Ex-ministros e generais aliados de Bolsonaro são condenados pelo STF

Nesta terça-feira (25), o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou o trânsito em julgado da trama golpista. A Polícia Federal (PF) e o Exército prenderam os ex-ministros e generais do Exército Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Ambos foram detidos e encaminhados para o Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília.

Augusto Heleno é ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Paulo Sérgio Nogueira é ex-ministro da Defesa. Ambos são ex-ministros do governo Bolsonaro e foram presos pela trama de golpe de Estado. Ou seja, o STF julgou que não cabem mais recursos e abriu caminho para a execução das penas de prisão para eles.

Prisão de Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira

O ex-ministro Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão. Já o também ex-ministro Paulo Sérgio foi condenado a 19 anos de prisão. Como dito anteriormente, eles foram presos no Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília, por serem generais do Exército. O Estatuto dos Militares estabelece que militares da ativa ou da reserva condenados por crimes militares devem cumprir pena em instalações militares — e não em presídios comuns.

Porém, diferente do que diz a lei, essa regra não está restrita apenas aos condenados por crimes militares. Entretanto, a jurisprudência admite algumas exceções. Por exemplo: quando há risco à integridade física; quando existe potencial instabilidade institucional; ou quando é difícil acomodar aquele preso no sistema prisional comum.


Vídeo informando onde os condenados do núcleo 1 vão cumprir as penas (Vídeo: Reprodução/YouTube/CNN Brasil)


O STF, os julgados tinham até segunda-feira (24) para apresentarem os segundos embargos de declaração, que seriam como um recurso. Os julgados são: Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil; Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.

Outros condenados também são: Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Walter Braga Netto, general e ex-ministro; e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens (delator, que cumpre pena domiciliar de 2 anos).

O caso de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde sábado (22). A prisão, porém, não está diretamente relacionada ao processo do golpe. Jair está preso por um decreto de Alexandre de Moraes, por violação da tornozeleira eletrônica que ele usava em prisão domiciliar e também por risco de fuga, reforçado pela convocação de uma vigília religiosa feita pelo filho e senador Flávio Bolsonaro na porta da casa do ex-presidente.

Por conta de Alexandre Ramagem ter fugido para os EUA, o ministro Moraes avaliou que a situação poderia ocorrer novamente e,  portanto pediu a prisão de Jair Bolsonaro.


Imagem do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (Reprodução/Getty Images Embed/Ton Molina)


Após as prisões de Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, condenados pelo processo contra o “núcleo 1”, que ficou conhecido como o núcleo central, também foi determinado o início de cumprimento de pena para Bolsonaro, pela mesma decisão que atendeu ao fim dos recursos de Augusto e Paulo, ex-ministros. O ex-presidente vai iniciar o cumprimento da pena na Superintendência da PF, em Brasília, mesmo.

Bolsonaro terá segurança reforçada para ida a hospital após condenação

O ex-presidente Jair Bolsonaro deixará sua residência pela primeira vez neste domingo após ser condenado a 27 anos de prisão. A princípio, ele fará um procedimento dermatológico de baixa gravidade no hospital DF Star, em Brasília, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Atualmente, Bolsonaro está em regime de prisão domiciliar. Por isso, terá escolta da Polícia Penal do Distrito Federal, agentes à paisana e vistoria no veículo. O ex-presidente passará por dois procedimentos: a retirada de um nevo melanocítico no tronco e a coleta de material cutâneo para biópsia. O tratamento será ambulatorial, com alta no mesmo dia. A defesa deve apresentar atestado médico em até 48 horas.

Esquema de segurança e restrições impostas

A Polícia Militar do Distrito Federal reforçará o entorno do hospital. Além disso, Bolsonaro usará tornozeleira eletrônica durante o deslocamento. Nesse ínterim, apoiadores já convocaram manifestação em solidariedade ao ex-presidente na manhã do domingo.

Em agosto, Moraes determinou medidas adicionais para reduzir riscos de fuga. Anteriormente, o laudo da Seape-DF apontou “pontos cegos” na residência de Bolsonaro. O ministro também destacou que a saída para o hospital não isenta o cumprimento de cautelares, como a proibição de uso das redes sociais.

Condenação histórica e futuro político incerto


Jair Bolsonaro na garagem de sua residência, em 11 de setembro de 2025 (Foto: reprodução/SERGIO LIMA/AFP/Getty Images Embed)


Na última sexta-feira, o Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por crimes como golpe de Estado e organização criminosa. Pela primeira vez, um ex-presidente brasileiro recebeu pena por tentativa de derrubar o governo eleito.

Em contrapartida, a defesa prepara pedido para manter prisão domiciliar, alegando quadro de saúde delicado. Bolsonaro já passou por várias cirurgias desde a facada ocorrida em 2018. Em abril deste ano, ficou 12 horas em cirurgia abdominal.

A Polícia Federal também reservou uma sala especial em Brasília caso ele seja transferido para cumprir pena sob custódia direta. Ainda assim, a decisão final sobre o local de prisão caberá a Alexandre de Moraes.