que incluem, ventos fortes, altas temperaturas e clima seco foram determinantes para o acontecimento do incêndio. Não é a primeira vez que as mudanças climáticas atingem o estado da Califórnia com a formação de incêndios. Em 2018, o incêndio Camp devastou o norte do estado e se tornou o incêndio florestal mais mortal da história dos Estados Unidos. 


Imagens do incêndio Camp em 2018 (Vídeo: reprodução/Youtube/The Guardian)

Um dos fatores que contribuem para a dificultação do controle das chamas são os chamados ventos de Santa Ana. Estes ventos secos removem a umidade da vegetação e criam rajadas de 160 km/h em algumas regiões. Com estas fortes rajadas, o fogo pode se espalhar em uma alta velocidade que pode chegar a 22 km/h.


Donald Trump critica o governador Gavin Newson (Foto: Reprodução/Will Oliver/Pleno.News)

O presidente eleito, Donald Trump, que costuma negar as mudanças climáticas, criticou o governador Gavin Newson e culpou as políticas ambientais adotadas no estado pelo desastre. O presidente afirmou que o incêndio é uma grande tragédia e que as políticas que resultaram na falta de água eram o grande problema para a contenção do fogo. 

Acidentes climáticos nos EUA 

Os Estados Unidos registraram um grande aumento de incêndios florestais nas últimas duas décadas. Um estudo da Science revelou que desde 2020, o fogo nas florestas do estado da Califórnia, que possui um histórico de queimadas, passou a se espalhar quatro vezes mais rápido do que há 20 anos.

O mesmo estudo indicou que a região Oeste dos EUA teve os incêndios intensificados em 250% mais rápidos do que em 2001. Desde o ano 2000, uma média de 72.400 incêndios florestais atingiram  2.832.800 hectares de terras no país. Uma estimativa da Noaa (Administração de Oceanos e Atmosfera dos EUA) indicou que 84% dos incêndios florestais no país são ocasionados por atividades humanas.

Mudanças climáticas alteram o modo de vida de moradores da Flórida

As mudanças climáticas têm transformado o cenário em diversas regiões, expondo comunidades a desafios inéditos, como as inundações em áreas historicamente seguras. A elevação de casas, apesar eficaz para proteger contra os danos da água, é uma solução custosa e inacessível para muitos.

Além disso as dificuldades com licitações, a ineficácia dos seguros contra enchentes e a demora na assistência governamental agravam a situação de vulnerabilidade. Essa realidade ressalta a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para mitigar os impactos climáticos e para oferecer suporte imediato e acessível às famílias afetadas.

De onde vem essa ideia?

A elevação de casas é uma prática comum nos Estados Unidos há anos, especialmente em áreas vulneráveis a enchentes. Mas as mudanças climáticas têm levado essa solução para estados que nunca precisaram lidar com esses fenômenos. O aquecimento global desregula o clima, intensificando chuvas, tempestades, furacões e até tornados, aumentando o risco de inundações.


Furacão Debby chega à costa da Flórida e pode provocar tempestades e inundações (Foto: reprodução/ REUTERS/ Gabbi Ray)

Qual o custo dessa adaptação?

Algumas famílias enfrentam dificuldades para obter licenças necessárias e, quando os desastres chegam antes da aprovação muitas perdem seus lares e bens. Os custos para elevar uma casa podem chegar a 1 milhão de dólares, um valor inatingível para a maioria.

Diante das dificuldades financeiras algumas famílias improvisam, elevando suas casas por conta própria ou ao menos retirando móveis das áreas mais baixas. Outro problema enfrentado é a redução do valor dos seguros contra enchentes, que já não cobrem os prejuízos de forma eficaz. Moradores que não têm condições de arcar com os custos recorrem à “Agência Federal de Gestão de Emergência” (FEMA), mas o auxílio pode levar anos para chegar e em muitos casos, não chega.

As mudanças climáticas estão reconfigurando os riscos de desastres naturais e aumentando a vulnerabilidade de comunidades inteiras. Apesar de soluções como a elevação de casas oferecerem proteção, o alto custo e a burocracia dificultam sua implementação. Com seguros insuficientes e atrasos na assistência governamental muitas famílias ficam desamparadas. Esse cenário destaca a urgência de políticas públicas eficazes, tanto para prevenir desastres quanto para oferecer suporte rápido e acessível às populações afetadas.

A Agência Federal de Gerenciamento de Emergências dos EUA (FEMA) oferece orientações detalhadas sobre como elevar a estrutura de sua casa, incluindo considerações importantes e procedimentos necessários.

Startup canadense recebe financiamento de Bill Gates para inovar no clima

A Breakthrough Energy, uma organização fundada por Bill Gates, anunciou na ultima quarta-feira (18) um investimento de US$ 40 milhões na startup canadense Deep Sky, os recursos serão usados para desenvolver um campo de testes em Alberta, destinado a tecnologias de captura direta de carbono do ar (DAC, na sigla em inglês).

Tecnologia promissora

A tecnologia DAC é considerada uma solução promissora para enfrentar as mudanças climáticas ao remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. No entanto, enfrenta desafios como altos custos, consumo elevado de energia e baixa escala operacional, algo que promete ser encarado pela startup.

O projeto, batizado de “Alpha,” permitirá que oito empresas experimentem e aprimorem suas tecnologias em um ambiente controlado. O primeiro sistema deverá começar a operar no próximo ano. Além disso, o campo de testes investigará a eficácia dessas tecnologias em condições climáticas adversas, como o frio extremo do Canadá, um dos maiores produtores de petróleo do mundo.


Empresa fundada por Bill Gates vem investindo em tecnologia verde (Foto: reprodução/X/@Breakthrough)

Damien Steel, CEO da Deep Sky, afirmou que a startup está adotando uma abordagem paralela para o desenvolvimento das usinas de captura, acelerando os processos e assumindo riscos para atender à urgência da crise climática. “Não temos tempo para seguir uma sequência tradicional de desenvolvimento,” disse Steel sobre a rapidezes de algumas etapas.

Entre as empresas participantes do Alpha estão Airhive, Mission Zero, Skyrenu, Skytree, NEG8 Carbon, Greenlyte e Phlair.

A Breakthrough Energy Catalyst, unidade da organização voltada para startups em estágio inicial, liderou o investimento. Mario Fernandez, diretor da Catalyst, destacou que o objetivo é tornar tecnologias como o DAC financeiramente viáveis.

Compromisso do Canadá

A iniciativa surge em meio ao compromisso do Canadá de reduzir em até 50% suas emissões de gases de efeito estufa até 2035, alinhando esforços locais e globais na luta contra a mudança climática, algo importante na agenda global atual.

Future Climate impulsiona agenda de clima & carbono no exterior e é premiada no evento ApexBrasil-Exame

São Paulo, 10 de dezembro de 2024 – Nesta segunda-feira, a Future Climate recebeu a Menção Honrosa do Prêmio ApexBrasil-Exame, durante cerimônia realizada no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A Future Climate se destacou como uma startup inovadora que acelera a descarbonização e atrai investimentos globais voltados à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Mas também por ter projetos que promovem biodiversidade, bioeconomia e impactos positivos em comunidades locais. Como é o caso do Projeto Rio Madeira, que conserva um total de 52 mil hectares de floresta nativa nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia, atraindo recursos estrangeiros com a geração de créditos de carbono de alta integridade.

Fábio Galindo, CEO da Future Climate, destaca a importância do reconhecimento. “Receber a Menção Honrosa da ApexBrasil reafirma nosso compromisso como plataforma de investimento em soluções climáticas e a promoção de uma economia sustentável para as comunidades locais. Essa menção fortalece nossa missão de fomentar a biodiversidade e o impacto social nos projetos de conversão ambiental”, afirmou.



A premiação, realizada pela ApexBrasil em parceria com a revista Exame, destaca empresas que apresentam contribuições expressivas no cenário internacional, alinhadas aos pilares estratégicos da ApexBrasil: sustentabilidade, inovação, igualdade de gênero, desenvolvimento regional e expansão internacional. Esses critérios visam promover a competitividade global das empresas brasileiras e consolidar a imagem do Brasil como um player estratégico no mercado internacional.

É por meio dos seus escritórios em países estratégicos, como Reino Unido, Emirados Árabes e Singapura, que a Future Climate consegue atrair investimentos estrangeiros para projetos estratégicos, captando e direcionando fundos de investimento climático de longo prazo para projetos brasileiros. “Ter esse reconhecimento em um momento em que o mercado brasileiro de carbono regulado acaba de ser criado pelo Congresso Nacional [PL182/2024] e que a próxima COP30 será sediada no Brasil (2025), é muito valioso e um estímulo para que possamos contribuir ainda mais para a atração de investimentos internacionais destinados à conservação florestal e à biodiversidade brasileira”, destaca Galindo. Ele também lembra que a COP29, realizada em novembro, em Baku, no Azerbaijão, regulamentou o Artigo 6 do acordo de Paris, criando as regras e diretrizes do mercado global de carbono. Com isso, o Brasil finalmente ganha espaço para ser um grande exportador de ativos ambientais e confirma sua vocação para a liderança da agenda verde global.



Sobre a Future Climate

A Future Climate é uma plataforma de negócios climáticos que oferece soluções integradas para o ecossistema, atuando em setores estratégicos da economia brasileira com o objetivo de acelerar uma transição climática justa e gerar um impacto positivo no planeta. A empresa adota uma metodologia inovadora que combina gestão de projetos, compliance, consultoria e finanças climáticas, com foco na transição para energias renováveis, restauração florestal e sistemas agroflorestais de baixo carbono. Comprometida com tecnologia, qualidade e integridade, a Future Climate desenvolve iniciativas por meio do produto BEYOND CARBON™, que mitiga emissões, promove a biodiversidade e o impacto social.

Para mais informações, visite nosso site: futureclimate.com

Google lança GenCast, inteligência artificial para previsão meteorológica de até 15 dias

O Google apresentou o GenCast, uma nova versão de sua inteligência artificial para previsões meteorológicas. A ferramenta promete fornecer dados mais precisos sobre o clima diário e eventos extremos. Com a capacidade de antecipar as condições climáticas por até 15 dias, o GenCast visa melhorar a precisão das previsões.

As previsões são geradas através da análise de mais de 50 previsões recentes combinadas com quatro décadas de dados históricos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). De acordo com a empresa, esse processo oferece informações mais precisas do que aquelas produzidas diretamente pelo próprio instituto.


Sede do Google em Nova York, em Manhattan (Foto: reprodução/
Michael M. Santiago / Equipe/ Getty Images Embed)


Adaptação

O GenCast utiliza uma inteligência artificial que se ajusta à forma esférica da Terra para calcular com precisão a probabilidade de diferentes cenários climáticos futuros. Com base em seu banco de dados e nas informações sobre o clima recente, a IA consegue até prever catástrofes ambientais.

A adaptação à geometria esférica da Terra é crucial para que a inteligência artificial do GenCast possa calcular de forma precisa os cenários climáticos futuros. Isso ocorre porque a Terra não é perfeitamente plana, mas sim esférica (ou, mais precisamente, um esferoide oblato). Quando se trabalha com previsões climáticas globais, é essencial levar em conta essa curvatura para modelar corretamente os fenômenos meteorológicos, como a distribuição de temperatura, pressão atmosférica e padrões de vento.

A IA do GenCast foi projetada para considerar a esfericidade da Terra, o que permite representar de maneira mais realista como os fenômenos climáticos se desenvolvem e se distribuem ao redor do planeta. Esse modelo esférico permite uma análise mais precisa da interação entre diferentes variáveis climáticas, evitando distorções que poderiam ocorrer em modelos baseados em representações planas da superfície terrestre.

Ao realizar essa adaptação, o GenCast pode calcular melhor a distribuição de probabilidade dos cenários climáticos, o que inclui a previsão de eventos extremos ou catástrofes ambientais, como furacões ou ondas de calor, de forma mais precisa e confiável.

Evolução

A nova ferramenta supera o modelo anterior, o GraphCast, lançado em 2023, que limitava suas previsões a até 10 dias de antecedência. Com a capacidade de prever o clima com maior antecedência, o GenCast pode ser uma ferramenta valiosa para governantes na prevenção de desastres climáticos.

Agronegócio mundial enfrenta ameaças devido a eventos climáticos extremos

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, está sofrendo com as mudanças climáticas, secas severas, ondas de calor intensas e enchentes devastadoras que estão deixando um rastro de prejuízos bilionários. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que, nos últimos 30 anos, o mundo perdeu cerca de US$ 3,8 trilhões em produção agrícola e pecuária por conta dessas catástrofes climáticas. No Brasil, esses impactos estão cada vez mais visíveis, afetando não só a produção, mas também a segurança alimentar e a economia do país.

Incêndios criminosos e desmatamento

Além das perdas financeiras, o agronegócio enfrenta críticas por sua contribuição ao agravamento das mudanças climáticas. No Brasil, incêndios criminosos, muitas vezes associados a práticas agrícolas, têm sido apontados como ações coordenadas que intensificam o desmatamento e, consequentemente, aumentam as emissões de gases de efeito estufa. Esses incêndios não estão só destruindo ecossistemas, mas também causam os eventos climáticos extremos, criando um ciclo de destruição ambiental e prejuízos econômicos.

Com as mudanças no clima afetando a agropecuária, os preços de diversos itens e comidas acabam aumentando e afetando o bolso dos brasileiros. Diante desse cenário, a adaptação a eventos climáticos extremos é essencial para manter o funcionamento do agronegócio a longo prazo. Pesquisadores e especialistas defendem a implementação de estratégias colaborativas que possam minimizar os impactos climáticos na produção agrícola. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, destaca a importância de adotar práticas agrícolas de baixo carbono, como plantio direto, rotação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta, como formas de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.


A agropecuária terá que se reinventar diante das mudanças climáticas (Foto: reprodução/fotokostic/Istock)

Necessidade de adaptação e sustentabilidade

O futuro do agronegócio depende de sua capacidade de inovação e adaptação às mudanças climáticas. Segundo Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), embora as mudanças no clima ainda não tenham causado uma queda na produção agrícola mundial, elas já estão afetando a qualidade agrícola de diversas regiões. Algumas áreas terão que se adaptar, cultivando novos tipos de alimentos para garantir a viabilidade econômica e o abastecimento das populações.

“Essas tecnologias já estão disponíveis aqui no Brasil. O nosso desafio, em geral, não é desenvolvê-las, mas sim disseminá-las. Seca, excesso de chuva, geada, não escolhe o tamanho da propriedade, não escolhe se é pequeno, grande ou médio produtor. O que vai diferenciar, por exemplo, é o tipo de tecnologia que aquele produtor consegue adotar”, afirma Serigati.

Essa realidade global mostra a necessidade de tecnologias avançadas que ajudem o agronegócio a se adaptar às novas condições climáticas. A agropecuária, sendo uma grande indústria a céu aberto, é bastante vulnerável aos eventos climáticos extremos e precisaria de uma atenção especial nos próximos anos.

Defesa Civil testa novo sistema de alerta para eventos climáticos

Um novo sistema de alerta para situações de risco começa a ser testado pela Defesa Civil Nacional. O teste envolve moradores de sete estados brasileiros. O objetivo é salvar vidas e informar a população sobre possíveis desastres causados por fenômenos climáticos.

Inovações no novo sistema

A principal diferença desse sistema é que ele alerta todas as pessoas que estiverem na área de risco, sem necessidade de cadastro prévio dos usuários. A nova ferramenta representa um avanço importante na prevenção de desastres e na proteção da população.

O funcionamento é o seguinte: os moradores recebem uma mensagem de texto e um sinal sonoro. As mensagens serão enviadas para aparelhos que operem nas faixas 4G ou 5G, abrangendo a maioria dos dispositivos lançados desde 2020.

Ainda não há informações sobre a participação de órgãos como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) ou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no envio desses alertas.


Morador caminha em rua inundada do bairro Cidade Baixa em Porto Alegre (Foto: reprodução/Jefferson Bernardes/Getty Images Embed)


Como funciona o alerta

Ao detectar uma área de risco, a Defesa Civil municipal ou estadual informará o sistema nacional, que, por sua vez, disparará o alerta para a região. A nova tecnologia visa alertar sobre situações de risco relacionadas a eventos climáticos, como chuvas intensas ou ondas de calor.

Dessa forma, caso haja previsão de fortes chuvas nas próximas 24 horas, os moradores poderão se preparar para evacuar as áreas de alto risco e evitar tragédias como a que ocorreu no Rio Grande do Sul. Outro caso em que o alerta será necessário é durante ondas de calor, que afetam principalmente crianças e idosos, e podem levar a problemas graves de saúde devido à desidratação.

O novo sistema será acionado em casos de eventos extremos e integrará outras estratégias já utilizadas pela Defesa Civil, como mensagens SMS, redes sociais, site oficial, e comunicados enviados diretamente às prefeituras.

Com o avanço dos testes, espera-se que a tecnologia seja implementada em todo o território brasileiro, contribuindo para a redução de perdas humanas e materiais causadas por desastres ambientais.

Pesquisa revela projeções climáticas preocupante para São Paulo até 2050

Pesquisadores do Instituto Geológico juntamente com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realizaram um estudo que aponta a possibilidade do estado ficar até 6°C mais quente até o ano de 2050, além de apresentar ondas de calor que ultrapassam os 100 dias.

Pesquisa Climática

Divulgado pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), o artigo analisou dados climáticos entre as décadas de 1960 e 1990 em comparação com projeções para o período de 2020 a 2050. Os estudo foi assinado pelos pesquisadores Gustavo Armani e Nádia Lima, do Instituto de Pesquisas Ambientais, por Maria Fernanda Pelizzon Garcia, da Cetesb, e Jussara de Lima Carvalho, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP, e publicado no fim de 2022.

Em nota, o governo do estado se pronunciou a respeito do artigo divulgado pela APqC visto que a associação cobra do governo paulista medidas para conter o avanço do aquecimento do estado.

A Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP tem compromisso com a sustentabilidade ambiental e resiliência climática e possui um aparato de programas voltados para o equilíbrio ambientalista do Estado. Desde 2022, a pasta possui o Plano de Ação Climática (PAC) 2050 e o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE-SP), que mapeiam cenários climáticos globais para aplicação e gestão de riscos ao estado.”

Foi projetado dois cenários possíveis com o estado divulgado: um otimista e um pessimista. O cenário otimista consiste em possibilidades mais positivas para o quadro climático durante os próximos anos como a estabilidade de níveis de gás carbônico (CO²) após o fim do século XXI além de um redução de emissões e implementação de programas de reflorestamento no futuro. Também faz parte do quadro otimista a diminuição de áreas de cultivos agrícolas, adoção de políticas climáticas mais rigorosas e um menor consumo de energia vindo de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão natural.

Já o cenário pessimista, obviamente o mais alarmante, aponta um quadro contrário e mais agressivo onde o nível de gás carbônico pode se elevar até o final do século além de um futuro sem mudança das atuais políticas públicas para redução de emissão de gases. Desse cenário, também faz parte um aumento de CO² no ano de 2100 três vezes maior do que atualmente. Uma expansão de áreas agrícolas e de pastagens também pode acontecer afim de suprir a demanda visto o crescimento da população mundial, projetada em 12 bilhões em 2100 além de alta dependência dos combustíveis fósseis.

O professor de meteorologia Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP apontou que os pesquisadores usaram de modelos climáticos e fizeram uma regionalização dessas simulações a partir da meteorologia. Em exemplo, o professor citou as previsões para cenários futuros em resolução espacial na casa dos 100 a 200 km.

Consequências Climáticas

A pesquisa concluiu a respeito de diversas consequências, algumas delas já nos assolam. A primeira, e uma das principais, foi o aquecimento da atmosfera de forma menos intensa na faixa litorânea (devido ao controle exercido pelo oceano), e maior na região Noroeste, mais afastada do Oceano Atlântico. Para a temperatura máxima anual, os estudiosos reconheceram um aumento em todo o estado, variando de 0,5°C a 1,5°C no Litoral Norte e na Baixada Santista.

Ainda sobre aquecimento, os maiores valores partem de 3°C a 4°C acima da temperatura normal (considerando o intervalo entre as décadas de 1960 e 1990), chegando até 6°C no limite superior do cenário pessimista.


Projeção do aquecimento segundo estudo divulgado na APqC (Foto: reprodução/ G1/ APqC)

A falta de chuva também será um inimigo presente. O estudo obteve um resultado onde é projetada para a maior parte do estado a redução nos totais anuais de precipitação, simplificando, da possibilidade de chuvas, sendo que no Norte e Noroeste todos os cenários marcam tendência de redução.

Dentro do quadro pessimista, o estado inteiro ainda pode ter redução de ondas de frio entre 1 e 3 dias, com pequenas áreas isoladas destacando redução de até um dia. Segundo a projeção, o estudo também pôde verificar a possibilidade de haver um aumento do indicador de duração de ondas de calor ao considerar o máximo de dias consecutivos no ano com temperaturas elevadas. Numa visão ainda mais degradante, o aumento é superior a 150 dias no norte do estado. Já com um cenário positivo, o menor aumento seria de 25 dias, no Sul.

O professor de meteorologia Ricardo de Camargo ainda pondera que apesar dos números, não é um acontecimento exato visto que apenas foi considerado o período de 1961-1990, quando poucas ondas de calor já haviam sido registradas.

O que diz a APqC

A presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, salientou a importância da pesquisa e afirmou que a emergência climática é real e ainda criticou os gestores estaduais.

A emergência climática é real e pode trazer consequências devastadoras para o planeta e para o estado, cuja economia pode ser fortemente atingida se as projeções se confirmarem.”, de acordo consigo, o governo de São Paulo não dá a atenção devida aos alertas científicos.

“O estado tem adotado, nos últimos anos, medidas que fragilizam o sistema paulista de ciência e tecnologia, como a extinção do próprio Instituto Geológico, autor do estudo, do Instituto Florestal e do Instituto de Botânica, além da Sucen [Superintendência de Controle de Endemias], que também poderia contribuir diante deste cenário, estudando a mudança de comportamento de vírus e vetores.”

A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo também cobra algumas medidas do governo como um plano de ação contra o aquecimento do estado além de medidas para garantir a preservação das áreas de conservação ambiental. Também faz parte das cobranças a recriação dos Institutos Geológico, Florestal e Botânica, bem como da Sucen. O desejo de fortalecimento e investimento do sistema paulista de pesquisa e tecnologia também é reforçado.

“É urgente fortalecer o sistema paulista de pesquisa e tecnologia, exigindo investimentos financeiros e em recursos humanos. Enquanto isso, o governo Tarcísio de Freitas tenta entregar áreas de conservação para a iniciativa privada, uma afronta ao futuro dos paulistas”, critica a presidente Helena Lutgens referente a licitação de concessão de áreas públicas de preservação e pesquisa ambiental do interior do estado, suspenso pela Justiça.

Em nota, o governo de São Paulo declarou:

“A Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP tem compromisso com a sustentabilidade ambiental e resiliência climática e possui um aparato de programas voltados para o equilíbrio ambientalista do Estado. Desde 2022, a pasta possui o Plano de Ação Climática (PAC) 2050 e o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE-SP), que mapeiam cenários climáticos globais para aplicação e gestão de riscos ao estado.

Dentre as estratégias e especificidades de atuação para implementação do PAC 2050, o Governo de SP montou um comitê gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), intersecretarial, para discutir ações integradas correlatas à pauta. As ações visam atingir os objetivos de neutralidade de emissões de São Paulo, a partir de seis eixos: Transportes; Energia; Resíduos; Agropecuária, Florestas e Usos do Solo; Processos Industriais e Uso de Produtos; Finanças Verdes e Inovação. O planejamento e as execuções devem ainda serem monitoradas por um conselho, tripartite – neste momento, em processo de estruturação.

Lançado recentemente pela pasta, o Finaclima-SP, mecanismo de financiamento que permite a combinação de recursos públicos e privados, atuará para complementar a implementação das ações necessárias de mitigação e adaptação previstas no PAC e no Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC).

Sistemas estaduais de pesquisa e tecnologia

Desde 2021 a Semil possui o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), fruto da união dos institutos Florestal, Botânica e Geológico, cujas atividades técnico-científicas desenvolvidas são voltadas para o planejamento territorial, de restauração de ecossistemas, de manutenção das unidades de conservação e das mudanças climáticas – totalmente integrado às políticas públicas de Estado. Ainda, o IPA dá suporte às atividades da Defesa Civil estadual no atendimento de desastres naturais, principalmente os ligados a deslizamentos.

Quanto às ações voltadas para o monitoramento de endemias, a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), da Secretaria de Estado da Saúde, realiza estudos e pesquisas sobre os temas, sob avaliação de conselhos responsáveis. As atividades regionais de campo são realizadas pelos municípios, vinculadas aos Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) e de Vigilância Sanitária (GVS) estaduais.”

A possibilidade de eventos climáticos extremos e riscos de morte advindo das consequências climáticas também são alertadas pela pesquisa e seus pesquisadores.